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28 dezembro, 2025

Da defensiva à vanguarda: como a Ucrânia pode se tornar o escudo aéreo da Europa

Taxa de interceptação de 97% em ataque russo demonstra capacidade que poucos países da OTAN possuem 

*LRCA Defense Consulting - 28/12/2025

A data de 23 de dezembro de 2025 pode marcar um ponto de inflexão não apenas para a defesa aérea ucraniana, mas para toda a arquitetura de segurança europeia. Naquele dia, pilotos ucranianos de F-16 interceptaram 34 dos 35 mísseis de cruzeiro lançados pela Rússia em um ataque maciço que mobilizou 673 armas aéreas, incluindo 635 drones e 38 mísseis de diversos tipos.

A taxa de interceptação de 97% surpreendeu analistas militares e reacendeu um debate que ganha urgência crescente em Bruxelas e capitais europeias: a Ucrânia, depois de quase três anos absorvendo a experiência de combate mais intensa desde a Segunda Guerra Mundial, está desenvolvendo capacidades de defesa aérea que a maioria dos países da OTAN não possui.

A batalha que mudou a narrativa
O Coronel Yurii Ihnat, chefe de comunicações da Força Aérea ucraniana, confirmou que os F-16 desempenharam papel fundamental na interceptação dos mísseis de cruzeiro. O ataque russo tinha como alvos principais a infraestrutura energética nas regiões ocidentais da Ucrânia, e visava causar apagões em massa durante o inverno.

O que torna esse resultado particularmente significativo é a complexidade do cenário: além dos F-16, participaram da defesa caças Mirage-2000, MiG-29, Su-27, drones interceptadores e grupos móveis de fogo. A coordenação entre sistemas antigos soviéticos e plataformas ocidentais modernas demonstra um nível de integração operacional que poucos países conseguem alcançar mesmo em tempos de paz.

Tecnologia e experiência: a combinação letal
A capacidade demonstrada pelos pilotos ucranianos não surgiu do vácuo. Imagens recentes revelaram que os F-16 ucranianos estão equipados com pods de direcionamento Sniper, que incluem câmeras de luz diurna e infravermelho, além de designador a laser.

Esta tecnologia permite que os pilotos detectem mísseis de cruzeiro e drones usando câmeras ou radar, e então os "iluminem" com o laser para guiar armamentos. Mais importante, os pods Sniper são sensores passivos que não emitem radiação, permitindo que o F-16 opere "silencioso" sem revelar sua localização.

O armamento também evoluiu. Os F-16 ucranianos agora utilizam o Sistema Avançado de Arma de Precisão Letal (APKWS), um foguete guiado a laser de 15 kg com alcance de até 11 km. Com custo de apenas US$ 35 mil por unidade, o APKWS é uma das poucas munições anti-drone no inventário ucraniano mais barata que seu alvo, em comparação com os US$ 500 mil de um míssil AIM-9.

O contexto europeu: um continente despreparado
A performance ucraniana expõe uma vulnerabilidade crítica: a Europa não está preparada para defender seus próprios céus contra ameaças em massa. Segundo estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), até o final de 2023, a Ucrânia possuía aproximadamente 564 plataformas antiaéreas em serviço. Para comparação, todos os países europeus combinados têm apenas cerca de 1.600 plataformas.

A desproporção é ainda mais gritante quando se considera a extensão territorial e populacional da Europa comparada à Ucrânia. A realidade é que a demanda ocidental por sistemas de defesa aérea era historicamente baixa, e a produção industrial não acompanhou as novas ameaças.

Esta lacuna tornou-se dolorosamente evidente em setembro de 2025, quando enxames de drones russos Gerbera violaram o espaço aéreo polonês. A assimetria de custos enfrentada pelos aliados ao interceptar a frota de drones Gerbera sobre a Polônia deixou clara a necessidade de adquirir sistemas mais econômicos, como o caça leve turboélice Embraer A-29N Super Tucano em sua nova configuração anti-drone. Usar caças e mísseis ar-ar caros para derrubar drones é operacionalmente possível, mas economicamente insustentável.

Operação Eastern Sentry e a resposta da OTAN
A resposta da OTAN não tardou. A Operação Eastern Sentry, lançada ao longo do flanco oriental da aliança, visa fortalecer ainda mais a postura de proteção de todos os aliados. A Dinamarca contribuiu com dois F-16 e uma fragata antiaérea, a França com três Rafales, e a Alemanha com quatro Eurofighters.

Paralelamente, está em desenvolvimento a Linha de Dissuasão do Flanco Oriental (EFDL, na sigla em inglês), uma iniciativa que busca desenvolver sistemas padronizados baseados em dados, lançadores comuns e coordenação baseada em nuvem. O conceito prevê a implantação de milhares de drones comerciais, sensores em rede e postos de comando digital que podem detectar e atacar em profundidade.

O paradoxo estratégico
Enquanto a Europa corre para construir suas defesas, a Ucrânia já possui pilotos com centenas de horas de combate real, testando táticas contra a força aérea russa e seu sistema integrado de defesa aérea. F-16s fornecidos à Ucrânia como parte da ajuda militar ocidental agora voam aproximadamente 80% das missões de combate da Força Aérea ucraniana.

Esta experiência é inestimável. Fornecer F-16s à Ucrânia apresenta à OTAN e aos Estados Unidos uma oportunidade única de coletar inteligência sobre a potência de aeronaves e armas aliadas contra equipamentos e táticas russas e iranianas. A guerra na Ucrânia tornou-se, involuntariamente, o maior laboratório de guerra moderna desde 1945.

A afirmação de Stan Zemlyanyy: visão ou realidade?
Quando Stan Zemlyanyy postou no LinkedIn que "nesse ritmo, a Ucrânia pode em breve estar ajudando a proteger o céu da Europa, em vez de a Europa proteger o da Ucrânia", muitos podem ter interpretado como bravata. Os fatos, contudo, sustentam a afirmação.

A Ucrânia possui:

  • Pilotos com experiência de combate real contra ameaças russas modernas
  • Capacidade comprovada de integrar sistemas ocidentais e soviéticos
  • Doutrina operacional testada em batalha para defesa aérea em camadas
  • Taxa de interceptação superior a 90% em múltiplas operações
  • Experiência em operar sob intensa guerra eletrônica

Compare isso com a maioria dos países europeus, cujos pilotos voam principalmente missões de treinamento e patrulha em tempo de paz. Países do flanco oriental com maior potencial continuarão a desenvolver capacidades de ataque de longo alcance como meio de punição convencional, mas a capacidade defensiva continua deficiente.

 

O Centro Europeu de Treinamento F-16
Reconhecendo esta realidade, a Romênia adquiriu 18 F-16 holandeses por apenas um euro cada para dedicá-los ao Centro Europeu de Treinamento F-16 (EFTC). A importância do EFTC só aumenta à medida que Holanda, Dinamarca e Noruega aposentam completamente seus F-16, enquanto Bélgica está em processo de fazê-lo.

O EFTC oferece agora uma capacidade única na Europa, fornecendo um programa completo de treinamento para pilotos de F-16, bem como uma estrutura na qual instrutores e pilotos de diferentes países da OTAN - incluindo a Ucrânia - podem treinar juntos, segundo os mesmos padrões.

Desafios e limitações
Apesar dos sucessos, a situação ucraniana permanece precária. As forças aéreas enfatizaram que mísseis para sistemas de defesa aérea e mísseis ar-ar fornecidos por parceiros não estão chegando nas quantidades necessárias. A escassez de munições é citada repetidamente por pilotos, liderança militar e pelo presidente Zelenskyy.

Além disso, a Ucrânia ainda opera com número limitado de F-16 - cerca de 50 dos 87 prometidos - e sofreu perdas, incluindo pelo menos quatro aeronaves destruídas ou abatidas desde agosto de 2024. A Ucrânia não pode se dar ao luxo de usar seus F-16 como consumíveis.

Implicações para a defesa europeia
A questão central não é se a Ucrânia pode ajudar a proteger os céus europeus, mas quando e sob quais condições. A União Europeia e a OTAN estão desenvolvendo múltiplas iniciativas:

  • Muro europeu de drones: proposto pela presidente da Comissão von der Leyen durante seu discurso de 2025 sobre o Estado da União, busca integrar defesas antidrones ao longo da fronteira oriental.
  • Vigilância do flanco oriental: reforçaria as fronteiras orientais da UE contra ameaças híbridas, cibernéticas, marítimas e convencionais da Rússia e Belarus através da integração de defesa aérea, guerra eletrônica, vigilância e sistemas de segurança marítima.
  • Escudo aéreo europeu: visa criar uma defesa antimísseis integrada continental.
  • Na composição da vigilância e do muro é que seriam inseridas as aeronaves Embraer A-29N Super Tucano, aptas a realizar patrulha aérea de longa duração e, se for necessário, atuar contra drones russos. 

O fator experiência
O que diferencia a proposta ucraniana de uma mera especulação é a experiência operacional. Nenhuma força aérea da OTAN enfrentou combate aéreo de alta intensidade nas últimas décadas. Os pilotos da OTAN são altamente treinados, mas carecem da experiência que apenas o combate real proporciona.

Até o momento na guerra, a Ucrânia abateu mais de 100 aeronaves russas, e a Rússia abateu pelo menos 75 aeronaves ucranianas. Este intercâmbio manteve ambos os lados cautelosos, mas forneceu aos ucranianos conhecimento tático inestimável sobre como operar contra sistemas russos modernos.

O caminho à frente
A transição da Ucrânia de país que recebe proteção para país que fornece proteção não acontecerá da noite para o dia. Requer:

  1. Continuidade do fornecimento de F-16 e munições: sem armas suficientes, mesmo os pilotos mais experientes são ineficazes.
  2. Integração institucional com estruturas de comando da OTAN: a experiência ucraniana precisa ser formalizada e integrada nos sistemas de defesa coletiva.
  3. Sustentação da base industrial: manutenção e suporte logístico são tão críticos quanto as aeronaves em si.
  4. Transferência de conhecimento: a OTAN deveria incorporar pilotos de caça às unidades da Força Aérea ucraniana para auxiliar em debriefings, aprendizado e planejamento de missões.

Um novo paradigma de segurança
A afirmação de Stan Zemlyanyy, longe de ser exagero nacionalista, reflete uma realidade emergente que a Europa precisa confrontar. Após quase três anos de guerra de alta intensidade, a Ucrânia desenvolveu capacidades e expertise em defesa aérea que a maioria dos países europeus simplesmente não possui.

A questão para os formuladores de políticas europeus não é se devem aceitar ajuda ucraniana, mas como institucionalizar e integrar essa experiência antes que seja tarde demais. Com a Rússia demonstrando disposição crescente para testar as defesas da OTAN através de violações de espaço aéreo e guerra híbrida, o tempo para decisões estratégicas está se esgotando.

Como demonstrou o ataque de 23 de dezembro, quando se trata de defender os céus contra mísseis e drones em massa, a Ucrânia pode não estar apenas à altura do desafio - pode estar liderando o caminho.

20 abril, 2024

Os F-16 argentinos podem agilizar a decisão brasileira sobre defesa antiaérea de média altitude


*LRCA Defense Consulting - 20/04/2024

Em 16 de abril, a Argentina assinou um acordo de aquisição, para sua força aérea, de 24 caças-bombardeiros de alto desempenho General Dynamics F-16 Fighting Falcon Block 15 usados, que estavam em operação na Força Aérea Real Dinamarquesa. O Ministério da Defesa da Argentina disse, num comunicado, que os F-16 dinamarqueses, “modernizados e equipados com a melhor tecnologia”, formariam “a espinha dorsal do sistema de defesa aérea da Argentina”.

O F-16 "Viper" (como é conhecido entre os seus pilotos) é um jato de combate multifuncional desenvolvido pelos Estados Unidos e adotado por 26 países em todo o mundo, entre outros. Projetado principalmente para uma variedade de missões, desde ataque ao solo até defesa aérea, a aeronave é conhecida por sua versatilidade e capacidade de operar em diferentes contextos de combate , contando com alta poder de fogo. 

A aeronave tem diversas variantes: os F-16A, F-16C e F-16E são monopostos, enquanto os F-16B, F-16D e F-16F podem acomodar dois tripulantes, facilitando assim missões que exigem um copiloto para gerenciamento de sistemas complexos de armas ou treinamento de voo. Desde o seu primeiro voo, em 02 de fevereiro de 1974, mais de 4.500 unidades foram construídas e atualmente está em serviço em 26 países em todo o mundo.

O F-16 foi projetado com uma configuração de asa alta e uma fuselagem que permite vários pontos rígidos. Ele pode transportar uma carga útil substancial, distribuída por nove pontos externos, incluindo estações sob as asas e fuselagem. Esta configuração permite transportar várias combinações de armamentos e cápsulas para missões específicas, aumentando assim a sua capacidade de cumprir múltiplas funções numa única surtida.

A Block 15, versão produzida em maior quantidade, introduziu novos estabilizadores, 30% maiores, bem como adicionou mais dois pontos de fixação para armamento (5R e 5L), rádios na banda UHF (Have Quick I) mais seguros e melhoria do conforto do piloto otimizando o ar condicionado do cockpit. Na atualização OCU (Operational Capabilities Upgrade programme), para todos os block 15 produzidos após Janeiro de 1988, houve melhoria dos aviônicos e do sistema de controlo de tiro, o radar foi atualizado com uma melhor capacidade de defesa aérea e houve aumento da capacidade estrutural das asas; foi ainda introduzido o motor Pratt & Whitney F100-PW-220E e capacidades para transportar e disparar os mísseis AGM-65 Maverick, AIM-120 AMRAAM (Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile) e o míssil antinavio de origem norueguesa AGM-119 Penguim. O peso máximo de descolagem aumentou para 17.010Kg.

Os F-16 argentinos têm também a atualização MLU, modernização de meia-vida aplicada aos F-16 noruegueses, dinamarqueses, holandeses, belgas e portugueses que os colocaram ao nível dos da versão Block 50 da USAF. Passaram ainda pela atualização "Falcon Up", que capacitou a estrutura da fuselagem para atingir um ciclo de vida de 8 000 horas de voo. As atualizações incluíram um novo computador (MMC - Modular Mission Computer) derivado do que equipa o F-22 Raptor, radar AN/APG-66 atualizado para o padrão AN/APG-66(V)2, integração do míssil AIM-120 AMRAAM e do sistema avançado de interrogação de aeronaves (AIFF), Head up display (HUD) no capacete. Foram designados oficialmente F-16AM e F-16BM.

Equipado com uma ampla gama de mísseis ar-solo e ar-ar, bem como pods de navegação e direcionamento e bombas guiadas, o F-16 é capaz de enfrentar uma infinidade de cenários de missão. Entre seus armamentos notáveis ​​estão os mísseis AGM-65 Maverick e AGM-84 Harpoon, projetados para atingir alvos terrestres e marítimos, respectivamente.

O AGM-65 Maverick é especificamente adaptado para ataques precisos em alvos terrestres, utilizando sistemas de orientação por televisão ou infravermelho. Isto permite que o F-16 atinja com sucesso objetos móveis e fixos com alta eficiência. Por outro lado, o AGM-84 Harpoon é um míssil antinavio que emprega um sistema de orientação por radar ativo para rastrear e destruir embarcações inimigas, reforçando a superioridade marítima das forças aéreas.

Para combates ar-ar, o F-16 está equipado com uma variedade de mísseis, incluindo o AIM-120 AMRAAM, o AIM-7 Sparrow e o AIM-9 Sidewinder. Cada míssil desempenha uma função específica, com o AIM-120 AMRAAM oferecendo maior precisão através de seu sistema de orientação por radar ativo, o AIM-7 Sparrow ideal para combates de médio alcance com sua orientação por radar semiativo, e o AIM-9 Sidewinder perfeito para combate aéreo de curto alcance com orientação infravermelha.

Pods de navegação e mira, como o AN/AAQ-13 e AN/AAQ-14 LANTIRN, fornecem recursos avançados de navegação e mira, permitindo que o F-16 opere efetivamente em condições de pouca luz ou baixa visibilidade. Esses pods são essenciais para ataques terrestres de precisão, fornecendo dados precisos de aquisição de alvos.

Além disso, bombas guiadas como a GBU-31 e a GBU-38 JDAM oferecem notável precisão em ataques ao solo através de orientação por GPS. O F-16 pode lançar essas bombas em alvos específicos com grande precisão, minimizando danos colaterais durante as operações de combate.

F-16AM dinamarquês armado com AMRAAM e uma bomba guiada a laser GBU-12

O F-16 também está armado com uma metralhadora Gatling M61A-1 Vulcan de 20 mm e 511 tiros, projetada para combate aéreo. Capaz de disparar em alta velocidade, esta arma é apta para neutralizar rapidamente ameaças aéreas. Sua capacidade de lançar um grande número de projéteis em um curto espaço de tempo o torna um recurso valioso para combates de curta distância. Empregada pela primeira vez durante a Guerra do Vietnã na década de 1960, esta metralhadora ganhou fama por sua eficácia contra aeronaves MiG inimigas em combate aéreo.

Com uma velocidade máxima de Mach 2.05 (2,05 vezes a velocidade do som ou cerca de 2.531 km/h), autonomia máxima de 4.215 km e teto máximo de 15.239 metros, os F-16 argentinos são uma arma aérea formidável, com capacidades suficientes para modificar o cenário aéreo das forças armadas da maioria dos países da América do Sul.

Defesa antiaérea brasileira: uma situação muito preocupante
Conforme já escrito por esta Consultoria em matéria anterior, em termos de Artilharia Antiaérea, a situação do Brasil é, para dizer o mínimo, muito preocupante, pois as Forças Armadas nacionais não possuem nenhuma arma terrestre ou naval que possa fazer frente a ameaças aéreas que operem em média altitude (entre 3.000 e 15.000 metros) ou mais, o que significa que todo o trabalho teria que ser feito pelos caças Gripen e F5. Apenas como ilustração relativa à América do Sul, os caças Sukhoi 30 e F16 venezuelanos, os F16 chilenos, os recém-adquiridos F16 argentinos e até os IAI Kfir colombianos têm teto de emprego superior a 15.000 metros de altitude. 

Embraer C-390 X Akash SAM
Assim, a informação divulgada recentemente pelo Comandante do Exército Brasileiro, de que Índia e Brasil estão considerando um acordo governo a governo na modalidade quid pro quo (expressão latina que significa "tomar uma coisa por outra"), onde a Índia compraria a aeronave multimissão Embraer C-390 Millennium em troca de o Brasil adquirir algumas baterias do sistema de mísseis antiaéreos Akash SAM, assume uma importância estratégica para o País, pelo menos enquanto a indústria brasileira de defesa não tiver condições de desenvolver uma arma similar. 

Akash SAM
De maneira simplificada, o Akash é um sistema de mísseis superfície-ar (SAM) de curto alcance para proteger áreas e pontos vulneráveis ​​​​de ataques aéreos. O Akash Weapon System (AWS) pode atacar simultaneamente vários alvos no modo de grupo ou no modo autônomo, possuindo recursos integrados de contramedidas eletrônicas (ECCM). Todo o sistema de armas está configurado em plataformas móveis, possibilitando grande flexibilidade operacional. Sua faixa de operação (alcance geral) é de 4,5 km a 25/30 km e a altitude de operação é de 100 m até 20 km. Caso o Brasil opte pelo Akash-NG (New Generation), seu alcance aumentará para 70/80 km.

Em 17 de dezembro de 2023, durante um exercício Astraskati, a Força Aérea Indiana disparou, ao mesmo tempo, quatro mísseis de dois lançadores Akash de uma única unidade de disparo, neutralizando quatro UAVs simultaneamente, usando orientação de comando. Todos os alvos foram detectados e abatidos no alcance máximo de 30 km. Isso marca o sistema Akash como o primeiro sistema do mundo a rastrear e destruir com sucesso quatro alvos usando uma única unidade de disparo sob orientação de comando.

Decisão brasileira
Em virtude do cenário que passará a existir a partir de 2025, quando deverão chegar os novos caças-bombardeiros argentinos, mesmo que considerando os tradicionais laços de amizade que unem os dois países, a análise geopolítica pode recomendar que o Brasil agilize a decisão (tomada muito antes desse fato, por ser fundamentalmente necessária) de adquirir baterias de mísseis antiaéreos de média altitude.

*Com informações de Army Recognition e de outras fontes.
 

29 março, 2024

Após ingressar na OTAN, Suécia considera fornecer caças Gripen para a Ucrânia

O Gripen é um caça multifuncional altamente avançado desenvolvido pela empresa sueca Saab.

*Army Recognition - 29/03/2024


A Suécia abriu-se à possibilidade de fornecer os seus avançados caças Gripen para a Ucrânia. O ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, em entrevista ao "The Kyiv Independent", em 28 de março de 2024, revelou que estão em andamento deliberações sobre a transferência desses caças de última geração para a Ucrânia. Este anúncio surge na sequência da recente introdução da Suécia na OTAN em 7 de março de 2024, que aparentemente facilitou a consideração desta opção pela Suécia.

Os caças, conhecidos pela sua versatilidade, aviônica avançada e desempenho de combate superior, poderiam reforçar significativamente a defesa aérea e as capacidades ofensivas da Ucrânia. O Saab JAS 39 Gripen é um caça multifuncional que se destaca em uma ampla gama de cenários de combate, desde combate ar-ar até missões de ataque de precisão. Seu design enfatiza a manobrabilidade, a capacidade de sobrevivência e a capacidade de operar em pistas de pouso curtas e improvisadas, tornando-o particularmente adequado para as desafiadoras condições de combate na Ucrânia.

Equipado com um sistema de radar de última geração e capaz de transportar uma variedade de armas, incluindo mísseis ar-ar e bombas guiadas com precisão, o Gripen pode atingir alvos a longas distâncias e realizar uma ampla gama de missões. Seus avançados sistemas de guerra eletrônica fornecem proteção significativa contra radares e sistemas de mísseis inimigos, aumentando a capacidade de sobrevivência da aeronave em espaços aéreos contestados.

A contemplação da Suécia em fornecer estes jatos à Ucrânia marca um momento crucial no conflito em curso, proporcionando potencialmente às forças ucranianas uma vantagem aérea significativa. Além disso, o compromisso da Suécia de 30 milhões de euros para a coligação de caças, uma iniciativa aliada que visa fornecer à Ucrânia caças F-16 e treino fabricados nos EUA, sublinha o seu apoio aos esforços de defesa da Ucrânia.

O Ministro da Defesa sueco também destacou a cooperação frutífera entre as indústrias de defesa suecas e ucranianas, particularmente no que diz respeito aos CV90, Veículos blindados de combate de infantaria (IFVs) rastreados, que foram ativamente implantados na Ucrânia. As experiências de combate adquiridas nos campos de batalha ucranianos são inestimáveis, ajudando os fabricantes suecos a refinar e melhorar as capacidades destes veículos blindados.

À medida que a situação evolui, o fornecimento potencial de de aviões de combate Gripen A à Ucrânia representa uma mudança significativa no apoio internacional, prometendo aumentar significativamente as suas capacidades de defesa. Com o histórico da Suécia de produção de tecnologia de defesa de ponta, a adição de jatos Gripen poderá vir a ser uma mudança de jogo no conflito, oferecendo à Ucrânia uma ferramenta formidável para proteger os seus céus e dissuadir agressões.

Dinamarca e Holanda têm intenção de fornecer à Ucrânia 19 e 42 aeronaves F-16, respectivamente.

F-16
Paralelamente à consideração da Suécia de fornecer jatos Gripen à Ucrânia, foram feitos progressos significativos para aumentar as capacidades de combate da força aérea ucraniana com a adição de jatos de combate F-16 dos EUA. Esta iniciativa faz parte de um esforço internacional mais amplo para fornecer à Ucrânia a ajuda militar necessária para se defender no meio do conflito em curso.

Os EUA, juntamente com vários aliados europeus, comprometeram-se a transferir caças F-16 para a Ucrânia, um movimento que representa um aumento substancial no apoio militar. Essas aeronaves são conhecidas por sua versatilidade, sistemas de radar avançados e capacidade de transportar uma ampla gama de armamentos, tornando-as um trunfo formidável em combate ar-ar e missões de ataque ao solo. Prevê-se que a entrega de F-16 à Ucrânia melhore significativamente as capacidades operacionais da Força Aérea Ucraniana, oferecendo-lhe uma vantagem tecnológica e maiores capacidades defensivas e ofensivas.

A aprovação, anunciada em 17 de agosto de 2023, abre caminho para um impulso considerável aos ativos da aviação militar da Ucrânia. A Dinamarca e a Holanda anunciaram a sua intenção de fornecer à Ucrânia 19 e 42 aeronaves F-16, respectivamente. Esta contribuição substancial sublinha o compromisso da comunidade internacional em apoiar a Ucrânia no meio do conflito em curso.

O primeiro lote de 18 F-16 da Holanda foi anunciado em 22 de dezembro, com expectativa de entrega no primeiro semestre de 2024. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, indicou o papel crítico que essas aeronaves desempenhariam no aumento das capacidades da força aérea da Ucrânia. Além disso, a Noruega sinalizou a sua intenção de doar F-16 à Ucrânia, embora o número exato de aeronaves permaneça por revelar neste momento.

Além destes compromissos, a Bélgica também anunciou o seu plano de fornecer à Ucrânia um número não especificado de caças F-16. No entanto, não se espera que estas aeronaves da Bélgica sejam entregues até 2025, indicando um plano de apoio escalonado para o reforço da defesa aérea da Ucrânia.

O Ministro da Defesa dinamarquês afirmou que a Ucrânia deverá receber o primeiro dos seus F-16 no verão de 2024, dependendo do bom progresso das medidas preparatórias. Este cronograma foi repetido em declarações do Ministro da Defesa da Lituânia, Arvydas Anušauskas, e de um funcionário não identificado, sugerindo que os primeiros aviões poderiam chegar já em junho. Embora este momento específico não tenha sido oficialmente confirmado, não foi desmentido por Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea Ucraniana, conferindo-lhe credibilidade.

03 junho, 2023

OGMA, da Embraer, atualiza aeronaves F-16 Block 15 para o mais moderno padrão Block 70 Viper

F-16 Fighting Falcon no equipamento da Romênia. Foto: Comando Aéreo da OTAN

*Defense Romania, por Tudor Curtifan - 01/06/2023

Na semana passada, a DefenseRomania honrou um convite da gigante brasileira Embraer em Portugal por ocasião do evento internacional Embraer Media Day.

A Embraer é uma das maiores fabricantes mundiais de aeronaves civis, militares e privadas. A Embraer fornece serviços aeronáuticos em todo o mundo. A cada 10 segundos um avião produzido pela Embraer decola em algum lugar do mundo. Mais de 80 companhias aéreas em todos os continentes do mundo utilizam os E-Jets da Embraer, os produtos de maior sucesso da Embraer na aviação civil.

Ao mesmo tempo, os brasileiros também cooperam no lado da aviação militar com inúmeros estados, inclusive os membros da OTAN que possuem aeronaves produzidas pela gigante brasileira, como Portugal, Holanda, Hungria, etc.

Durante a visita a Portugal, a DefenseRomania teve a oportunidade de visitar as fábricas da empresa OGMA (Industria Aeronautica de Portugal), pertencente ao Grupo Embraer.

A OGMA não só moderniza aeronaves e produz componentes, incluindo a fuselagem da "estrela" Embraer C-390 Millennium, como também realiza a manutenção em inúmeras aeronaves militares como o C-130 Hercules, do Exército dos EUA e de outros países aliados, bem como de vários tipos: P-3 Orion, EMB 145 AEW&C, F-16, C295, AW101, EMB 314 ou Super Tucano.

Embraer C-390 Millennium

Claro que a OGMA também faz a manutenção de uma vasta gama de aeronaves civis.

O primeiro esquadrão de F-16 Fighting Falcon da Romênia, composto por 17 aviões adquiridos a Portugal, também foi modernizada na OGMA.

O plano é que a futura modernização da aeronave seja feita na Romênia no Aerostar Bacău (congênere da OGMA). As 17 aeronaves adquiridas de Portugal voaram pouco, quando chegaram ao país após a modernização efetuada na OGMA, tendo um recurso a cerca de meio do seu ciclo de vida.

Durante a visita à fábrica da OGMA, representantes da empresa confirmaram à DefenseRomania que atualmente três aeronaves F-16 Fighting Falcon MLU Block 15 estão em processo de transformação completa e modernização para a versão mais moderna do Block 70 Viper. Os aviões pertencem à Força Aérea Portuguesa. Durante nossa visita, um dos aviões estava sendo trabalhado intensamente.

Por motivos de segurança fáceis de entender, infelizmente, imagens de fotos ou vídeos foram estritamente proibidas.

O que os representantes da OGMA nos confirmaram é que o processo é extremamente complexo e vai mudar radicalmente a aeronave. Toda a atualização das 3 aeronaves para a versão mais moderna do Block 70 Viper levará nada menos que 3 anos.

Portugal ainda tem 27 F-16 depois de 17 terem sido vendidos para a Romênia.

F-16 Fighting Falcon no equipamento da Romênia. Foto: Força Aérea Romena

Além das 17 aeronaves F-16 de Portugal, a Romênia comprou recentemente outras 32 aeronaves F-16 da Noruega. As 32 aeronaves Norwegian F-16 AM/BM estão na configuração M6.5.2, e o contrato também inclui motores sobressalentes e apoio logístico.

A aeronave tem aproximadamente 10 anos restantes de serviço e garantirá a transição para o F-35 Lightning II da geração V.

Mas no contexto em que, por razões financeiras, não esperamos uma grande compra de F-35, uma frota mista após 2035 composta por F-35 e F-16 não pode ser excluída. E a decisão portuguesa de modernização na OGMA de alguns F-16 de versões mais antigas para novas pode ser uma solução também para a Romênia.

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