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03 agosto, 2024

Akash-BrahMos-Scorpene: a crescente cooperação de defesa Índia-Brasil


*Financial Express - 03/08/2024

A Índia e o Brasil estão prontos para aprofundar sua cooperação militar com as próximas visitas de duas delegações de alto nível. O Comandante da Marinha do Brasil e o Comandante das Forças Armadas, juntamente com altos oficiais, estão programados para visitar a Índia em breve (agosto-set, 2024).

“Essas visitas são significativas, pois visam finalizar um Memorando de Entendimento (MoU) sobre a manutenção dos submarinos `Scorpene' no Brasil, uma área de foco principal das negociações bilaterais”, disse um diplomata de alto escalão ao FinancialExpress.com. Essa colaboração ressalta a crescente parceria entre as duas nações, refletindo um compromisso mútuo para aprimorar as capacidades de defesa e alcançar a autossuficiência em áreas críticas. “As discussões também explorarão potenciais aquisições de aeronaves militares e novas tecnologias de defesa, destacando a natureza multifacetada desse relacionamento em evolução”, disse o diplomata citado acima.

Manutenção e autossuficiência de submarinos

Uma das principais áreas de cooperação entre a Índia e o Brasil gira em torno da manutenção dos submarinos `Scorpene'. Como parte de um esforço ambicioso para atingir a autossuficiência na produção de defesa, a Índia tem trabalhado para indigenizar as capacidades de manutenção de submarinos. Esta iniciativa visa permitir que a Índia execute tarefas essenciais, reparos e atualizações localmente, reduzindo assim a dependência de tecnologia e expertise estrangeiras.

O FinancialExpress.com relatou anteriormente que durante uma visita recente de uma delegação brasileira, liderada pelo Comandante da Marinha do Brasil e pelo Comandante das Forças Armadas, as discussões com o Vice-Almirante Sandeep Naithani, Chefe de Material, se concentraram neste mesmo objetivo. A valiosa expertise do Brasil em assuntos navais, particularmente em manutenção de submarinos, fornece uma oportunidade única para a Índia acelerar seu progresso neste domínio. Ao compartilhar conhecimento e melhores práticas, os dois países podem reforçar sua preparação naval, contribuindo para a segurança regional no Oceano Índico e além.

Interesse da Força Aérea Indiana no C-390 da Embraer
Outro aspecto significativo dos crescentes laços militares Índia-Brasil é a potencial aquisição da aeronave C-390 da Embraer pela Força Aérea Indiana (IAF). O fabricante brasileiro de aeronaves propôs o C-390 como candidato para o requisito de Aeronave de Transporte Médio (MTA) da Índia, que inclui até 80 aeronaves. O C-390 é uma plataforma versátil capaz de cumprir várias funções, incluindo transporte militar e reabastecimento aéreo.

A parceria da Embraer com a Mahindra Aerospace acrescenta outra camada de colaboração potencial. A proposta inclui não apenas a fabricação do C-390 na Índia, mas também a possibilidade de produzir o jato comercial regional da série E2 domesticamente. Esta iniciativa se alinha com o programa ' Make in India ' da Índia, enfatizando a produção doméstica e o avanço tecnológico no setor aeroespacial.

Cooperação Histórica e Contínua
O relacionamento de defesa Índia-Brasil vem crescendo constantemente ao longo dos anos. Em 2022, uma visita histórica de uma delegação da Marinha do Brasil, liderada pelo Vice-Almirante Liberal Enio Zanelatto, marcou um momento significativo nessa parceria. A delegação visitou o Comando Naval Ocidental e a Mazagon Dock Shipbuilders Limited (MDL) em Mumbai, onde observaram a construção dos submarinos da classe 'Scorpene'. Eles também inspecionaram um submarino da classe Kalvari (Scorpene) da Marinha Indiana, aprofundando ainda mais sua compreensão das capacidades navais da Índia.

Essas visitas facilitaram discussões sobre vários tópicos, incluindo tecnologia submarina, cooperação em defesa e segurança, e os interesses marítimos compartilhados de ambas as nações. O interesse da Marinha do Brasil em colaborar com a Índia para a manutenção de seus submarinos da classe Scorpene destaca os benefícios mútuos dessa parceria. Além disso, as discussões também se estenderam à potencial construção de fragatas para a Marinha do Brasil, com a Índia sendo pré-selecionada como candidata para esse projeto.

Expansão da cooperação em equipamentos de defesa
Além de submarinos e aeronaves, os dois países estão explorando outras áreas de cooperação em defesa. O Exército Brasileiro manifestou interesse no Akash Missile da Índia, um sistema de mísseis terra-ar desenvolvido pela Bharat Electronics Limited (BEL). Embora nenhuma decisão formal tenha sido anunciada, o estabelecimento de um escritório da BEL em São Paulo significa um passo em direção a uma maior colaboração em defesa. Embora este escritório seja para fins de marketing, ele estabelece as bases para compromissos futuros.

Além disso, a próxima visita da delegação brasileira à Índia incluirá reuniões com autoridades da BrahMos Aerospace. Esse envolvimento sugere potenciais discussões em torno do míssil BrahMos, míssil de cruzeiro supersônico desenvolvido em conjunto pela Índia e pela Rússia.

“Tais reuniões podem abrir caminho para futuras aquisições ou colaborações em tecnologia de mísseis, aprimorando ainda mais a parceria estratégica entre os dois países”, disse o diplomata.

Conclusão
A crescente cooperação militar entre a Índia e o Brasil é uma prova de seu comprometimento compartilhado em aprimorar as capacidades de defesa e alcançar a autossuficiência. Da manutenção de submarinos e aquisição de aeronaves a potenciais colaborações de mísseis, a parceria abrange uma ampla gama de tecnologias e estratégias de defesa. À medida que ambas as nações continuam a se envolver em discussões e trocas de alto nível, a importância de sua cooperação se estende além dos laços bilaterais. Ela contribui para a estabilidade regional e ressalta a importância da colaboração internacional no enfrentamento de desafios comuns de defesa. O futuro das relações de defesa Índia-Brasil parece promissor, com ambos os países prontos para se beneficiar de sua parceria cada vez mais profunda.
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BrahMos encontra atenção global com delegação brasileira prestes a visitar a Índia

*Businessline, por Dalip Singh - 03/08/2024

Uma delegação brasileira deve visitar a Índia neste mês para deliberações sobre o míssil de cruzeiro supersônico BrahMos. Vários países expressaram seu interesse no míssil, já que os conflitos globais em andamento ressaltam a crescente importância dos sistemas de defesa aérea.

A visita é o resultado de anos de interações nos bastidores que o governo brasileiro e seus militares têm tido sobre o BrahMos, um produto de uma joint venture indo-russa, desde 2009.

A visita da delegação ocorre após o Comandante do Exército Brasileiro, General Tomas Miguel Mine Ribeiro Paiva, testemunhar uma plataforma de armas indígena disparando nos estandes de tiro do campo de Pokhran em agosto de 2023. Ele também se encontrou com altos escalões militares na Índia para fortalecer os laços bilaterais de defesa. Antes disso, uma delegação indiana com vários representantes da indústria foi ao Rio para explorar mais cooperação industrial e oportunidades de negócios.

Autoridades do governo disseram que leva tempo para acordos de defesa amadurecerem. Fontes do governo também declararam que, além dos mísseis de cruzeiro BrahMos, o Brasil também demonstrou interesse nos sistemas de mísseis Akash, que a Índia exportou recentemente para a Armênia em um acordo no valor de ₹6.000 crore.

Fontes disseram que não apenas o Brasil, Malásia, Indonésia, Cuba e Vietnã também expressaram interesse no BrahMos, que atraiu atenção global depois que a Índia assinou contrato com as Filipinas em 2022 e entregou o primeiro lote de mísseis supersônicos em 19 de abril de 2024.

O acordo de US$ 375 milhões é para três baterias de uma variante antinavio baseada em terra do míssil BrahMos com o qual as Filipinas se equiparam para enfrentar os desafios de uma China ofensiva. Ultimamente, as Filipinas e a China tiveram um confronto no Mar da China Meridional.

A Malásia também está interessada na variante de lançamento aéreo dos mísseis BrahMos, que poderia ser integrada com suas aeronaves de caça para estender as capacidades de disparo. O Vietnã está interessado em uma variante antinavio baseada em terra dos BrahMos, como as Filipinas, para conter a agressão chinesa.

Na quinta-feira, a Índia concedeu duas Linhas de Crédito (LoC) totalizando US$ 300 milhões ao Vietnã para reforçar a segurança marítima do país.

A BrahMos Aerospace também está mirando outros países do Sudeste Asiático em busca de exportações. O Ministro da Defesa Rajnath Singh disse há mais de um mês que a Índia estabeleceu uma meta de mais de ₹50.000 crore em exportações de armas até o AF29, depois que os números de exportação atingiram um recorde de Rs 21.083 crore no AF24.


 

10 março, 2024

Brasil pode estar próximo de adquirir um sistema de artilharia antiaérea de média altitude. Embraer no negócio?


*LRCA Defense Consulting - 10/03/2024

Em termos de Artilharia Antiaérea, a situação do Brasil é, para dizer o mínimo, muito preocupante, pois as Forças Armadas não possuem nenhuma arma terrestre ou naval que possa fazer frente a ameaças aéreas que operem em média altitude (entre 3.000 e 15.000 metros) ou mais, o que significa que todo o trabalho teria que ser feito pelos caças Gripen e F5. Apenas como ilustração, os caças Sukhoi 30 e F16 A/B venezuelanos, assim como os F16 chilenos (e, talvez, os futuros F16 argentinos) e até os IAI Kfir colombianos têm teto de emprego superior a 15.000 metros de altitude.

Evidentemente, as preocupações nesse sentido não são novas e já houve delegações do Exército visitando diversos países e fabricantes à procura de sistemas antiaéreos de média altitude. Suécia, em 2019, e Índia e China, em 2023, são apenas três exemplos.

Felizmente, uma parcela dessa lacuna em nossa defesa antiaérea poderá mudar em breve, caso as negociações em curso evoluam positivamente.

Índia: a hipótese mais promissora
Dos três países citados, acredita-se que seja com a Índia que o Brasil tenha maiores chances de fazer negócio.

Em fevereiro de 2023, a Embraer apresentou o C-390 como sua oferta para os requisitos de aeronaves de transporte médio (MTA) da Força Aérea Indiana (IAF) para uma aquisição entre 40 e 80 aeronaves. O C-390 é uma moderníssima plataforma multitarefa que atende plenamente os requisitos estabelecidos pela Índia para o MTA; além disso, pode desempenhar o papel de um avião-tanque de reabastecimento militar. Na época, a imprensa indiana especulou que a Embraer teria se oferecido para construir a aeronave completamente na Índia, podendo ainda construir os jatos da série E2 nesse país, caso a IAF viesse a adquirir o C-390.

Arte: Air Data News

Do final de agosto ao início de setembro de 2023, o Comandante do Exército Brasileiro, General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, acompanhado por uma delegação oficial, esteve em visita de seis dias à Índia, naquela que foi a primeira vez que um Comandante do Exército Brasileiro viajou a esse país. Esta visita antecedeu a Cúpula do G20 onde o Presidente do Brasil participou e assumiu cerimonialmente a presidência do G20.

O General Tomás se encontrou com o chefe do Estado-Maior da Defesa da Índia, General Anil Chauhan, e com o secretário da Defesa. A comitiva brasileira também visitou os campos de tiro de Pokhran e testemunhou uma série de sistemas indianos em operação, que supostamente levaram ao interesse do Brasil pelo sistema AKASH SAM (Surface to Air Missile), projetado e desenvolvido de forma autóctone pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO) e fabricado pela Bharat Electronics Limited (BEL) e pela Bharat Dynamics Limited (BDL).

A comitiva também demonstrou interesse pela plataforma WhAP Armored (Wheeled Armored Protection - plataforma blindada anfíbia sobre rodas 8x8 para transporte de pessoal e outras missões), desenvolvida em conjunto com a DRDO e fabricado pela Tata Advanced Systems Limited. 

De maneira simplificada, o AKASH é um sistema de mísseis superfície-ar de curto alcance para proteger áreas e pontos vulneráveis ​​​​de ataques aéreos. O Akash Weapon System (AWS) pode atacar simultaneamente vários alvos no modo de grupo ou no modo autônomo e possui recursos integrados de contra-medidas eletrônicas (ECCM). Todo o sistema de armas foi configurado em plataformas móveis. Sua faixa de operação é de 4,5 km a 25 km e a altitude de operação é de 100m até 20km.

A WhAP 8x8 (Plataforma Anfíbia Blindada com Rodas) possui várias variantes, como viatura blindada de combate, viatura CBRN (química, biológica, radiológica e nuclear), viatura de reconhecimento e suporte, viatura de evacuação médica, viatura de engenharia, viatura porta-morteiro, viatura de comando e viatura de mísseis guiados anti-tanque.

A delegação visitou ainda as instalações da Hindustan Aeronautics em Bengaluru e manteve discussões sobre a construção de cadeias de abastecimento comuns e produção complementar que podem ajudar ambas as nações a evitar futuros embargos comerciais.

Dessa visita, supõe-se que Índia e o Brasil poderiam estar considerando um acordo quid pro quo, onde a Índia compraria o C-390 em troca de o Brasil adquirir o sistema de mísseis antiaéreos AKASH SAM e/ou a plataforma WhAP 8x8 e/ou até mesmo helicópteros indianos.

Em 29/09/2023, os portais indianos de notícias Indian Defence Research Wing e Republic World divulgaram que o Chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, General Fernando José Santana Soares e Silva, teria revelado que o Brasil estaria interessado em adquirir o sistema de defesa aérea de média altitude AKASH desenvolvido e produzido na Índia. No entanto, esse interesse estaria acompanhado de uma proposta única: um acordo de permuta, onde o Brasil estaria disposto a adquirir o sistema se a Índia concordasse em comprar aeronaves da Embraer.

Os portais destacaram que esta proposta manifestaria a vontade do Brasil de explorar colaborações de defesa mutuamente benéficas com a Índia, aproveitando a sua vasta experiência na fabricação de aeronaves, particularmente com a Embraer. O potencial intercâmbio poderia melhorar as capacidades de defesa de ambos os países, ao mesmo tempo que promoveria laços bilaterais mais fortes.

Vale voltar a lembrar aqui que o Exército Brasileiro até o momento não opera nenhum sistema SAM de média altitude e, caso o Brasil compre o AKASH, ele facilmente se tornará a joia da coroa para as unidades de defesa antiaérea brasileiras. Pelo menos, até que o Brasil adquira ou desenvolva um sistema de médio/longo alcance e/ou de alta altitude.

Nova comitiva militar brasileira na Índia
Em Portaria de 21 de fevereiro último, o Comandante do Exército designou quatro militares para participar do "Intercâmbio Multidisciplinar de Cooperação na Área de Produtos de Defesa, entre o Exército Brasileiro e Empresas da Base Industrial de Defesa da República da Índia, nas cidades de Nova Delhi, Bengaluru, Hyderabad, Pune e Agra, na República da Índia, no período de 14 a 26 de março de 2024".

São eles:
- General de Brigada Marcelo Rocha Lima, do Estado-Maior do Exército (EME), Chefe do Escritório de Projetos do Exército;
- Coronel R/1 de Artilharia Márcio Faccin de Alencar, do EME: Especialista em Artilharia Antiaérea pela Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea e ex-comandante do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea; em 2019, realizou visita técnica à Saab, fabricante do sistema de defesa aérea de média altura BAMSE, na cidade de Karlskoga, Suécia.
- Coronel R/1 de Artilharia Cezar Carriel Benetti, do Comando da Artilharia Divisionária da 5ª Divisão de Exército; especialista em Diplomacia e Relações Internacionais;
- Capitão de Infantaria Maicon Sousa Ávila Oviedo, do Centro de Instrução de Blindados, especialista na Viatura Blindada de Transporte de Pessoal M113 e na Viatura Blindada Especial Posto de Comando M577 A2.

O caráter eminentemente técnico da comitiva - caracterizado pela presença do Chefe do Escritório de Projetos do EB, de dois coronéis especialistas em Artilharia, sendo um em Antiaérea e outro em Relações Internacionais, e de um Capitão especialista em blindados de transporte de pessoal, todos em visita a "Empresas da Base Industrial de Defesa" da Índia - tende a indicar que o Exército, após um primeiro e vivo interesse demonstrado por seu Comandante, pretende aprofundar as negociações sobre o sistema de artilharia antiaérea de média altitude AKASH e, também, sobre a plataforma de viaturas blindadas anfíbias 8x8 WhAP Armored.

Caso o Brasil adquira o sistema AKASH, irá se tornar o segundo país do mundo a fazê-lo, haja vista que a Armênia receberá, nos próximos meses, a primeira leva exportada pela Índia, fato que marcará um novo e importante capítulo nas exportações de defesa do país asiático. 

Indubitavelmente, a aquisição do sistema AKASH por um país do tamanho e da importância geopolítica do Brasil seria fundamental para a Índia firmar seu produto no mercado mundial de defesa, o que poderá levá-la a um grande esforço nesse sentido. Isso sem contar com o surpreendente interesse brasileiro pela plataforma de viaturas blindadas 8x8 WhAP Armored.

Kestrel WhAP Armored (Wheeled Armored Protection - plataforma blindada anfíbia sobre rodas 8x8 para transporte de pessoal e diversas outras missões)

O veículo 8×8 tem tripulação de duas pessoas e acomodações para até 10 soldados. É capaz de viajar a uma velocidade de 105 km/h em estrada e mantém alta mobilidade cross-country, com suspensões independentes e tração nas oito rodas.

E a Embraer?
O aumento do interesse do Exército Brasileiro nos sistemas indianos, além de poder fechar parcialmente a grande lacuna na defesa antiaérea brasileira de média altitude (caso o negócio seja concretizado), pode também assumir um significado bem mais amplo caso a aquisição do C-390 da Embraer pela Força Aérea Indiana esteja realmente no bojo das negociações.

É esperar para ver...




29 setembro, 2023

Proposta do Brasil à Índia: permuta do sistema de defesa aérea Akash por aviões da Embraer?

Sistema de defesa aérea de média altitude Akash

*LRCA Defense Consulting - 29/09/2023 (atualizado às 10h30)

Conforme publicaram hoje os portais indianos de notícias Indian Defence Research Wing (IDRW) e Republic World, o Chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, General Fernando José Santana Soares e Silva, revelou que o Brasil está interessado em adquirir o sistema de defesa aérea de média altitude Akash desenvolvido e produzido na Índia. No entanto, esse interesse vem acompanhado de uma proposta única: um acordo de permuta. O Brasil está disposto a adquirir o sistema se a Índia concordar em comprar aeronaves Embraer do Brasil.

As fontes prosseguem informando que aeronave específica da Embraer em questão não foi especificada, mas está alinhada com os planos de aquisição em andamento da Índia. 

A Força Aérea Indiana (IAF) busca atualmente adquirir 40 Aeronaves de Transporte Médio (MTA), e a Embraer ofereceu sua Aeronave de Transporte de Médio Curso C-390M para esse fim.

Além disso, a IAF está explorando opções para adquirir seis aeronaves EMB-145 para sua frota do Sistema de Alerta e Controle Aerotransportado Netra Mk1/A (AEW&C). Embora a produção da série EMB-145 tenha sido interrompida em 2020, ainda existe um número significativo dessas aeronaves disponíveis no mercado comercial, com cerca de 700 unidades produzidas e quase 500 em operação. A IAF está considerando adquirir aeronaves usadas para conversão em plataformas AWACS, embora haja informações de que a Embraer teria oferecido à Índia sua moderníssima aeronave Praetor 600 AEW&C.

Os portais, por fim, destacam que esta proposta manifesta a vontade do Brasil de explorar colaborações de defesa mutuamente benéficas com a Índia, aproveitando a sua vasta experiência na fabricação de aeronaves, particularmente com a Embraer. O potencial intercâmbio poderia melhorar as capacidades de defesa de ambos os países, ao mesmo tempo que promoveria laços bilaterais mais fortes.

Saiba mais:
- A ambiciosa modernização da Defesa do Brasil: forjando colaboração estratégica com a Índia para mísseis Akash e sistemas avançados de artilharia

- Embraer Praetor 600 AEW&C: solução moderna, completa e eficaz para a Índia operar vigilância e alerta antecipado

- Índia planeja comprar mais 6 aviões de vigilância Netra-I, baseados no Embraer ERJ-145

- Presidente e CEO da Embraer afirma que parceria Brasil-Índia é promissora e o C-390 Millennium será um divisor de águas para a Índia

- Embraer está em negociações com Tata e M&M para parceria de fabricação na Índia

31 agosto, 2023

A ambiciosa modernização da Defesa do Brasil: forjando colaboração estratégica com a Índia para mísseis Akash e sistemas avançados de artilharia


*Financial Express, por Huma Siddiqui - 31/08/2023

A busca do Brasil por capacidades militares avançadas deu uma guinada significativa à medida que o país vislumbra uma potencial aquisição de armamento de ponta da Índia. O Comandante do Exército Brasileiro, General Tomas Miguel Mine Ribeiro Paiva, realizou nesta quinta-feira uma visita estratégica às instalações da Bharat Electronics Ltd (BEL) em Bangalore. Esta visita ressaltou o grande interesse do Brasil em adquirir os sistemas de mísseis terra-ar Akash de última geração, fabricados pela BEL e pela Bharat Dynamics Ltd.

Altos oficiais do exército brasileiro tiveram reuniões com os CMDs da BEL e BDL no início deste ano na LAAD DefExpo no Rio, Brasil.

O Comandante do Exército Brasileiro, General Tomas Miguel Mine Ribeiro Paiva, em visita pela primeira vez, observou uma impressionante demonstração de poder de fogo do Exército Indiano em Pokhran, no Rajastão. Ele demonstrou grande interesse em armas e equipamentos fabricados na Índia, apoiando a iniciativa de autossuficiência. Um exercício de armas combinadas foi realizado envolvendo várias unidades como veículos blindados, infantaria, artilharia, defesa aérea e meios de aviação no campo de tiro de Pokhran.

Esta colaboração entre o Brasil e a Índia marca um passo notável no reforço das capacidades de defesa do Brasil. Fontes diplomáticas confirmaram ao Financial Express Online que esta visita decorre das aspirações do Brasil de reforçar a sua infra-estrutura de defesa. O sistema de mísseis Akash, conhecido por seu desempenho excepcional em diversas altitudes, está na vanguarda dos planos de aquisição do Brasil.

Contudo, os interesses da delegação brasileira não se limitam ao sistema de mísseis Akash. As principais fontes diplomáticas citadas acima revelaram que a delegação também está explorando a aquisição de canhões Howitzer de 155 mm. Duas empresas indianas, incluindo a Bharat Forge, já responderam à Solicitação de Propostas (RfP) do Brasil, indicando um envolvimento promissor na perspectiva.

As ambições do Brasil estendem-se também ao desenvolvimento de um sistema de artilharia autopropulsada sobre rodas. No início deste mês, o Brasil emitiu uma Solicitação de Propostas (RfP) e uma Solicitação de Licitação (RFT) para um sistema de artilharia autopropelida sobre rodas de 155 mm.

Sobre a RfP
O Brasil divulgou recentemente uma solicitação formal de propostas para aquisição de um sistema de artilharia autopropelida sobre rodas de 155 mm. Isto marca um passo significativo à medida que procuram substituir uma parte dos seus obuseiros M114A1 existentes. O Comando Logístico, representado pela Comissão do Exército Brasileiro em Washington, emitiu este documento. O objetivo é adquirir alguns veículos iniciais para avaliação, seguidos de mais 34 sistemas para equipar grupos de artilharia de campanha. Os requisitos incluem um chassi de caminhão de alta mobilidade, capaz de transportar até seis tripulantes e armamentos diversos. O alcance desejado para disparar esses projéteis é de até 40 quilômetros.

Este projeto é um componente-chave da estratégia global do Brasil para modernizar suas capacidades militares. O esforço também inclui a aquisição de veículos iniciais para avaliação, seguida pela aquisição de sistemas adicionais para implantação em grupos de artilharia de campanha.

Os requisitos para o sistema de artilharia autopropelida sobre rodas são rigorosos, abrangendo alta mobilidade, opções de chassis robustos e capacidade de atingir alvos a até 40 quilômetros de distância. De acordo com informações disponíveis de domínio público até o momento, a israelense Elbit Systems, a francesa Nexter Systems e a empresa de defesa local Avibras Indústria Aeroespacial responderam à RfP.

Sobre o sistema de mísseis Akash

A pedra angular do futuro quadro de defesa do Brasil reside na colaboração com a Índia, como demonstrado pelo interesse no sistema de mísseis Akash. Este sistema de armas de defesa aérea indígena foi projetado para neutralizar ameaças provenientes de diversas altitudes e condições climáticas. Além disso, a compatibilidade do sistema com veículos de alta mobilidade aumenta a sua flexibilidade tática.

A colaboração entre a Bharat Electronics Limited (BEL) e a Bharat Dynamics Limited (BDL) produziu uma sinergia notável na produção do sistema de mísseis Akash. Com a habilidade eletrônica da BEL e as capacidades de integração da BDL, este esforço conjunto está preparado para remodelar o cenário de defesa do Brasil.

Engajamentos de defesa de alto nível
À medida que as duas nações exploram sinergias no setor da Defesa, embarcaram em compromissos diplomáticos de alto nível. Delegações lideradas por Anurag Bajpai, Secretário Adjunto da Índia, colaboraram com seus homólogos brasileiros para identificar áreas de cooperação estratégica. Tais esforços sublinham o âmbito mais amplo da colaboração entre a Índia e o Brasil, transcendendo as aquisições militares imediatas.

Em essência, o alcance estratégico do Brasil à Índia para recursos de Defesa avançados mostra a crescente parceria entre as duas nações. Ao adotar plataformas “Made in India”, o Brasil sinaliza o seu compromisso de melhorar as suas capacidades de defesa através de tecnologia de ponta.

 

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