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15 maio, 2026

Satélite brasileiro passa em teste crítico e avança rumo à soberania espacial do país

SatVHR supera simulação de lançamento no LIT do INPE e consolida o maior projeto de subvenção da história da Finep, em momento em que o Brasil debate sua dependência de satélites estrangeiros 

 

*LRCA Defense Consulting - 15/05/2026

O Satélite de Pequeno Porte de Altíssima Resolução, batizado de SatVHR, passou com folga por um dos testes mais rigorosos de seu desenvolvimento: a simulação das vibrações extremas que ocorrem durante o lançamento de um foguete. A notícia, divulgada pela Visiona Tecnologia Espacial na última terça-feira, representa um passo decisivo para que o Brasil coloque, pela primeira vez, em órbita um satélite óptico de observação da Terra de altíssima resolução integralmente projetado em solo nacional.

O que é o SatVHR e por que o teste importa
O SatVHR foi concebido para capturar imagens detalhadas de grandes áreas do território com resolução sub-métrica de 0,75 metro. Em linguagem prática, isso significa que, a partir do espaço, o satélite conseguirá distinguir objetos com menos de um metro de tamanho na superfície terrestre. Essa capacidade abre portas para aplicações que vão da defesa e da vigilância de fronteiras ao monitoramento ambiental da Amazônia, passando pelo ordenamento territorial, a proteção de terras indígenas e o suporte ao agronegócio.

O teste superado agora, chamado de teste de vibração, submete o modelo estrutural e térmico do satélite a cargas mecânicas ainda mais severas do que as previstas no lançamento real. O procedimento foi realizado no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, considerado o principal laboratório espacial da América Latina.

"O objetivo aqui é simples: ter certeza de que o satélite vai resistir ao momento mais crítico da missão, a decolagem, sem sofrer danos ou deformações que comprometam seu funcionamento. É um teste muito duro em que submetemos o satélite a cargas ainda mais severas do que as que ele enfrentará no lançamento", afirmou Himilcon Carvalho, diretor de Tecnologia Espacial da Visiona.

A preocupação tem razão de ser: mesmo pequenas deformações estruturais podem desalinhar sensores de orientação e o sistema óptico da câmera, comprometendo de forma irreversível a missão. Com o teste concluído com sucesso e boa margem de segurança, a equipe ganhou a confiança necessária para avançar às próximas etapas do projeto.

"O satélite SatVHR requer extrema precisão para funcionar. O sucesso neste teste tão crítico nos dá confiança de que estamos na direção certa", disse João Paulo Rodrigues Campos, presidente e CEO da Visiona.

Um projeto de envergadura nacional
O SatVHR é muito mais do que um produto de uma única empresa. O projeto é liderado pela Visiona, joint-venture entre a Embraer Defesa & Segurança e a Telebras, criada em 2012 para atender aos objetivos do Programa Espacial Brasileiro. O desenvolvimento reúne um consórcio amplo: as empresas Equatorial Sistemas, Fibraforte, Kryptus, OPTO Space & Defense e Orbital Engenharia participam como coexecutoras, ao lado de instituições de pesquisa como o próprio INPE, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto SENAI de Inovação, a AEL Sistemas e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O contrato foi assinado em maio de 2023 com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e prevê investimento total de R$ 219 milhões em subvenção econômica do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Trata-se do maior projeto de subvenção econômica já concedido pela Finep em sua história. O resultado esperado é também inédito: o SatVHR deverá ser o satélite com maior índice de conteúdo nacional já desenvolvido no país.

O reconhecimento externo já veio. Em março de 2026, a Visiona recebeu, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o Prêmio Finep de Inovação 2025, na categoria Tecnologias de Interesse para a Soberania e a Defesa Nacionais. A cerimônia contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do presidente da Finep, Luiz Antônio Elias.

Uma trajetória de aprendizado acumulado
O SatVHR não nasce do zero. Ele é o ponto de chegada de uma trajetória de acúmulo tecnológico que a Visiona vem construindo nos últimos anos. Em 2017, a empresa foi responsável pelo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), voltado a comunicações militares e banda larga. Em abril de 2023, lançou o VCUB1, o primeiro nanossatélite de observação da Terra e coleta de dados desenvolvido por uma empresa privada brasileira.

O VCUB1 operou por quase dois anos em órbita e encerrou sua missão em fevereiro de 2025, ao reentrar na atmosfera conforme planejado. O satélite serviu como banco de testes para tecnologias de navegação, gestão de bordo e comunicação que não podiam ser verificadas integralmente em laboratório. Segundo o diretor de Tecnologia da Visiona, Himilcon Carvalho, essas soluções agora migrarão para o SatVHR.

O Brasil espacial: potencial imenso, investimento modesto, dependência externa
A importância do SatVHR precisa ser lida em um contexto mais amplo: o Brasil é uma das maiores economias do planeta, ocupa posição singular na geopolítica por seu tamanho continental, sua biodiversidade e seus recursos naturais, mas permanece entre os países do G20 que menos investem no setor espacial.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que, em 2023, o Brasil destinou apenas US$ 47 milhões em recursos públicos ao setor espacial, o equivalente a 0,002% do PIB. O valor coloca o país à frente apenas do México entre as 20 maiores economias do mundo e é cerca de 30 vezes menor do que a média do grupo. Para comparação, os Estados Unidos investiram US$ 73,2 bilhões (0,264% do PIB) no mesmo ano; a China, entre US$ 14 e 18 bilhões; Índia e Rússia, entre US$ 1,5 e 2,5 bilhões.

Atualmente o Brasil opera apenas 24 satélites entre os mais de 13 mil em órbita ao redor da Terra. A dependência de infraestrutura estrangeira é concreta: um levantamento do Programa Espacial Brasileiro (PEB) aponta que só o Poder Executivo federal demanda, anualmente, R$ 860 milhões em serviços espaciais contratados de terceiros. Entre 2013 e 2023, o orçamento da Agência Espacial Brasileira (AEB) foi reduzido em 68%.

"A indústria espacial brasileira pode ser protagonista global, assim como a respeitada indústria aeronáutica. Atualmente dependemos de satélites estrangeiros para atender a necessidades básicas da sociedade brasileira. Temos que mitigar essa vulnerabilidade que ameaça nossa soberania", alerta Julio Shidara, presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB).

Soberania como prioridade de Estado
Diante desse diagnóstico, iniciativas como o SatVHR ganham significado estratégico que vai além da engenharia. Dominar a produção de satélites de observação em alta resolução significa, na prática, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros para dados sobre o próprio território nacional, em áreas sensíveis que incluem defesa, monitoramento ambiental, controle de fronteiras e gestão de recursos naturais.

Analistas do setor apontam que a experiência acumulada em projetos nacionais como o SatVHR cria um ecossistema industrial e científico que transcende o equipamento em si. Ela forma engenheiros especializados, fortalece fornecedores locais, gera propriedade intelectual e cria base para projetos futuros, inclusive comerciais.

O governo federal, por sua vez, incluiu o setor aeroespacial na Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). A missão 6 da NIB prevê aportes de cerca de R$ 113 bilhões para ampliar o domínio brasileiro em radares, satélites e foguetes, com meta de alcançar até 55% de domínio das tecnologias críticas de defesa até 2026 e 75% até 2033.

Em paralelo, o Microlançador Brasileiro (MLBR) está em desenvolvimento com investimento de R$ 189 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). Com cerca de 12 metros de altura e capacidade para transportar satélites de até 40 quilos, o foguete visa dar ao Brasil autonomia de lançamento orbital a partir de Alcântara (MA), cuja localização próxima à linha do Equador representa vantagem competitiva rara no mercado espacial global. Os primeiros lançamentos estão previstos para 2027.

Próximos passos do SatVHR
Com o teste de vibração concluído, o SatVHR avança para as etapas subsequentes de qualificação. O modelo estrutural e térmico, que foi o objeto dos testes atuais, dará lugar ao modelo de voo, que incorporará todos os sistemas funcionais do satélite. O projeto foi contratado para entrega até o fim de 2026, o que coloca o lançamento como possibilidade concreta ainda dentro do calendário original.

Para o Brasil, colocar em órbita um satélite de altíssima resolução de concepção inteiramente nacional representaria um marco comparável, guardadas as proporções, ao que significou a aviação regional para a Embraer nas décadas de 1980 e 1990. Seria a prova de que o país tem capacidade de desenvolver tecnologia espacial de ponta, não apenas de operar e consumir o que outros produzem.

O teste concluído no LIT do INPE, por menor que pareça ao grande público, é um tijolo nessa construção. E cada tijolo conta.

10 fevereiro, 2026

Cascavel Nova Geração dispara pela primeira vez com computador balístico integrado

Exército Brasileiro avança em etapa decisiva do maior programa de modernização de blindados de reconhecimento nacional, com testes de tiro real no CAEx

 

*LRCA Defense Consulting - 10/02/2026

O Exército Brasileiro deu um passo concreto e simbólico na semana de 2 a 6 de fevereiro de 2026: pela primeira vez, a Viatura Blindada de Reconhecimento Cascavel Nova Geração (VBR Cascavel NG) executou tiros reais com o cálculo balístico realizado integralmente pelo computador de tiro integrado ao novo Sistema de Municiamento e Engajamento Modernizado (SMEM). A atividade, conduzida no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), em Guaratiba, no Rio de Janeiro, marca uma inflexão no desenvolvimento do sistema de armas e consolida o projeto como uma das mais ambiciosas iniciativas da Base Industrial de Defesa brasileira.

Os testes e o que foi verificado
A semana de avaliações reuniu militares de três diferentes órgãos do Exército: a Diretoria de Fabricação (DF), o Escritório de Projetos do Exército (EPEx) e o Centro de Instruções de Blindados (CI Bld), além de representantes do Consórcio Força Terrestre, formado pelas empresas Akaer (líder), Opto Space & Defense e Universal.

As atividades centraram-se em dois eixos técnicos. O primeiro foi a instrução sobre o processo de colimação da viatura, procedimento essencial para o alinhamento preciso do armamento principal com os sistemas ópticos e eletrônicos da torre modernizada. O segundo, de maior impacto operacional, foi a realização de testes de engenharia do computador balístico, com execução de disparos reais do canhão de 90 mm a distâncias predefinidas.

Trata-se da primeira validação em condições reais do sistema de tiro automatizado. Os militares do CI Bld não apenas acionaram os disparos: também exercitaram a motricidade necessária para operar a nova torre por meio de joystick e interfacearam com o computador de tiro, responsável por calcular automaticamente os parâmetros que afetam a trajetória dos projéteis, como velocidade inicial da munição, temperatura, vento e desgaste do cano.

Os resultados foram considerados positivos pela Diretoria de Fabricação. O comunicado oficial destacou "robustez dos sistemas optrônicos integrados à viatura" e "um estágio de maturidade relevante do processamento dos parâmetros que afetam a precisão do armamento principal". Os dados coletados servirão de base para o aprimoramento contínuo do sistema de tiro ainda em desenvolvimento.

 

Por que a inclusão dos usuários finais é estratégica
Um dos aspectos mais relevantes da semana de avaliações foi a natureza participativa da metodologia adotada. A presença do CI Bld, unidade responsável pela formação dos tripulantes de blindados do Exército, não foi meramente protocolar. Ao integrar o usuário final ao processo de desenvolvimento desde fases intermediárias do projeto, o Exército busca evitar o retrabalho que historicamente onera programas militares complexos.

A estratégia responde a uma lição clássica da engenharia de defesa: sistemas desenvolvidos sem retroalimentação contínua dos operadores tendem a acumular requisitos não atendidos, descobertos apenas na fase de entrega, quando as correções são mais caras e demoradas. As sessões de discussão técnica e operacional realizadas durante a semana, com trocas entre militares da DF, do CAEx e representantes do Consórcio, visam exatamente fechar esse ciclo de informação em tempo hábil.

Um blindado de 50 anos reescrito de dentro para fora
O EE-9 Cascavel foi desenvolvido pela extinta empresa brasileira Engesa na década de 1970 e entrou em serviço no Exército Brasileiro ao longo dos anos 1980. Projetado como veículo de reconhecimento sobre rodas, com configuração 6x6 e armado com canhão de 90 mm, tornou-se um dos blindados mais exportados da América do Sul, chegando a países como Iraque, Chipre, Paraguai e vários países africanos. O Brasil ainda mantém cerca de 409 unidades em carga, embora a maioria esteja em configuração original ou com modernizações parciais.

O projeto Cascavel NG não é uma simples atualização de componentes. Trata-se de uma reescrita quase completa dos sistemas embarcados, transformando o que era uma plataforma analógica e mecânica em um veículo digital e modular. Entre as principais intervenções estão: substituição do motor por unidade de maior potência e eficiência; instalação de câmbio automático de seis marchas; sistema adaptativo de suspensão e controle eletrônico de pressão dos pneus; torre automatizada com mecanismo de giro e elevação do canhão acionado por joystick; substituição das miras ópticas convencionais por um conjunto optrônico de última geração, com câmeras termais, visão noturna e plataforma giroestabilizada para o comandante; computador de tiro balístico automatizado; sistema de Comando e Controle (C2) integrado, compatível com outras viaturas do Exército; e instalação de ar-condicionado para a tripulação.

A viatura também foi projetada para receber um sistema lançador de mísseis anticarro (ATGM) na torre, com o míssil MAX 1.2 AC, desenvolvido pela empresa nacional SIATT, sendo avaliado como candidato natural para essa integração.

Cronograma e dimensão do programa
O contrato para a primeira fase do projeto foi assinado em julho de 2022, com o Consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer em parceria com a Opto Space & Defense e a Universal, vencendo a licitação conduzida pela Diretoria de Fabricação. Essa etapa prevê o desenvolvimento de dois protótipos e um lote piloto de sete viaturas.

O primeiro protótipo foi apresentado ao Estado-Maior do Exército na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em novembro de 2023. Em setembro de 2024, dois protótipos foram submetidos a testes no próprio CAEx, com provas de desempenho em terrenos acidentados, simulações de combate e travessias de cursos d'água. Ainda em setembro de 2025, um grupo de 30 militares recebeu capacitação especializada no Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP).

A conclusão da entrega do lote piloto de sete unidades está prevista para o primeiro semestre de 2026. O programa mais amplo contempla a modernização de 98 a 201 viaturas, com entregas escalonadas entre 2026 e 2037, a um custo contratado de R$ 1,2 bilhão. O critério de viabilidade para a extensão do programa estabelece que o custo unitário do Cascavel NG não deve ultrapassar 30% do valor de aquisição de uma Viatura de Blindada de Cavalaria Centauro II — o principal veículo 8x8 previsto para as unidades de cavalaria mecanizada.

Indústria nacional e soberania tecnológica
O projeto Cascavel NG é frequentemente citado pelos seus gestores como um vetor de fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. A Akaer, empresa com mais de 33 anos de atuação e participação em programas como o caça Gripen E (Saab) e o cargueiro KC-390 (Embraer), posiciona o projeto como demonstração da capacidade nacional de entregar sistemas de defesa completos, digitais e autossustentáveis.

"O Cascavel NG é mais do que um projeto de modernização. Ele simboliza o avanço da engenharia de defesa nacional e a capacidade que o Brasil tem de desenvolver tecnologia de ponta", afirmou Cesar Silva, CEO da Akaer, em comunicado divulgado pela empresa.

Para o Exército Brasileiro, o programa tem valor estratégico duplo: no curto prazo, mantém operacionais viaturas cuja substituição integral seria financeiramente inviável; no longo prazo, desenvolve competências nacionais em sistemas optrônicos, computação de tiro e integração digital que poderão ser aplicadas em programas futuros.

Próximos passos
Com os dados de engenharia obtidos nos tiros de fevereiro, o Consórcio Força Terrestre deverá implementar ajustes no software do computador balístico e nos parâmetros de integração do SMEM. A sequência natural do programa prevê novos ciclos de testes, com ampliação das condições e distâncias avaliadas, antes da certificação final do sistema para entrega às unidades operacionais.

A entrega do lote piloto completo, com as sete viaturas, ao longo do primeiro semestre de 2026 marcará o início efetivo da fase de qualificação operacional do Cascavel NG junto às unidades de cavalaria do Exército. A partir daí, a decisão sobre a extensão do programa de modernização para as demais dezenas de viaturas dependerá tanto da avaliação técnica quanto da disponibilidade orçamentária da Força Terrestre nos próximos anos.

27 abril, 2025

Monóculo de imagem termal da Opto Space & Defense é adotado pelo Exército, em marco importante para a BID e para a Força Terrestre


*LRCA Defense Consulting - 27/04/2025

Com o objetivo de estimular os programas de desenvolvimento de tecnologias na busca pela redução da defasagem tecnológica das Forças Armadas e fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID), foi iniciado pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em outubro de 2019, o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Monóculo de Imagem Térmica OLHAR, em conjunto com a empresa brasileira Opto Space & Defense, integrante do Grupo Akaer, sediada em São Carlos (SP).

Menos de 10 países do mundo, entre eles China, Estados Unidos, França, Israel e Reino Unido, dominam a tecnologia de fabricação de monóculos de visão termal para uso militar – e quem tem essa capacidade restringe a comercialização dos dispositivos.

Desenvolvimento em quatro fases
Assim, com recursos orçamentários do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, o projeto do Monóculo OLHAR foi subdividido em quatro fases de desenvolvimento. Na Fase 1, foi realizada a P&D com a fabricação de dois protótipos. Na Fase 2, foram fabricados mais quatro protótipos e foi realizada a avaliação das unidades. Já na Fase 3, o lote-piloto com 21 unidades foi fabricado, enquanto que, na Fase 4, foi realizada a avaliação do lote-piloto.

Em agosto de 2024, foi homologada a avaliação do lote-piloto e, em março de 2025, foi realizada a adoção do material, por intermédio da 2ª Reunião Decisória (2ª RD), coroando o ciclo de P&D do equipamento, com o atendimento de 63 requisitos técnicos absolutos e 22 requisitos operacionais absolutos, todos definidos pelo Sistema Combatente Brasileiro (COBRA). Dessa forma, entre 2019 e 2024, foram percorridas exitosamente todas as fases preconizadas pelas Instruções Gerais para a Gestão do Ciclo de Vida dos Sistemas e Materiais de Emprego Militar.

Características
O Monóculo OLHAR foi projetado com o que há de mais avançado em microeletrônica, mecânica de precisão e óptica. Com massa e dimensões reduzidas, o equipamento oferece rápido acoplamento a armamentos e capacetes, contando ainda com a possibilidade de troca de objetivas para execução de disparos de precisão. Nas fases de avaliação, o equipamento atingiu distâncias para Detecção (D), Reconhecimento (R) e Identificação (I) compatíveis com os melhores monóculos termais disponíveis no mercado.

O monóculo tem cerca de 800g, 15,5cm de comprimento, 7,2cm de largura e 6,7cm de altura. Entre os atributos técnicos verificados, está a possibilidade de escolha entre dois sistemas ópticos, que permitem uma visão mais ampla ou mais aproximada da cena. Já os atributos operacionais certificaram a resistência do equipamento dentro da água e sua resistência ao choque, entre outros requisitos.

A Akaer não revela o preço do monóculo. O valor, segundo a empresa, depende de algumas variáveis, como o número de unidades previstas na negociação. Monóculos de imagem térmica já em operação – como os das norte-americanas Teledyne Flir Systems e L3Harris Technologies, uma das fornecedoras do Exército dos Estados Unidos, da britânica BAE Systems e da israelense Elbit Systems – custam a partir de US$ 3 mil e podem superar US$ 20 mil. O valor varia conforme as características do dispositivo, o nível de sofisticação tecnológica, os acessórios, entre outros fatores. “O Olhar será competitivo. Não seremos o mais caro nem o mais barato do mercado”, destacou afirma o engenheiro eletrônico Cláudio Carvas, diretor-presidente da Opto Space & Defense, em 2024.

Visão termal é fundamental em operações militares
“A visão termal é fundamental para quem entra em guerra. Especialistas em defesa costumam dizer que o soldado brasileiro é cego, porque guerra de dia a gente só vê no cinema. O conflito real acontece à noite, quando as dificuldades são grandes e equipamentos como o monóculo criado pela Akaer são essenciais”, sustentou (em 2024) o físico Jarbas Caiado de Castro Neto, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), que não participou diretamente do desenvolvimento.

Dispositivos como o Olhar detectam a radiação infravermelha, associada ao calor, emitida pelo corpo humano ou por objetos, e a convertem em uma imagem visível. Para isso, são dotados de sensores, normalmente feitos de silício amorfo ou óxido de vanádio, capazes de captar a emissão de radiação térmica dos corpos. A radiação infravermelha detectada é convertida em sinais elétricos que, por sua vez, são processados dando origem a uma imagem térmica em que diferentes cores ou tons representam diferentes temperaturas. Essa imagem é exibida em um display.

Cláudio Carvas explicou que o Olhar difere dos óculos de visão noturna. Os militares norte-americanos usaram esses últimos na missão de captura e morte do terrorista Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2011. “Não é a mesma tecnologia. Óculos de visão noturna são intensificadores de luz, ou seja, captam uma luz mínima existente no ambiente e a amplificam para formar uma imagem. O monóculo termal independe da luz ambiente.”

Múltiplos usos
Projetado inicialmente para fins bélicos, o equipamento também pode ser utilizado em missões de outra natureza, como operações de segurança pública ou de resgate, visando localizar pessoas, animais e objetos quentes em condições de pouca ou nenhuma visibilidade, como em ambientes com fumaça, poeira e nevoeiro. “O dispositivo detecta partes quentes em uma imagem, seja numa operação noturna ou diurna. Essa é sua grande função”, diz Carvas. “Na maioria das aplicações, o Olhar pode ser utilizado para aumentar a capacidade de observação do usuário.”

O Monóculo OLHAR foi empregado com êxito na Operação Taquari II, que resgatou milhares de civis isolados durante as enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024.

Marco importante para o Exército e para a Base Industrial de Defesa
A entrega do Monóculo OLHAR ao Exército Brasileiro é um marco importante no desenvolvimento de equipamentos de imagem térmica no Brasil, em que o Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército (SCTIEx), em conjunto com a BID, dota o Exército Brasileiro das capacidades necessárias para o aprimoramento da Força Terrestre.

O fato também marca um momento importante para a Base Industrial de Defesa brasileira, pois, por meio da Opto Space & Defense, insere o País em um seleto grupo que produz esse tipo de equipamento

*Com informações do Exército Brasileiro e da Revista Fapesp

 

19 outubro, 2024

Primeiras imagens do satélite VCUB1: a câmera é da Opto Space & Defense, empresa do Grupo Akaer


*LRCA Defense Consulting - 19/10/2024

A Akaer, empresa brasileira líder em inovação nas áreas de Defesa e Aeroespacial, celebra a captura das primeiras imagens pelo satélite VCUB1, marcando um avanço significativo para o Programa Espacial Brasileiro.

Desenvolvida pela Opto Space & Defense, empresa do Grupo Akaer, a câmera OPTO 3UCAM foi fundamental para garantir a qualidade das imagens registradas, confirmando a parceria de sucesso do projeto liderado pela Visiona.

Com a conclusão da fase de calibração da câmera, as imagens captadas evidenciam a alta precisão do VCUB1, que é o primeiro satélite de alto desempenho inteiramente projetado pela indústria nacional.

“A Akaer se consolidou como uma empresa de vanguarda, sempre à frente das inovações e do desenvolvimento tecnológico. A participação no projeto VCUB1 é mais um exemplo do compromisso da empresa em fornecer soluções avançadas que impulsionam a autonomia do Brasil no espaço”, afirmou Cesar Silva, CEO da Akaer.

Tecnologia e Precisão

A OPTO 3UCAM, é a primeira câmera reflexiva projetada e produzida no Brasil. Com capacidade para fazer imagens da superfície terrestre em alta definição, pode identificar do espaço objetos com pelo menos 3,5 metros, cobrindo uma faixa de varredura de 14 km.

Equipada com um sistema óptico composto por três espelhos e sensores Push-Broom com tecnologia de Integração de Tempo de Atraso (TDI), a OPTO 3UCAM utiliza um conjunto de sensores de alta frequência para compensar o movimento do satélite, garantindo imagens de alta qualidade.

"A E3UCAM foi desenvolvida para o mercado New Space, sendo concebida dentro de um conceito de família de câmeras, flexibilizando a carga útil do satélite com a composição de várias câmeras, ampliando assim, a quantidade de bandas ou a faixa de varredura terrestre. Essa flexibilidade é um importante diferencial, pois a arquitetura óptica pode ser escalada para diferentes plataformas de nanossatélites", afirmou Claudio Carvas, diretor executivo da Opto Space & Defense.

Parcerias Estratégicas
O satélite VCUB1, lançado em abril de 2023, foi projetado pela Visiona, uma joint-venture entre Embraer e Telebras, com o objetivo de validar novas tecnologias espaciais desenvolvidas no Brasil.

Além da câmera OPTO 3UCAM, o satélite conta com sistemas de comunicação avançados e software embarcado 100% nacional.

Com a alta resolução as imagens geradas pelo satélite podem ser utilizadas em diversas aplicações críticas para o Brasil, como monitoramento ambiental, combate a queimadas, gestão de desastres naturais e desenvolvimento da agricultura.

18 outubro, 2024

Visiona, JV da Embraer, divulga as primeiras imagens captadas pelo satélite VCUB1 e confirma o sucesso da missão


*LRCA Defense Consulting - 18/10/2024

A Visiona, joint-venture entre a Embraer e a Telebras, apresentou as primeiras imagens coletadas pelo VCUB1, primeiro satélite de alto desempenho projetado pela indústria nacional e com isso conclui a avaliação operacional do satélite. 

“Os satélites desempenham papel fundamental em todo o mundo e no Brasil. O VCUB1 pode ser utilizado para questões que são centrais ao País como a proteção ambiental, a resposta a desastres naturais, o combate às queimadas ou ainda o desenvolvimento da agricultura”, afirma João Paulo Rodrigues Campos, CEO da Visiona. “Além da geração de novas oportunidades de negócios, ampliação da infraestrutura espacial brasileira e geração de empregos”. 

Pesando apenas 12 kg, o VCUB1 está equipado com uma câmera de alta resolução e com um avançado sistema de comunicações. O VCUB1 também é o primeiro satélite com software embarcado 100% desenvolvido no Brasil, o que se traduz na autonomia completa no projeto. O sucesso da missão comprova a capacidade da Visiona em desenvolver soluções capazes de endereçar grandes desafios do Programa Espacial Brasileiro.

Após o lançamento em 2023, o primeiro ano da vida do satélite foi dedicado ao desenvolvimento e amadurecimento de sistemas. Após esse período, passou-se à calibração da sofisticada câmera para que as primeiras imagens fossem coletadas e divulgadas.

O VCUB1 foi concebido originalmente para validar os sistemas de navegação e de controle desenvolvidos pela Visiona, tecnologias até então não dominadas pelo país. “O domínio do software embarcado é o que nos dá liberdade para integrar ou substituir qualquer componente, concedendo total liberdade ao projeto. Entramos num seleto grupo de empresas no mundo capazes de projetar integralmente satélites”, afirma Himilcon Carvalho, Diretor de Tecnologia Espacial da Visiona. “As imagens, por sua vez, confirmam o desempenho dos sistemas desenvolvidos, que devem agora equipar os próximos projetos da empresa”. 

O projeto, liderado pela Visiona, contou com a participação de diversas empresas e Institutos de Ciência e Tecnologias brasileiros como a OPTO Space & Defense, responsável pelo projeto e construção da câmera, a AMS Kepler, a Metalcard, a Orbital Engenharia, a Embrapii, por meio de sua unidade ISI Embarcados SENAI-SC, o Instituto de Aeronáutica e Espaço da Força Aérea e o INPE.  Além disso, contribuíram no desenvolvimento a Agência Espacial Brasileira, Embrapa, CPRM, CEMADEN, UFSC, ITA, Governo de Santa Catarina, CENSIPAM, IICA, Prefeitura de São José dos Campos, Naturantins, Transpetro e o IBAMA.

Sobre a Visiona
Criada em 2012, a Visiona Tecnologia Espacial é uma joint-venture entre a Embraer Defesa & Segurança e a Telebras. Voltada para a integração de sistemas espaciais e à prestação de serviços baseados em satélites, a companhia atende aos objetivos do Programa Espacial Brasileiro e a demandas de mercado.

A Visiona foi a responsável pelo Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC1, lançado em 2017. Em 2023, a empresa lançou o VCUB1, o primeiro nanossatélite de observação da terra e coleta de dados projetado por uma empresa no Brasil. Atualmente a Visiona lidera o projeto do satélite SatVHR de observação da Terra de altíssima resolução, apoiado pela FINEP e com ampla participação de empresas e ICTs brasileiras.

A Visiona também fornece produtos e serviços de Sensoriamento Remoto e Telecomunicações por satélite, bem como Aerolevantamento SAR nas Bandas X e P, sempre buscando a vanguarda tecnológica. Nesse mercado, a Visiona já realizou mais de 100 projetos em diversos setores como o de agricultura, óleo e gás, serviços financeiros, utilidades, meio ambiente e defesa.

10 outubro, 2024

Empresa brasileira desenvolve monóculo capaz de captar o calor emitido pelo corpo


*Revista Fapesp, por Yuri Vasconcelos - 05/10/2024

Um dispositivo óptico que permite que forças militares, policiais e de segurança identifiquem a presença de pessoas, animais, instalações e veículos em condições adversas de luminosidade, apenas pelo calor que emitem, foi desenvolvido pela empresa brasileira especializada em sistemas optrônicos Opto Space & Defense, pertencente ao Grupo Akaer. Sediada em São José dos Campos, a Akaer tem como foco a fabricação de estruturas, equipamentos e sistemas para os setores aeroespacial e de defesa. O monóculo de imagem térmica Olhar, primeiro do gênero criado por uma companhia nacional, foi projetado a partir de requisitos definidos pelo Exército brasileiro. Um primeiro lote com 21 aparelhos foi homologado em agosto, após mais de um ano em testes pela força militar.

“O Olhar foi projetado para ser um equipamento robusto, leve e com dimensões reduzidas. Esse desenvolvimento demonstra que o país detém o conhecimento de visão termal e pode fabricar seus próprios equipamentos. Com ele, ficamos independentes de questões geopolíticas que dificultam a aquisição desses aparelhos pelas Forças Armadas brasileiras”, afirma o engenheiro eletrônico Cláudio Carvas, diretor-presidente da Opto Space & Defense. O projeto, iniciado há mais de 15 anos, foi feito em parceria com o Centro de Tecnologia do Exército (CTEx) e recebeu apoio, em seu estágio inicial, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Menos de 10 países do mundo, entre eles China, Estados Unidos, França, Israel e Reino Unido, dominam a tecnologia de fabricação de monóculos de visão termal para uso militar – e quem tem essa capacidade restringe a comercialização dos dispositivos.

“A visão termal é fundamental para quem entra em guerra. Especialistas em defesa costumam dizer que o soldado brasileiro é cego, porque guerra de dia a gente só vê no cinema. O conflito real acontece à noite, quando as dificuldades são grandes e equipamentos como o monóculo criado pela Akaer são essenciais”, sustenta o físico Jarbas Caiado de Castro Neto, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), que não participou diretamente do desenvolvimento.

Dispositivos como o Olhar detectam a radiação infravermelha, associada ao calor, emitida pelo corpo humano ou por objetos, e a convertem em uma imagem visível. Para isso, são dotados de sensores, normalmente feitos de silício amorfo ou óxido de vanádio, capazes de captar a emissão de radiação térmica dos corpos. A radiação infravermelha detectada é convertida em sinais elétricos que, por sua vez, são processados dando origem a uma imagem térmica em que diferentes cores ou tons representam diferentes temperaturas. Essa imagem é exibida em um display.

O monóculo criado pela Opto Space & Defense poderá ser usado não apenas em operações militares, mas também em missões de resgate para localizar pessoas, animais e objetos quentes em condições de pouca ou nenhuma visibilidade, como em ambientes com fumaça, poeira e nevoeiro. “O dispositivo detecta partes quentes em uma imagem, seja numa operação noturna ou diurna. Essa é sua grande função”, diz Carvas. “Na maioria das aplicações, o Olhar pode ser utilizado para aumentar a capacidade de observação do usuário.”

Com cerca de 800 gramas e 155 milímetros (mm) de comprimento por 72 mm de largura e 67 mm de altura, o Olhar pode ser operado manualmente ou acoplado a capacetes, fuzis e metralhadoras. Diferentemente da maioria dos concorrentes internacionais, o dispositivo brasileiro tem duas opções de lentes intercambiáveis, com distâncias focais de 14 mm (modelo básico) e 54 mm (modelo Caçador), que aproxima mais a imagem.

Modelo avançado
Carvas explica que o Olhar difere dos óculos de visão noturna. Os militares norte-americanos usaram esses últimos na missão de captura e morte do terrorista Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2011. “Não é a mesma tecnologia. Óculos de visão noturna são intensificadores de luz, ou seja, captam uma luz mínima existente no ambiente e a amplificam para formar uma imagem. O monóculo termal independe da luz ambiente.”

De acordo com a Akaer, que este ano se tornou a primeira empresa brasileira do setor aeroespacial a obter o status de fornecedora global de nível 1, ou Tier 1 (ver box), o monóculo se vale do que há de mais avançado em termos de microeletrônica, mecânica de precisão e óptica. “O projeto óptico das objetivas termais e ocular garante elevado desempenho que se traduz em imagens com alto contraste e baixa distorção”, afirma o executivo da Opto Space & Defense.

Na área de eletrônica, foram desenvolvidas placas de circuito impresso com dimensões reduzidas contendo componentes com encapsulamentos muito pequenos. Também foram utilizados módulos de processamento e um microdisplay com tecnologia Oled, que usa diodos orgânicos emissores de luz, além de um sensor termal de alta resolução, comprado no exterior.

“Para a estrutura mecânica, foi necessário projetar e fabricar o corpo do monóculo em dimensões reduzidas, de forma que ele pudesse abrigar e garantir a segurança dos componentes internos”, informa Carvas. “O conjunto mecânico teve que assegurar o alinhamento óptico do sensor termal e da objetiva, sem o qual a imagem não teria boa resolução e nitidez.” A robustez do sistema foi outro pré-requisito estabelecido pelo Exército. O monóculo resiste por 30 minutos dentro d’água e saiu-se bem nos testes de resistência ao choque, conforme a Akaer.

“Trata-se de uma tecnologia desafiadora”, reconhece Castro Neto, do IFSC-USP, que acompanhou o projeto de uma primeira versão do monóculo. Batizado de VDN X-1, ele começou a ser projetado em 2007 nos laboratórios da startup Opto Eletrônica, de São Carlos, da qual o físico foi um dos criadores. Em 2016, a divisão Espaço e Defesa (E&D) da empresa foi comprada pela Akaer e rebatizada de Opto Space & Defense. Três anos depois, o projeto do monóculo foi retomado.

Desenhar e fabricar lentes de visão termal, assim como planejar sua eletrônica, é uma tarefa considerada das mais complexas por quem conheceu o projeto. “Diferentemente das lentes para câmeras no espectro visível, as termais precisam ser feitas de materiais muito específicos, como sulfeto de zinco, silício e germânio, cuja disponibilidade é limitada. O design do sistema óptico é intrincado e precisa ser projetado para anular aberrações cromáticas, distorções e outros problemas, a fim de que se tenha uma imagem precisa”, diz o pesquisador da USP.

Procurado por Pesquisa FAPESP, o Exército limitou-se a informar, por meio de nota, que “a avaliação do projeto foi encerrada recentemente e o equipamento ainda está em estudos para adoção”. Durante os processos de avaliação técnica e operacional e homologação, foram analisados múltiplos requisitos de desempenho em laboratório e em campo, segundo normas compatíveis com as definidas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. O lote com 21 aparelhos entregue ao Exército no ano passado foi submetido a testes de suscetibilidade eletromagnética, emissão sonora, resistência a altas e baixas temperaturas, areia, umidade, entre outros.

Ainda não há uma definição sobre quando o monóculo será incorporado ao braço terrestre das Forças Armadas. “Não sabemos quantos aparelhos serão adquiridos nem quando. Mas já recebemos consultas de outros países interessados no equipamento. A venda para o exterior, contudo, depende da autorização do Exército, já que o projeto foi encomendado por ele”, afirma o diretor da Opto Space & Defense.

A Akaer não revela o preço do monóculo. O valor, segundo a empresa, depende de algumas variáveis, como o número de unidades previstas na negociação. Monóculos de imagem térmica já em operação – como os das norte-americanas Teledyne Flir Systems e L3Harris Technologies, uma das fornecedoras do Exército dos Estados Unidos, da britânica BAE Systems e da israelense Elbit Systems – custam a partir de US$ 3 mil e podem superar US$ 20 mil. O valor varia conforme as características do dispositivo, o nível de sofisticação tecnológica, os acessórios, entre outros fatores. “O Olhar será competitivo. Não seremos o mais caro nem o mais barato do mercado”, destaca Carvas.

16 julho, 2024

Akaer segue modernizando os blindados Cascavel para o Exército Brasileiro

O novo Cascavel NG

*LRCA Defense Consulting - 16/07/2024

Concebido inicialmente na década de 1970 pela antiga Engesa, o Cascavel (também conhecido pela sigla EE-9) tornou-se icônico, sendo comercializado em mais de 20 países na América do Sul, África e Oriente Médio, com mais de 2.700 unidades produzidas até o fechamento da fabricante, no início dos anos 90.

O projeto de modernização do blindado, denominado Cascavel NG, está sob responsabilidade do consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer, e é executado em estreita colaboração com o Exército Brasileiro, por meio da Diretoria de Fabricação.

O Cascavel NG marca um significativo avanço na modernização da frota blindada do Brasil em prol da soberania nacional.

Projeto de modernização de Viaturas Blindadas de Reconhecimento Cascavel

Em julho de 2022, o Exército Brasileiro assinou hoje o contrato para a primeira fase do projeto de modernização de 98 Viaturas Blindadas de Reconhecimento Cascavel com o Consórcio de Empresas Força Terrestre, composto pelas empresas Akaer Engenharia (líder), Opto Space & Defense e Universal.

O projeto consiste em um amplo pacote de modernização e adoção de novas tecnologias que envolve uma nova motorização e suspensão, fundamentais para incrementar as capacidades de locomoção do veículo nos mais variados tipos de terreno. Um sistema de ar-condicionado será implantado para melhorar o ambiente operacional da tripulação composta por motorista, atirador e comandante.

Em relação a consciência situacional, característica vital para as rápidas tomadas de decisões no campo de batalha, a Akaer irá substituir a atual torre mecânica do comandante por uma nova torre automatizada.  Essa melhoria irá incrementar a velocidade de resposta aos comandos e precisão de operação.

Visando o aumento da efetividade operacional no emprego de armas, o programa inclui a substituição das miras ópticas, por um moderno sistema optrônico para busca e pontaria dos alvos e identificação de eventuais ameaças. Essa tecnologia permitirá a operação diurna e noturna e em condições atmosféricas degradadas.

Um moderno computador de tiro será responsável pela execução de todos os cálculos balísticos, proporcionando um aumento significativo na probabilidade de acerto de alvos.

O sistema eletrônico contará com um computador de comando e controle que irá analisar, em tempo real, todos os sensores espalhados pelo veículo para a leitura dos parâmetros ambientais que interferem na execução das missões.

O EE-9 Cascavel modernizado contará com a adição de um lançador de mísseis anti-tanque em sua torre principal, introduzindo essa capacidade em veículos blindados de reconhecimento do Exército Brasileiro.

09 janeiro, 2024

Exército avalia lote-piloto do monóculo termal OLHAR fabricado pela OPTO Space & Defense


*LRCA Defense Consulting - 09/01/2024

O lote-piloto do monóculo de imagem térmica OLHAR, composto por 21 unidades, foi entregue ao Exército Basileiro em meados de 2023 e se encontra sob avaliação dos engenheiros militares do Centro Tecnológico do Exército (CTEx).

O  equipamento produzido pela OPTO Space & Defense (empresa do Grupo AKAER) com tecnologia 100% nacional é um monóculo de imagem térmica feito para localizar pessoas, animais e objetos quentes mesmo em condições adversas de ausência de iluminação, fumaça, poeira e nevoeiro, além de elementos de camuflagem.

O monóculo é de fácil manuseio e pode ser utilizado manualmente ou montado em armas, como fuzis. Além disso, outras funcionalidades – como o retículo de pontaria e o acessório com zoom óptico de três vezes – fazem com que o OLHAR venha a ser uma adição importante aos equipamentos disponíveis para os operadores de nossas Forças Armadas e forças de segurança.

O OLHAR foi projetado com a mais avançada tecnologia em microeletrônica, mecânica de precisão e óptica para atender aos requisitos operacionais e técnicos do Monóculo de Visão Termal que integra o Sistema Combatente Brasileiro (COBRA).


“O OLHAR é um monóculo multiuso e foi desenvolvido para ser utilizado em diferentes situações para garantir segurança, seja em operações específicas ou em patrulhamento e vigilância. Por ter tecnologia 100% nacional, reforça o comprometimento do grupo Akaer com os seus produtos, fornecendo aos clientes capacidade de suporte desde a fabricação até a manutenção dos equipamentos”, destacou Claudio Carvas, CEO da OPTO Space & Defense, empresa do Grupo Akaer.

Iniciado em outubro de 2019, o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento do Monóculo de Imagem Térmica OLHAR foi concebido em 4 fases. As fases 1, 2 e 3, já encerradas, compreendem, respectivamente, a fabricação de protótipos, a avaliação dos protótipos e a fabricação do lote-piloto. A fase 4, em andamento, consiste na avaliação do lote-piloto.

"A fabricação do lote-piloto do Monóculo OLHAR é um marco importante no desenvolvimento de equipamentos de imagem térmica no Brasil, mostrando que tanto a indústria nacional quanto o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército (SCTIEx) têm plenas condições de prover a Força Terrestre com Sistemas e Materiais de Emprego Militar de excelente qualidade", destacou o Exército Brasileiro em comunicado oficial.

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