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27 maio, 2024

Embraer e Arábia Saudita podem estar prestes a fechar uma grande parceria


*LRCA Defense Consulting - 27/05/2024

O interesse da Embraer no Oriente Médio e, especificamente, no Reino da Arábia Saudita, não é novo, mas se intensificou depois que este riquíssimo país implantou a iniciativa chamada de Vision 2030, pela qual decidiu abandonar a importação de quase tudo e fomentar a criação de uma poderosa base industrial e de serviços que lhe permita não depender somente das receitas do petróleo até 2030, gerando até 50% de seu PIB por meio dessa base.

Mais recentemente, em julho de 2022, a Embraer Defesa & Segurança resolveu aproveitar a obsolescência dos aviões militares de transporte sauditas e, visando ofertar sua aeronave multimissão C-390 Millennium ao país, celebrou acordos de cooperação com a BAE Systems por meio de dois memorandos de entendimento (MoUs, na sigla em inglês), um dos quais visou promover o C-390 nos mercados do Oriente Médio (inicialmente no Reino da Arábia Saudita).

No entanto, foi só em 2023 que as negociações entre a Embraer e o Reino se intensificaram por meio da assinatura de diversos documentos, de visitas de parte a parte e de divulgações de interesses comuns, como pode ser constatado nos itens abaixo.

Em entrevista ao portal Defense Here, em 26/04/2023, o CEO da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Junior, falou sobre os mercados de interesse da Embraer onde destacou a região do Oriente Médio, dizendo “Temos nosso escritório em Dubai desde 2009. Então vemos esta região, a região do Oriente Médio, como uma região muito importante e muito estratégica para a Embraer”. Ele também afirmou que a Embraer está buscando fortalecer suas parcerias com os países da região e ajudá-los a localizar tecnologias, acrescentando que “estamos buscando oferecer nossas soluções para a Arábia Saudita e também para os Emirados”.

Em 31 de julho de 2023, por ocasião da visita da maior delegação do Reino da Arábia Saudita que já esteve no Brasil - liderada por Khalid Al Falih, Ministro do Investimento desse país - ocorreu o Fórum de Investimentos Brasil / Arábia Saudita, realizado na FIESP. Neste evento, ficou no ar uma parceria com a Embraer citada pelo ministro saudita em seu discurso. Segundo afirmou, ele visitaria a Embraer, com quem teria sido firmada uma Parceria Público Privada. No entanto, nada foi divulgado posteriormente. Consultadas sobre a visita e a parceria citada, tanto a Embraer como sua agência de divulgação não ofereceram uma resposta sobre o assunto.

No dia 1º de agosto de 2023, em visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira (ABCC), uma delegação da federação saudita falou sobre as possibilidades de negócios no setor privado dos dois países. Durante uma conversa sobre voos para países árabes, o presidente da ABCC, embaixador Osmar Chohfi, sugeriu que a Arábia Saudita comprasse aeronaves brasileiras para seus voos domésticos, e o secretário-geral adjunto da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Arábia Saudita (FSC), Waleed Alorainan, disse que está conversando com a Embraer. 

Em 29 de novembro de 2023, a saudita SAMI (uma subsidiária integral do Fundo de Investimento Público (PIF) do Reino da Arábia Saudita) e a Embraer assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para estabelecer uma cooperação em suas respectivas indústrias aeroespaciais, priorizando defesa e segurança. Este acordo visa expandir a presença operacional de ambas as empresas no Reino da Arábia Saudita, com foco na promoção das capacidades da aeronave C-390 Millennium e na prestação de apoio ao Ministério da Defesa do reino. A SAMI e a Embraer trabalharão para estabelecer capacidade de manutenção abrangente para as aeronaves da Embraer no Reino. Além disso, ambas as empresas irão explorar um Hub Regional de MRO e uma linha de montagem final para o Embraer C-390, bem como uma integração de sistemas de missão no Reino. Além disso, a SAMI e a Embraer participarão de atividades de treinamento, que permitirão a abertura de novas oportunidades para ambas as empresas do setor aeroespacial no Reino e na região.

No final de dezembro de 2023 uma delegação do Ministério da Defesa da Arábia Saudita conheceu as capacidades industriais e de engenharia em radares da Embraer Defesa & Segurança e participou de uma demonstração do Radar Saber M200 Vigilante, na área da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro. Os sauditas acompanharam, ainda, uma demonstração do Radar Sentir M20 no Comando Militar do Oeste, em Campo Grande (MS).

Sauditas e brasileiros com o Radar Saber M200 Vigilante

Em 30/12/2023, em matéria ressaltando as vantagens do C-390 sobre o Super Hércules, a imprensa grega publicou: "Talvez o momento mais significativo do programa de aeronaves seja a assinatura de um acordo entre a SAMI da Arábia Saudita e a Embraer para a construção local de até 33 aeronaves em substituição ao C-130H da Força Aérea do Reino".

No início de janeiro deste ano, o Ministério de Investimentos do Reino (MISA), a Autoridade Geral da Avição Civil (GACA) e a Embraer firmaram um MoU visando reforçar a cooperação em investimentos no setor de aviação. Esta iniciativa está alinhada com a ambição da Arábia Saudita de se tornar líder no setor da aviação regional na próxima década. Apoia também os esforços mais amplos do país do Golfo para elevar o setor da aviação e atingir o seu objetivo de atrair 150 milhões de visitantes até 2030, acima do objetivo inicial de 100 milhões.

Em 05/02/2024, a Saudia Technic e a Embraer Serviços & Suporte assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para iniciar colaboração em atividades de manutenção e treinamento. O MoU tem como objetivo aprimorar a cooperação em ambas as áreas, tanto na Aviação Comercial, com foco na família de jatos E2, quanto na Aviação Executiva. O acordo foi firmado no World Defense Show 2024, evento que foi realizado em Riad de 4 a 8 de fevereiro.

Também durante o World Defense Show 2024, Emad Alrajih, Diretor de Parcerias e Alianças da empresa saudita SAMI, mostrou-se impressionado com o C-390, após conhecer pessoalmente a moderníssima e disruptiva aeronave multimissão da Embraer.

Emad Alrajih, Diretor de Parcerias e Alianças da empresa saudita SAMI

Em 19 de fevereiro deste ano, João Bosco Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que “Acredito que no futuro – num futuro próximo – o KC-390 terá mais de uma linha de montagem no mundo”, diz Bosco. Mais de duas linhas de montagem também não estão descartadas. Questionado se a Embraer estaria aberta para gerenciar três linhas de montagem globalmente, Bosco respondeu: “Poderia ser. Podem ser quatro!"

Em 04 de março de 2024, o vice-presidente para Oriente Médio e Ásia-Pacífico da Embraer Defesa & Segurança, Caetano Spuldaro Neto, afirmou que cooperação tecnológica, oportunidade de desenvolvimento da indústria local de forma sustentável e acesso a novos mercados são os principais potenciais da relação entre o Brasil e a Arábia Saudita no setor aeronáutico. “Queremos transformar a Arábia Saudita em um hub da Embraer na região”, disse o executivo durante o Brazil Saudi Arabia Conference, que aconteceu em Riad, capital do país.

O vice-presidente da Embraer destacou, ainda, a oportunidade de trabalhar com empresas locais e com o governo saudita para desenvolver a cadeia de suprimentos local e o capital humano para que, no futuro, possa ser possível desenvolver também novas tecnologias de forma conjunta. “No segmento de defesa, estamos trabalhando próximo às autoridades da Arábia Saudita para fomentar a oportunidade de aquisição da aeronave C-390 por parte da Força Aérea Real Saudita, o produto brasileiro mais inovador no segmento de transporte militar tático. A aquisição pode gerar uma economia de US$ 2 bilhões para o país nos próximos 30 anos”, explicou.

Em 11 de março deste ano, o Ministro da Indústria e Recursos Minerais, Bandar Al-Khorayef, testemunhou a assinatura de um memorando de cooperação entre esse Ministério e a Embraer. Isto ocorreu na presença do Vice-Ministro dos Assuntos Industriais, Khalil bin Salamah. O Ministério explicou que a assinatura do memorando surge com o objetivo de desenvolver os setores da aviação no Reino, em linha com os objetivos da Estratégia Nacional para a Indústria. 

No dia 21/05/2024, durante a terceira edição do Future Aviation Fórum em Riad, Arábia Saudita, o Centro Nacional de Desenvolvimento Industrial do Reino da Arábia Saudita (NIDC), o Grupo AHQ e a Embraer assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para discutir uma estratégia conjunta de desenvolvimento do ecossistema aeroespacial local. O acordo tem como foco a adoção de aeronaves da Embraer pelo Reino da Arábia Saudita. O MoU também tem o objetivo de explorar o desenvolvimento de uma potencial cooperação tecnológica, da cadeia de suprimentos e de capital humano entre as organizações, para alcançar a excelência em produtos e serviços, avaliar as capacidades industriais e novas oportunidades de negócios. Ainda como parte do acordo, a Embraer e a AHQ concordaram em analisar o enorme potencial da família E2 para ser a aeronave escolhida para um novo projeto de linha aérea na região. 

Em 21/05/2024, também durante o Future Aviation Fórum, a Eve Air Mobility (da Embraer) e a Saudia Technic, fornecedora líder de serviços de MRO no Oriente Médio, anunciaram a assinatura de um Memorando de Acordo (MoA) para explorar a demanda potencial de atividades de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO) para aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) na região. O acordo inclui treinamento em eVTOL MRO e avaliação dos requisitos e processos de infraestrutura para a potencial remontagem do eVTOL da Eve na Arábia Saudita.

Em 24 de maio deste ano, fontes árabes afirmaram que já foi tomada a decisão sobre a megalicitação para a aquisição de 33 aeronaves de transporte militar para a Arábia Saudita, cujo resultado será divulgado em breve. 

C-390, EJets E2, linha de montagem e MRO
Em resumo, considerando todas as informações acima e os sólidos relacionamentos comerciais estabelecidos com entidades governamentais e empresariais sauditas neste último ano, tudo parece indicar que a Embraer poderá ser a empresa escolhida para fornecer as aeronaves militares de transporte (C-390) para o Reino, assim como também poderá fornecer os EJets E2 que mobiliarão a nova empresa aérea civil que está sendo organizada nesse país (vejas matérias abaixo).

Além disso, com base nas premissas da iniciativa Vision 2030, é bastante provável que a Embraer venha anunciar uma linha de montagem de aeronaves militares e civis na Arábia Saudita, além da necessária infraestrutura em MRO.
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Arábia Saudita quer estabelecer outra companhia aérea nacional

*reisetopia, por Beate - 26/05/2024

Além da Saudia e da recém-fundada Riyadh Air, outra companhia aérea nacional deverá agitar o mercado de aviação na Arábia Saudita no futuro. A fabricante brasileira de aeronaves Embraer também poderá desempenhar um papel decisivo.

Enquanto a nova companhia aérea nacional da Arábia Saudita, Riyadh Air, ainda tenta obter um certificado de operador aéreo (AOC), uma terceira companhia aérea nacional com sede em Dammam deverá surgir no segundo semestre do ano. No Fórum da Aviação do Futuro em Riade, foi anunciado que o Centro Nacional de Desenvolvimento Industrial estatal e o grupo industrial privado AHQ Group assinaram um memorando de entendimento. É aqui que entra a fabricante de aeronaves Embraer. Em última análise, será desenvolvida uma estratégia comum de desenvolvimento de mercado, como relata a companhia aérea.

O essencial em resumo:
- Espera-se que uma nova companhia aérea nacional da Arábia Saudita com sede em Dammam seja fundada este ano.
- O objetivo é atender um segmento de mercado que atualmente é mal atendido.
- Detalhes importantes como modelo de negócio, estrutura acionária e informações sobre a frota potencial permanecem desconhecidos.

Um país – muitas companhias aéreas
A Arábia Saudita está planejando lançar uma nova companhia aérea nacional este ano – presumivelmente como sucessora da Saudi Gulf Airlines. A Saudi Gulf Airlines encerrou as operações em 2020 antes de desaparecer completamente de cena em 2021. Agora, a ideia de uma companhia aérea nacional com sede em Dammam será retomada.

De acordo com Awad Al-Salami, vice-presidente da Autoridade Geral de Aviação Civil (GACA), a nova companhia aérea atenderá um segmento de mercado atualmente carente. Isto poderia incluir vários destinos africanos, bem como cidades sauditas, como relata o Aerotelgraph.

Detalhes importantes ainda desconhecidos

Embora alguns aspectos sobre a nova companhia aérea nacional da Arábia Saudita sejam agora conhecidos, detalhes cruciais permanecem em aberto por enquanto. Por exemplo, não há informações sobre a estrutura de propriedade. O modelo de negócio e as informações sobre a frota potencial também permanecem ocultos. Porém, especula-se que aeronaves da família E2 da fabricante brasileira de aeronaves Embraer possam se tornar interessantes neste contexto. Por fim, a Embraer está atualmente avaliando o potencial da família E2 como aeronave preferida para um novo projeto de companhia aérea na região, conforme confirmado pela fabricante da aeronave. Resta saber se isto está realmente relacionado com a planeada companhia aérea nacional adicional do país.

O que é certo, porém, é que a nova companhia aérea nacional da Arábia Saudita terá sede em Dammam.

Em última análise, a Saudia quer retirar-se do aeroporto da capital nacional (Aeroporto Riyadh King Khalid) até 2030 e entregá-lo à recém-fundada Riyadh Air, o que significa que Jeddah (pela Saudia) e Riyadh (pela Riyadh Air) serão cobertas.
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Arábia Saudita anuncia a criação de outra companhia aérea

*airliners - 23/05/2024

A Arábia Saudita planeja lançar uma nova “companhia aérea nacional” no segundo semestre do ano, anunciaram autoridades no recém-concluído Fórum da Aviação do Futuro em Riad.

Nesse contexto, o estatal Centro Nacional de Desenvolvimento Industrial e o grupo industrial privado AHQ Group assinaram um memorando de entendimento para discutir uma estratégia conjunta de desenvolvimento de mercado com a Embraer.

Como Mohammed Al Khuraisi, vice-presidente de Estratégia e Inteligência de Negócios da Autoridade Geral de Aviação Civil (GACA), disse ao jornal de negócios Maaal, a nova companhia aérea terá sede em Dammam.

Awad Al-Salami, outro vice-presidente da GACA responsável pela política econômica e serviços de logística, disse ao jornal Asharq Al-Awsat que a nova companhia aérea servirá um segmento de mercado atualmente mal servido. Nenhum dos funcionários forneceu mais informações sobre a propriedade, modelo de negócios, frota ou rede de rotas da potencial start-up.

Enquanto isso, a fabricante brasileira afirmou que seu acordo com o Grupo AHQ inclui uma “avaliação mais aprofundada do grande potencial da família E2 como aeronave preferida para um novo projeto de companhia aérea na região”. Não está claro se este acordo está relacionado com os planos da nova companhia aérea.

Não há necessidade de jatos regionais
No passado, as companhias aéreas comerciais dos estados do Golfo evitaram os jatos regionais. As únicas exceções foram Gulf Air e Oman Air, que usaram E170 e E190 entre 2010 e 2013 e E175 entre 2011 e 2022.

A Salam Air será a primeira – e por enquanto única – operadora do E2 na região. A companhia aérea encomendou seis E195-E2, com entrega programada a partir de 2025.




27 julho, 2023

Fórum de Investimentos Brasil – Arábia Saudita: oportunidade para a Indústria de Defesa


*LRCA Defense Consulting - 27/07/2023

A Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) está promovendo o Fórum de Investimentos Brasil – Arábia Saudita, a acontecer entre os dias 31 de julho e 02 de agosto na sede da entidade. O convite foi enviado às entidades associadas e aos possíveis interessados.

O evento faz parte dos esforços da Arábia Saudita para estabelecer parcerias de investimentos com o setor privado de países de todo o mundo, diversificar sua economia e fortalecer sua posição como um centro de comércio internacional. No Brasil, serão discutidos os interesses dos sauditas nos produtos e serviços brasileiros, bem como as possibilidades de investimentos em alguns setores do país.

A importância do Fórum pode ser aquilatada pela participação do ministro de Investimentos do Reino da Arábia Saudita, Khalid Al Falih (foto), liderando a maior delegação saudita que o Brasil já recebeu, bem como pelas presenças do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, além de outras autoridades governamentais e empresários de importantes companhias brasileiras.

Segunda a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o evento é uma oportunidade única para promover investimentos e explorar potenciais parcerias em diversos setores.

Em março, uma delegação saudita também de alto nível visitou a Alemanha, quando os dois países lançaram em Berlim o Fórum de Investimentos Arábia Saudita - Alemanha, com a participação de governantes e empresas privadas, registrando a assinatura de vários acordos de investimento.

A transmissão do congresso será feita através do canal do YouTube da Federação das Indústrias de São Paulo.

 

A Indústria Brasileira de Defesa e a Arábia Saudita
A Indústria Brasileira de Defesa tem grandes interesses no Reino da Arábia Saudita e, nos dois últimos anos, já foram fechadas diversas parcerias com empresas desse país. De forma similar, a Arábia Saudita tem demonstrado forte interesse por produtos e serviços brasileiro desse setor.

De acordo com o portal Tactical Report, especializado em relatórios de defesa com ênfase em países árabes, em edição publicada no final de abril, espera-se que o Ministério da Defesa saudita inicie negociações com várias empresas brasileiras de defesa para diversificar o fornecimento de armas do Reino da Arábia Saudita. Além disso, segundo a fonte, o Reino considera prioritária a cooperação militar-industrial com o Brasil.

Em virtude desses fatos e da grande importância que a FIESP e a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira estão atribuindo ao  Fórum de Investimentos Brasil - Arábia Saudita, é possível esperar que outras parcerias possam ser anunciadas, à semelhança do que ocorreu na Alemanha em março.

Veja abaixo uma síntese das principais empresas brasileiras de Defesa presentes ou com interesses na Arábia Saudita.

Akaer
Na LAAD 2023, a Akaer, empresa brasileira com mais de 30 anos de atuação no desenvolvimento de tecnologias de ponta para os setores de Defesa e Aeroespacial, além de uma parceria com o Grupo Edge, promoveu uma outra com a empresa saudita Intra Defense Technologies para o desenvolvimento de drones naquele país.  As duas companhias estabeleceram um contrato para o desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (UAVs, na sigla em inglês) de grande porte para, inicialmente, atender as necessidades da Arábia Saudita. O projeto, no entanto, poderá se estender para outros países e regiões. Atualmente, a Intra opera UAVs na Arábia Saudita com grande sucesso, acumulando mais de 4 mil horas de voo em diferentes missões. A empresa parceira desenvolveu dois UAVs VTOL (que realizam pouso e decolagem /verticais), um dos quais foi exposto na LAAD Defense & Security.

Akaer estabelece parceria com empresa da Arábia Saudita para desenvolvimento de drones

Avibras
A Avibras exportou o Sistema Astros II para a Arábia Saudita em meados dos anos 80. Em novembro de 1985, a empresa fechou contrato para o fornecimento de dez baterias Astros II em um negócio de US$ 389 milhões, e esse país chegou a utilizá-lo na 1ª Guerra do Golfo contra as forças iraquianas, sob comando da coalizão liderada pelos Estados Unidos, com grande sucesso.

Enfrentando agora uma delicada situação financeira, um pesado investimento saudita poderia ser muito bem-vindo para a Avibras.

Militares brasileiros integrantes do Projeto Estratégico ASTROS 2020 em um intercâmbio com o Exército Saudita em 2014

Avionics Services
Durante a IDEX 2023 em Abu Dhabi, a empresa brasileira Avionics Services e a Arab Organization for Industrialization (AOI) firmaram um MoU (Memorando de Entendimento).

“O MoU que assinamos com a Organização Árabe para a Industrialização prevê o fechamento de contrato para prover serviços de manutenção especializada em helicópteros, bem como integração de sistemas embarcados, entre outros”, explicou João Vernini, Diretor Presidente da Avionics Services.

Atuando pelo desenvolvimento da indústria de defesa árabe no Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, a AOI busca  intensificar a cooperação e ampliar as parcerias com instituições e empresas internacionais na área de defesa.

Avionics Services firma Memorando de Entendimento com a árabe AOI na IDEX 2023

Embraer
Em entrevista ao portal Defense Here, em 26/04/2023, o CEO da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Junior, falou sobre os mercados de interesse da Embraer onde destacou a região do Oriente Médio, dizendo “Temos nosso escritório em Dubai desde 2009. Então vemos esta região, a região do Oriente Médio, como uma região muito importante e muito estratégica para a Embraer”. Ele também afirmou que a Embraer está buscando fortalecer suas parcerias com os países da região e ajudá-los a localizar tecnologias, acrescentando que “estamos buscando oferecer nossas soluções para a Arábia Saudita e também para os Emirados”.

Em julho de 2022, a Embraer Defesa & Segurança celebrou acordos de cooperação com a BAE Systems por meio de dois memorandos de entendimento (MoUs, na sigla em inglês) que visam ampliar a atuação das empresas no mercado global de defesa. O primeiro é voltado para promover o C-390 nos mercados do Oriente Médio (inicialmente no Reino da Arábia Saudita) e o outro confirma uma intenção de criar uma joint venture para desenvolver uma variante de defesa do veículo elétrico de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOL) da Eve.

Embraer C-390 pousando em pista não preparada, similar a de um deserto

IMBEL
A Indústria de Material Bélico do Brasil - IMBEL, participou da World Defense Show (WDS), uma das maiores feiras globais do setor, inaugurada no dia 6 de março em Riad, na Arábia Saudita. A participação da IMBEL decorreu do convite formulado pela empresa saudita Life Shield para, juntamente com a empresa brasileira NRS Defence Solutions Ltda., expor seu portfólio de produtos na feira, especialmente munições pesadas (mock-up) e materiais de comunicações e eletrônica.

Imbel e NRS Defence Solutions participam na World Defense Show na Arábia Saudita

Mac Jee
O Grupo Mac Jee instalou na Arábia Saudita uma moderna planta de material energético com capacidade de produção de 2 mil toneladas de TNT e 120 toneladas de RDX, onde tem tecnologia para adaptar a capacidade de fabricação de acordo com a necessidade de cada cliente. A estrutura montada na Arábia Saudita possui aproximadamente 500 mil metros quadrados e está localizada dentro da Saudi Chemical Company Limited (SCCL), a maior empresa de produção de energia civil e militar do país.

No início de 2022, um dos protótipos do Armadillo foi avaliado na Arábia Saudita. Trata-se de um dos lançadores de foguetes mais leves, compactos e rápidos do mercado global, projetado e desenvolvido para condições extremas de operação.

Durante a participação na World Defense Show, em março de 2022,  a Mac Jee anunciou a assinatura de um acordo de parceria com o Ministério de Investimento da Arabia Saudita, passando a integrar um seleto grupo de empresas brasileiras aptas a cooperar no fomento das tecnologias de fabricação e desenvolvimento de sistemas, transferência de tecnologia, entre outras colaborações importantes para indústria de defesa.

Mac Jee firma parceria com o Ministério de Investimento da Arábia Saudita

Ocellott
A Ocellott assinou, em outubro de 2022, um MoU (Memorandum of Understanding) com a MISA (Ministério do Investimento da Arábia Saudita). O objetivo do acordo é a aplicação de investimentos no desenvolvimento de baterias de propulsão para aeronaves elétricas, os eVTOLs (Electric vertical take-off and landing). Essa iniciativa está alinhada com o foco de investimentos da Arábia Saudita em aviação e eletrificação, assim como no desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão para o país.

Sobre a assinatura do acordo, o CEO Ocellott, Henrique Lemos, comentou: “A assinatura desse acordo é um passo importante na relação entre Ocellott e a Arábia Saudita, mas também um estreitamento da relação entre a Arábia Saudita e o Brasil, principal país da América Latina. Oferecemos uma colaboração tecnológica robusta e tecnologia aeroespacial de ponta que está alinhada a visão da Invest Saudi em desenvolver uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão no Reino da Arábia Saudita.”

Ocellott assina acordo com o Ministério do Investimento da Arábia Saudita

Taurus Armas e CBC
Em 30 de dezembro de 2021, a Taurus Armas S.A. celebrou um contrato para constituição de joint venture com sua coligada Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), como parte das estratégias de internacionalização de suas operações visando fomentar negócios e oportunidades na Arábia Saudita. Com o nome de Companhia Brasileira de Cartuchos Taurus Arabia Holding, LLC., a  joint venture tem como principal objetivo possibilitar a busca e antevisão mais eficiente de oportunidades de negócios neste mercado relevante, especialmente considerando os planos do governo do país para estabelecer uma base industrial de defesa local, no âmbito da estratégia denominada “Visão 2030”.

Após a abertura de um escritório regional da empresa na Arábia Saudita em 2022, a Taurus Armas S.A. deu mais um importante passo no país, assinando um contrato com a empresa SEPHA Military Industries Company no dia 04 de julho. O contrato prevê a distribuição e o agenciamento das armas leves da Taurus para os mercados Militar e Policial no território da Arábia Saudita. 

A SEPHA Industries Co. LLC é uma proeminente empresa de defesa no Reino da Arábia Saudita que contribui diretamente para o plano estratégico Vision 2030 criando indústrias militares orgânicas, modernizando as Forças Armadas Sauditas e alcançando a defesa global e o mercado de segurança em parceria com empresas líderes mundiais.

A SEPHA é controlada pelo poderoso grupo Ajlan & Bros. Holding, fundado em 1979 (como holding, em 2017), que  detém participação em mais de 75 empresas que empregam cerca de 15.000 colaboradores em mais de 25 países e possui ativos que ultrapassam 15 bilhões de dólares, sendo um conglomerado atuante em diversos setores estratégicos, além de ter parcerias com mais de 100 empresas ao redor do mundo.

O estabelecimento de uma subsidiária na Arábia Saudita e o interesse da Taurus e da CBC na região estão em consonância com os planejamentos estratégicos das duas empresas, haja vista que o mais rico, poderoso e estratégico país do Oriente Médio passou a desenvolver uma política industrial de defesa bastante similar à da Índia, onde ambas já possuem fábricas.

HE Khalid A. Al-Falih, Ministro do Investimento da Arábia Saudita, visita o estande da CBC e Taurus durante o World Defense Show, na Arábia Saudita

WEG
Foi inaugurado no dia 31 de março de 2022, na Arábia Saudita, a maior planta de dessalinização de água marinha do mundo, a Rabigh 3, da qual a WEG participou como fornecedora de motores e inversores de frequência. O êxito do projeto foi homenageado e reconhecido pelo Guinness World Records como “maior instalação de dessalinização por osmose reversa do mundo”.

Tida como um dos subsegmentos em crescimento dentro da plataforma de Alimentos e Bebidas, a aquicultura dá à WEG a possibilidade de utilizar seus produtos nas mais diversas aplicações. Prova disso é o fornecimento feito pela Operação Comercial da WEG no Equador, em parceria com a fabricante equatoriana de bombas Delta Delfini, para um projeto de fazenda de camarão na Arábia Saudita.

WEG participou como fornecedora da maior planta de dessalinização do mundo na Arábia Saudita

Saiba mais:
- Arábia Saudita está priorizando a cooperação militar-industrial com o Brasil? Akaer, Avibras, CBC, Embraer, Taurus...

- Taurus assina contrato de distribuição na Arábia Saudita

- Taurus poderá fechar importante negócio na Arábia Saudita e Emirados

- Taurus e CBC no rumo da Arábia Saudita

22 setembro, 2024

Parceria disruptiva entre Arábia Saudita e Embraer visa impulsionar a indústria aeroespacial do país


*Might Travels - 19/09/2024

A Arábia Saudita está avançando com uma nova companhia aérea regional projetada para impulsionar as viagens dentro do país e potencialmente expandir para a África. Este movimento é parte de um esforço maior para aumentar drasticamente o setor de aviação do reino, visando lidar com impressionantes 330 milhões de passageiros até 2030.

Parceria com a Embraer pode abalar o mercado
A companhia aérea, possivelmente apelidada de RIA, busca estabelecer Riad como um grande player no cenário da aviação regional, desafiando o domínio dos hubs existentes. Esta nova iniciativa é alimentada por financiamento substancial e uma parceria com a Embraer, que visa reforçar a indústria aeroespacial doméstica e criar um grande número de empregos, excedendo 200.000 até 2030. Embora o plano seja ousado, atingir a data de lançamento operacional projetada pode ser difícil, sugerindo potenciais obstáculos no futuro.

A ambição da Arábia Saudita de estabelecer uma nova companhia aérea regional, potencialmente chamada de RIA, usando os E-Jets da Embraer, sugere uma mudança fascinante no cenário de viagens aéreas domésticas do reino. A eficiência de combustível e a flexibilidade operacional dessas aeronaves são particularmente intrigantes, permitindo que cheguem a aeroportos menores dentro do vasto país, talvez até mesmo fomentando a atividade econômica em regiões anteriormente mal atendidas. Este novo participante, apoiado pelo Fundo de Investimento Público, pode abalar o mercado.

Embora a alegação de reduzir significativamente os preços médios dos voos domésticos seja encorajadora, ainda não se sabe o quão eficaz esta companhia aérea pode ser em injetar concorrência e impactar os preços dentro de um mercado potencialmente regulamentado. Vale a pena notar a reputação dos E-Jets da Embraer por custos de manutenção relativamente baixos. Se a companhia aérea puder traduzir com sucesso esses benefícios operacionais em uma estrutura de tarifas mais competitiva, isso pode ser um grande ponto positivo para os viajantes.

A Arábia Saudita, apesar de seu tamanho e força econômica, fica para trás em termos de disponibilidade de voos domésticos per capita. Não há dúvida de que esta nova iniciativa aborda uma lacuna clara em sua infraestrutura e um potencial catalisador para o crescimento. O plano de desenvolver uma força de trabalho de aviação baseada na Arábia Saudita, incluindo engenheiros e técnicos qualificados, também é notável. Se este aspecto da parceria com a Embraer for realmente bem-sucedido, ela poderá construir uma indústria de aviação mais independente e autossuficiente ao longo do tempo.

Visão 2030 e hábitos de viagem
O alinhamento com as metas mais amplas da Visão 2030 é claro. Aumentar as viagens domésticas do seu nível atual para os 50% projetados é ambicioso. Vale a pena questionar quão efetivamente uma nova companhia aérea pode lidar com os hábitos de viagem arraigados dos cidadãos sauditas. Isso também levanta questões sobre o ecossistema de transporte mais amplo e a influência que as conexões ferroviárias e rodoviárias terão na viabilidade das viagens aéreas entre cidades.

O conceito proposto de refeições a bordo “sabor da região” é intrigante. No entanto, o sucesso provavelmente dependeria de uma execução cuidadosa, pois as preferências da culinária local podem ser bastante diversas dentro do país. Se a companhia aérea consegue capturar e apresentar com precisão a essência da comida regional, ao mesmo tempo em que oferece uma experiência gastronômica positiva e consistente, é algo a ser observado. Se essa iniciativa criar raízes, pode ser uma adição bem-vinda à experiência de viagem aérea, criando um caráter regional distinto que os viajantes podem abraçar. O sucesso da nova companhia aérea dependerá não apenas de sua relação custo-benefício, rotas de voo e experiência do passageiro, mas dos esforços contínuos do governo para gerenciar todo o setor aéreo estrategicamente.

Decisão de usar jatos Embraer E2
A decisão da nova companhia aérea regional da Arábia Saudita de utilizar os jatos Embraer E2 ressalta uma ênfase clara na eficiência econômica e na experiência do passageiro. Essas aeronaves são elogiadas por suas melhorias na eficiência de combustível, potencialmente alcançando até 16% de desempenho melhor em comparação às gerações anteriores. Esse foco na economia de combustível pode se traduzir em economias de custo significativas para a companhia aérea, tornando as operações mais sustentáveis ​​a longo prazo. Além disso, a série E2 foi projetada com o conforto do passageiro em mente, incluindo recursos como filtragem avançada do ar da cabine para melhor qualidade do ar e motores mais silenciosos para uma viagem mais relaxante.

A capacidade desses jatos de operar em aeroportos menores pode ser fundamental para atender às necessidades de um país geograficamente diverso como a Arábia Saudita. Ao conectar comunidades menores com viagens aéreas, a nova companhia aérea pode ser capaz de promover o desenvolvimento econômico em regiões anteriormente mal atendidas. Se a companhia aérea pode efetivamente aproveitar essas oportunidades potenciais dependerá muito de sua gestão, sua rede de rotas e quão bem ela se adapta às necessidades e expectativas de seu público-alvo. Cumprir a promessa de maior conforto para os passageiros e operações eficientes será a chave para o sucesso da companhia aérea nos próximos anos.

A seleção dos jatos Embraer E2 para a nova companhia aérea regional da Arábia Saudita é motivada por uma combinação de fatores, incluindo eficiência de combustível e conforto para os passageiros. O programa E2, um esforço de modernização lançado após a série inicial de E-Jet entrar em serviço em 2004, incorpora avanços significativos.

O uso de motores Pratt & Whitney PW1900G na série E2 proporciona notável eficiência de combustível e níveis de ruído reduzidos em comparação com motores de aeronaves regionais anteriores. As alegações da Embraer de até 16% de melhoria na eficiência de combustível são dignas de nota, potencialmente levando a consideráveis ​​economias de custos e reduções nas emissões de carbono — possivelmente até 30% ao substituir modelos mais antigos e menos eficientes.

O modelo E195-E2, em particular, se destaca por sua capacidade de passageiros e alcance, sugerindo que foi escolhido propositalmente para atender a certas necessidades de mercado e requisitos operacionais, particularmente para regiões carentes. Um alcance de 2.600 milhas náuticas (4.815 km) permite que a companhia aérea conecte potencialmente vários destinos regionais sem a necessidade de paradas intermediárias frequentes, aumentando a flexibilidade operacional e oferecendo melhor alcance de rede.

No entanto, avaliar tais alegações criticamente revela que certos aspectos operacionais são essenciais. Alcançar uma redução de 30% na pegada de carbono depende de padrões de voo específicos e da substituição de aeronaves existentes pela nova frota E2. Surge uma questão sobre o impacto geral na frota existente e se uma transição rápida é prática, dadas as complexidades operacionais e potenciais obstáculos logísticos.

O design da cabine do E2 enfatiza o conforto do passageiro. A incorporação de janelas grandes e um ambiente de cabine redesenhado e mais silencioso pode ser crucial para a satisfação do passageiro. Embora o arranjo de assentos 2-2 do modelo E195-E2 na classe econômica ofereça mais espaço, sua viabilidade em relação aos fatores de carga gerais ainda precisa ser vista. Maiores capacidades de passageiros nesta configuração de aeronave podem exigir que a companhia aérea opere frequências mais altas para otimizar a eficiência operacional.

A ênfase da série E2 na qualidade do ar da cabine, conforme refletido pelos filtros HEPA, é notável. A capacidade de renovar o ar com a frequência de 20 minutos indica um foco na saúde do passageiro, mas ainda precisa ser visto se os passageiros realmente apreciam ou mesmo percebem esses benefícios sutis.

Os jatos E2 são caracterizados por melhorias aerodinâmicas, decorrentes do design otimizado da asa e winglets. Essa melhoria na eficiência aerodinâmica resulta em uma maior relação sustentação-arrasto, oferecendo um ganho notável na eficiência de combustível. A capacidade dos jatos de operar em pistas relativamente curtas também é notável, potencialmente expandindo o acesso a aeroportos regionais que, de outra forma, seriam desafiadores de atender usando aeronaves maiores.

Essa tecnologia avançada também melhora os aspectos operacionais da aeronave, reduzindo as necessidades de manutenção, simplificando potencialmente o treinamento e tornando a aeronave mais atraente para transportadoras regionais menores com infraestrutura de suporte menos especializada.

Promoção do desenvolvimento de uma indústria aeroespacial local
Finalmente, a parceria com a Embraer não se trata simplesmente de introduzir um novo tipo de aeronave. Ela visa promover o desenvolvimento de uma indústria aeroespacial local. Em outras palavras, a Arábia Saudita tem um objetivo estratégico claro para apoiar a manutenção futura, engenharia e desenvolvimento de força de trabalho qualificada por meio dessa colaboração. O sucesso da iniciativa mais ampla dependerá da eficácia desses esforços de construção da indústria tanto quanto do desempenho das próprias aeronaves.

A colaboração da Arábia Saudita com a Embraer e vários parceiros está focada na construção de uma robusta cadeia de suprimentos aeroespaciais local, um elemento-chave na estratégia de diversificação econômica mais ampla do reino. Esta iniciativa envolve o estabelecimento de um centro regional de manutenção, reparo e revisão (MRO) e o desenvolvimento de uma academia aeroespacial especializada para nutrir profissionais qualificados. Por meio do compartilhamento de tecnologia e da qualificação da força de trabalho local, a parceria visa criar um setor aeroespacial doméstico mais autossuficiente. É um passo crucial para a ambição da Arábia Saudita de se tornar líder no setor aeroespacial, mas seu sucesso depende da implementação eficaz dessas iniciativas.

O aumento dos gastos militares do reino pode alimentar ainda mais esses esforços, embora o monitoramento rigoroso dos resultados seja essencial para realmente promover uma indústria sustentável e autossuficiente. Em última análise, a capacidade de cultivar com sucesso um forte ecossistema aeroespacial local impactará significativamente tanto o cenário econômico quanto o futuro das viagens regionais na Arábia Saudita.

A colaboração entre a Arábia Saudita, a Embraer e outras entidades como o National Industrial Development Center (NIDC) e a Saudi Arabian Military Industries (SAMI) é um esforço multifacetado para nutrir uma indústria aeroespacial nacional. Esta iniciativa, vinculada às metas de diversificação econômica Vision 2030 da Arábia Saudita, está focada na construção de uma robusta cadeia de suprimentos aeroespaciais locais. Um componente importante desta visão é a criação de uma nova companhia aérea regional, potencialmente chamada de RIA, usando os jatos E2 da Embraer. Esta estratégia visa estimular a economia nacional gerando mais de 200.000 empregos até 2030, impactando diretamente o mercado de trabalho e possivelmente moldando as carreiras no setor aeroespacial.

Mais estabilidade econômica e resiliência
A nova companhia aérea e a iniciativa aeroespacial mais ampla pretendem reduzir a dependência da Arábia Saudita de fornecedores internacionais. A criação de uma capacidade doméstica pode promover mais estabilidade econômica e resiliência. Os jatos E2 da Embraer escolhidos para a companhia aérea são particularmente adequados à geografia da Arábia Saudita. Sua capacidade de usar aeroportos menores abre opções de viagens aéreas para uma gama maior de comunidades, com o potencial de estimular o turismo e a atividade econômica em áreas mais remotas. Essas aeronaves oferecem melhorias na eficiência de combustível, o que pode se traduzir em benefícios financeiros para a companhia aérea e até mesmo preços reduzidos de passagens para os viajantes.

Curiosamente, o design do E2 inclui recursos voltados para o conforto do passageiro, como sistemas avançados de filtragem de ar e um ambiente de cabine mais silencioso. A eficácia dessas medidas em melhorar a experiência de viagem ainda está para ser vista. Embora esses aspectos da experiência do passageiro possam atrair alguns, seu impacto nas escolhas de viagem ainda é uma questão em aberto. O alcance impressionante do E2, permitindo voos sem escalas em grandes distâncias, pode remodelar a conectividade regional ao oferecer opções de viagem mais rápidas entre destinos, tornando a viagem mais prática e eficiente.

O programa E2, com seu foco em aerodinâmica aprimorada e redução nos níveis de ruído, reflete uma mudança na tecnologia. No entanto, a mudança operacional de transição para essa nova frota e estabelecimento da infraestrutura de manutenção e reparo será crucial. A concretização dos benefícios previstos depende do planejamento eficaz da rota, do gerenciamento dos desafios de integração de uma nova frota e do convencimento do público a adotar essa nova companhia aérea. Além disso, o plano depende da criação de uma força de trabalho doméstica competente que possa lidar com manutenção de aeronaves, reparos e outras tarefas de engenharia aeroespacial.

Infraestrutura robusta para manutenção e reparo
Se a Arábia Saudita pode transformar com sucesso o setor aeroespacial por meio do desenvolvimento de capacidade e experiência locais ainda está para ser visto. Exigirá mais do que apenas a aquisição de novas aeronaves. Exige o estabelecimento de uma infraestrutura robusta para manutenção e reparo, treinamento de uma força de trabalho especializada e a integração bem-sucedida da nova companhia aérea no cenário de aviação existente. Este empreendimento é uma aposta ousada no futuro, mas o nível de seu sucesso ainda está para ser visto. Será atraente observar como esses planos se desenvolvem e o impacto que eles têm nas viagens regionais, no turismo e no emprego local.

A iniciativa Vision 2030 da Arábia Saudita está ganhando força por meio de sua colaboração tecnológica com a Embraer. Esta parceria foi projetada para reforçar a indústria aeroespacial emergente do país, com foco específico na nova companhia aérea regional que planeja utilizar os jatos E2 de baixo consumo de combustível da Embraer. Além de simplesmente introduzir novas aeronaves, esta parceria visa desenvolver uma forte cadeia de suprimentos aeroespacial local e cultivar uma força de trabalho qualificada.

A esperança é criar uma indústria de aviação mais sustentável e competitiva, que ofereça uma melhor experiência de viagem por meio de maior eficiência da aeronave e conforto dos passageiros. Será interessante ver se este plano ambicioso pode atingir seus objetivos, à medida que o reino enfrenta os obstáculos consideráveis ​​de transformar seu cenário de aviação enquanto lida com a dinâmica de mercado existente e talvez interesses arraigados.

Movimento estratégico muito mais profundo
A colaboração da Arábia Saudita com a Embraer, embora aparentemente focada em estabelecer uma nova companhia aérea regional, é um movimento estratégico muito mais profundo em direção ao desenvolvimento de uma indústria aeroespacial nacional. Esta iniciativa, firmemente enraizada no plano Vision 2030, visa transferir conhecimento tecnológico para engenheiros sauditas, equipando-os com as habilidades para gerenciar a manutenção e o suporte para aeronaves avançadas. Essa transferência de conhecimento é essencial para a Arábia Saudita construir um setor aeroespacial independente e reduzir a dependência de suporte estrangeiro.

A aeronave Embraer E2, central para esse plano, ostenta um cockpit inovador equipado com aviônicos avançados. Essa tecnologia moderna fornece maior consciência situacional para os pilotos, aumentando potencialmente a segurança e a eficiência operacional dentro do mercado de aviação saudita em evolução. As melhorias de segurança são especialmente cruciais, pois essa nova companhia aérea, potencialmente a RIA, busca expandir as conexões aéreas domésticas e potencialmente regionais.

Essa parceria tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico regional, particularmente com o desenvolvimento planejado de um centro de manutenção, reparo e revisão (MRO). O estabelecimento desse centro criará não apenas empregos relacionados à aviação, mas também gerará oportunidades em indústrias aliadas, como logística e turismo. Esse impacto econômico mais amplo pode estimular o crescimento em áreas anteriormente mal atendidas por viagens aéreas, promovendo um efeito cascata em toda a economia.

A eficiência de combustível do E2, com alegações de até 16% de redução no consumo de combustível em comparação com modelos mais antigos, é um recurso atraente que pode impactar significativamente os custos operacionais das companhias aéreas. Se essas eficiências se traduzirem em economias no mundo real, a nova companhia aérea pode ser capaz de oferecer preços de passagens mais competitivos em um mercado historicamente de alto custo. Esse desenvolvimento pode mudar o cenário de viagens no reino e pode remodelar as expectativas dos viajantes relacionadas às tarifas aéreas.

Plano maior de desenvolvimento de infraestrutura
Além disso, as aspirações da Arábia Saudita para a companhia aérea coincidem com um plano maior de desenvolvimento de infraestrutura, que inclui o estabelecimento de 24 novos aeroportos até 2030. Essa expansão pode remodelar significativamente as viagens aéreas regionais, distribuindo efetivamente os passageiros e reduzindo a pressão sobre os principais hubs existentes. A maior conectividade de rede aumentará a posição do reino como um potencial centro regional de viagens aéreas.

A capacidade do E2 de usar pistas mais curtas tornará as viagens aéreas acessíveis a muitas comunidades remotas, anteriormente inacessíveis ou mal atendidas por aeronaves maiores. O desenvolvimento de conexões aéreas para áreas mais remotas tem um potencial significativo para o desenvolvimento do turismo regional. Vale a pena explorar se essa iniciativa pode promover com sucesso áreas menos conhecidas na Arábia Saudita, levando à diversificação econômica nessas regiões.

A incorporação de sistemas avançados de filtragem de ar nos E2s, prometendo ar fresco a cada 20 minutos, visa melhorar significativamente a saúde e o conforto dos passageiros. Embora não seja exclusivo, esse é um recurso que enfatiza o bem-estar dos passageiros, principalmente devido ao foco crescente na qualidade do ar em espaços confinados. Ainda não se sabe se esse detalhe específico será um fator decisivo para os passageiros na seleção dessa nova companhia aérea.

As 330 milhões de viagens anuais de passageiros previstas dentro do reino até 2030 destacam a magnitude desse esforço. Esse empreendimento pode mudar não apenas o cenário de viagens aéreas domésticas, mas potencialmente reposicionar a Arábia Saudita como um centro de trânsito regional, capaz de competir com outros mercados de viagens estabelecidos. Essa meta ambiciosa exige a execução completa de infraestrutura e desenvolvimento de pessoal para gerenciar efetivamente o fluxo de passageiros e fornecer uma experiência de viagem positiva.

A academia aeroespacial, também um pilar dessa parceria, visa criar um pipeline de profissionais aeroespaciais altamente qualificados. Isso permitirá que a Arábia Saudita atenda à demanda por técnicos e engenheiros especializados. Na verdade, o programa coloca a Arábia Saudita no mapa global de centros de treinamento aeroespacial. A extensão em que os graduados são capazes de atender à nova frota de aeronaves e garantir a segurança e a confiabilidade operacional ainda está para ser vista.

Essa iniciativa representa mais do que apenas o desenvolvimento de uma nova companhia aérea. Ela significa uma mudança cultural em como a aviação é vista e utilizada na Arábia Saudita. Se bem-sucedido, o plano pode tornar as viagens aéreas mais acessíveis e adaptáveis ​​a uma parcela maior da população. É provável que o aumento do turismo doméstico e dos hábitos de viagem também evoluam como consequência desse plano de desenvolvimento mais amplo. Essa mudança em direção ao aumento da conectividade e da mobilidade pode mudar o jogo no mercado de viagens domésticas da Arábia Saudita.

Espera-se que a nova companhia aérea regional e sua parceria com a Embraer aumentem significativamente as oportunidades de emprego no setor aeroespacial da Arábia Saudita, especialmente para cidadãos sauditas. Um componente essencial desse esforço é a criação de uma academia aeroespacial dedicada, com o objetivo de cultivar uma força de trabalho qualificada em engenharia e outras funções técnicas. Isso se alinha com as ambições maiores da Arábia Saudita de criar uma indústria aeroespacial doméstica robusta, potencialmente levando a cerca de 200.000 novos empregos até 2030.

Líder na indústria aeroespacial regional em parceria com a Embraer
A meta do reino é se tornar um líder na indústria aeroespacial regional, e desenvolver uma força de trabalho qualificada capaz de dar suporte a esse crescimento será fundamental. Embora essa iniciativa tenha a promessa de criar um grande número de empregos, é importante ver o quão bem esses planos são implementados e se eles se traduzem em carreiras tangíveis e de longo prazo para os trabalhadores sauditas. A capacidade de desenvolver uma indústria aeroespacial verdadeiramente sustentável e independente na Arábia Saudita dependerá do sucesso desses esforços para construir uma força de trabalho doméstica forte.

A indústria aeroespacial da Arábia Saudita está passando por um período de rápido crescimento, alimentado por planos de expansão ambiciosos e um foco significativo na criação de oportunidades para cidadãos sauditas. A nova parceria com a Embraer, que verá a introdução de uma nova companhia aérea regional, é central para esse esforço. Prevê-se que a iniciativa contribuirá para mais de 200.000 novos empregos até 2030, principalmente em áreas como engenharia e funções técnicas. Um elemento-chave dessa estratégia é o desenvolvimento de um centro local de manutenção, reparo e revisão (MRO), que visa treinar e equipar engenheiros e técnicos sauditas com a experiência para manter a frota Embraer E2.

Essa mudança visa reduzir a dependência da Arábia Saudita do suporte estrangeiro de MRO, promovendo assim maior independência no setor de aviação. Juntamente com o centro de MRO, o estabelecimento de uma academia aeroespacial dedicada desempenhará um papel crucial na educação das futuras gerações de profissionais aeroespaciais sauditas. Essa academia fornecerá um ambiente de aprendizagem estruturado, equipando os graduados com as habilidades necessárias para contribuir com a tecnologia avançada e os requisitos operacionais dessa nova era da aviação. O projeto mais amplo está bem alinhado com os esforços da Arábia Saudita para diversificar sua economia, afastando-a de uma forte dependência do petróleo. Aproveitando a vantagem geográfica do país, o plano visa promover o crescimento não apenas na indústria aeroespacial, mas também em setores associados, como turismo e logística.

Os jatos Embraer E2 representam uma parte significativa da estratégia, especialmente considerando sua flexibilidade operacional. Sua capacidade de operar eficientemente em pistas mais curtas abre oportunidades para conectar vários aeroportos menores e remotos, antes mal atendidos por viagens aéreas. Essa conectividade aprimorada melhorará o acesso a viagens aéreas para comunidades em todo o país, potencialmente estimulando o crescimento econômico nessas áreas. A entrada de uma nova companhia aérea regional, baseada nos E2s, tem o potencial de impactar o mercado de viagens aéreas existente, desafiando as transportadoras existentes e potencialmente reduzindo as tarifas, o que seria um grande desenvolvimento em um mercado que historicamente teve custos relativamente altos.

Além disso, os jatos E2 incorporaram filtragem avançada de ar de cabine, um elemento de design que sinaliza uma mudança de foco para melhorar o bem-estar e o conforto dos passageiros. A capacidade de fornecer ar fresco na cabine a cada 20 minutos é significativa. É provável que seja um recurso diferenciador na experiência geral de viagem, potencialmente impactando a escolha dos passageiros. No entanto, ainda não se sabe se os passageiros perceberão esse nível de qualidade do ar da cabine como um fator crucial na seleção de uma companhia aérea.

O foco da parceria na transferência de tecnologia da Embraer é vital. Ela foi projetada para garantir que os engenheiros sauditas possam gerenciar efetivamente operações avançadas de aeronaves, levando a uma indústria aeroespacial mais robusta e autossuficiente. O sucesso da iniciativa depende dessa capacidade de construir capacidade local. A ascensão prevista nas viagens aéreas domésticas, com uma projeção de 330 milhões de viagens de passageiros até 2030, e uma rede mais ampla de 24 novos aeroportos até 2030 é um grande empreendimento. Ela visa conectar o reino a um número maior de destinos, criando novas oportunidades para turismo e negócios. 

Espera-se que esse impulso em direção a uma maior conectividade estimule a economia local, criando um efeito cascata em diversos setores. Em última análise, esta iniciativa está diretamente ligada aos objetivos da Visão 2030 do reino, visando posicionar a Arábia Saudita como um grande player no mercado global de aviação. É um empreendimento complexo e ambicioso, com potencial para remodelar o cenário da aviação na região. Embora este plano ousado seja muito promissor, o grau real de sucesso e os vários desafios envolvidos na execução ainda estão para ser vistos.

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Nota da LRCA Defense Consulting
Em que pese o otimismo do autor da matéria acima e o fato de a Embraer já ter firmado diversos acordos preparatórios e importantes com instituições públicas e privada sauditas dos setores de fomento e aeroespacial (vide o "saiba mais"), esta Consultoria acredita que a gigante brasileira ainda terá que vencer a acirrada concorrência da Boeing e da Airbus, ambas fortemente inseridas no mercado local.

No entanto, caso vença, será uma conquista realmente disruptiva, haja vista que penetrará de maneira decisiva em um mercado regional enorme, quase tão significativo quanto o indiano, onde também tem grandes chances.

Saiba mais:
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*Imagens e grifos da LRCA Defense Consulting

23 setembro, 2023

O Embraer C-390 pode estar próximo de aterrisar na Arábia Saudita...


*LRCA Defense Consulting - 23/09/2023

A publicação "Relatório Reservado", em artigo para assinantes com data de ontem (22), divulgou em manchete: "Embraer negocia venda de aviões militares para a Arábia Saudita", citando a aeronave multimissão "KC-390" como objeto do negócio.

Esta possibilidade vem sendo noticiada por esta Consultoria desde o ano passado, quando surgiram os  indícios mais fortes das negociações, assim como também mais recentemente, quando da visita de uma delegação saudita ao Brasil.

Ministro Saudita: foi firmada uma Parceria Público Privada com a Embraer
Por ocasião da visita da maior delegação do Reino da Arábia Saudita que já esteve no Brasil - liderada por Khalid Al Falih, Ministro do Investimento desse país - ocorreu o Fórum de Investimentos Brasil / Arábia Saudita, realizado na FIESP no dia 31 de julho último. Neste evento, ficou no ar uma parceria com a Embraer citada pelo ministro saudita em seu discurso. Segundo afirmou (vídeo abaixo), ele visitaria a Embraer, com quem teria sido firmada uma Parceria Público Privada.

No entanto, nada foi divulgado posteriormente. Consultadas sobre a visita e a parceria citada, tanto a Embraer como sua agência de divulgação não ofereceram uma resposta sobre o assunto.


No mesmo período do Fórum de Investimentos Brasil / Arábia Saudita, durante uma conversa sobre voos para países árabes, o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, embaixador Osmar Chohfi, sugeriu que a Arábia Saudita comprasse aeronaves brasileiras para seus voos domésticos, e o secretário-geral adjunto da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Arábia Saudita (FSC), Waleed Alorainan, disse que estava conversando com a Embraer.

Paris Air Show
Por ocasião do Paris Air Show, realizado em junho deste ano, com a presença da Embraer e da SCOPA Defense, a empresa saudita ilustrou sua participação no evento com um vídeo. Além de muitos registros de aeronaves e helicópteros da Airbus, com quem a empresa fechou um grande contrato recentemente, um deles mostrou a aeronave multimissão Embraer KC-390.

Nessa Feira, o CEO de Defesa e Segurança da empresa saudita, Fawaz Fahad Alakeel, publicou em uma mídia social:
- "Estamos entusiasmados em anunciar que a SCOPA Defense finalizou com sucesso acordos com algumas das maiores e mais significativas empresas em todo o mundo, graças ao trabalho árduo e dedicação de nossa equipe. As reuniões foram um grande sucesso e estamos ansiosos para colaborações frutíferas no futuro. Estamos orgulhosos de ter tido a oportunidade de mostrar nossos planos e soluções. O feedback que recebemos foi inestimável e já estamos trabalhando para melhorar e desenvolver ainda mais. Obrigado a todos que nos apoiaram e à nossa equipe por seus esforços incansáveis. Fique de olho nas futuras atualizações e desenvolvimentos da SCOPA Defense!"

Cena do vídeo de divulgação da SCOPA no Paris Air Show

Oriente Médio: região muito importante e muito estratégica para a Embraer
Em entrevista ao portal Defense Here, em 26/04/2023, o CEO da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Junior, falou sobre os mercados de interesse da Embraer onde destacou a região do Oriente Médio, dizendo “Temos nosso escritório em Dubai desde 2009. Então vemos esta região, a região do Oriente Médio, como uma região muito importante e muito estratégica para a Embraer”. Ele também afirmou que a Embraer está buscando fortalecer suas parcerias com os países da região e ajudá-los a localizar tecnologias, acrescentando que “estamos buscando oferecer nossas soluções para a Arábia Saudita e também para os Emirados”.

Acordo com a BAE Systems: promoção do C-390 na Arábia Saudita
Em julho de 2022, a Embraer Defesa & Segurança celebrou acordos de cooperação com a BAE Systems por meio de dois memorandos de entendimento (MoUs, na sigla em inglês) que visam ampliar a atuação das empresas no mercado global de defesa. O primeiro é voltado para promover o C-390 nos mercados do Oriente Médio (inicialmente no Reino da Arábia Saudita) e o outro confirma uma intenção de criar uma joint venture para desenvolver uma variante de defesa do veículo elétrico de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOL) da Eve.

Além destes, ainda há interesse da Arábia Saudita, Argentina, Colômbia, Chile, Marrocos, Tunísia e Argélia, podendo chegar aos Estados Unidos.

Avalanche de vendas?
A Áustria divulgou, no dia 20 de setembro, que pretende adquirir quatro C-390 para equipar sua Força Aérea, juntando-se a Portugal, Holanda e Hungria, todos exigentes países europeus que já selecionaram a aeronave multimissão da Embraer como seu meio aéreo para transporte militar e reabastecimento em voo, descartando as versões do americano Hercules C-130 (Lockheed Martin) que, até agora, era o preferido para estas e outras missões.

No entanto, informações de hoje dão conta de que a venda teria sido de 10 aeronaves, sendo cinco para a Holanda (já acertada anteriormente, mas não concretizada) e cinco para a Áustria, perfazendo um total de aproximadamente 1 bilhão de euros (cerca de R$ 5,3 bilhões).

Como há mais de uma dúzia de países interessados, é possível que se configure o cenário de uma verdadeira avalanche de pedidos na esteira da Áustria, haja vista que, quem primeiro fizer um pedido firme, obviamente terá a preferência no recebimento.

15 junho, 2026

Embraer e Arábia Saudita: uma parceria que continua em construção

Desde 2022, a Embraer acumulou com a Arábia Saudita um dos mais densos portfólios de acordos de cooperação já firmados com um único país fora da Europa e da América do Norte. Ao contrário do que muitos pensam, as negociações continuam...

Imagem meramente representativa feita com IA pela LRCA

*LRCA Defense Consulting - 15/06/2026

Memorandos de entendimento nos três eixos do negócio aeroespacial - defesa, aviação comercial civil e mobilidade aérea urbana - refletem o peso que o reino assumiu na estratégia global da fabricante brasileira, impulsionado pela iniciativa saudita Vision 2030. Mas o caminho entre intenções e contratos ainda não foi concluído, e pelo menos um dos eixos perdeu tração recente.

O ponto de partida: Vision 2030 e a janela de oportunidade
A Arábia Saudita decidiu, com a Vision 2030, substituir a dependência do petróleo por uma base industrial e de serviços capaz de gerar até 50% do PIB nacional por meios não ligados ao hidrocarboneto. O setor aeroespacial foi identificado como prioritário: novos operadores aéreos, expansão de rotas, localização de manutenção e montagem de aeronaves. Para a Embraer, isso significou a abertura de um mercado que historicamente havia resistido às aeronaves regionais menores.

A aproximação formal começou em julho de 2022, quando a Embraer Defesa & Segurança firmou com a BAE Systems dois memorandos de entendimento, um dos quais voltado especificamente para promover o C-390 Millennium nos mercados do Oriente Médio, com foco inicial na Arábia Saudita. Era, então, uma estratégia de parceria com um integrador local para contornar as barreiras de acesso a um mercado dominado por fornecedores norte-americanos e europeus.

O pico de 2023: acordos em série e a visita de Lula
O ano de 2023 marcou a aceleração das negociações. Em julho, a maior delegação saudita já recebida no Brasil e liderada pelo ministro do Investimento, Khalid Al Falih, visitou o país e participou do Fórum de Investimentos Brasil/Arábia Saudita na Fiesp. O ministro mencionou em discurso uma parceria com a Embraer, sem que detalhes fossem divulgados posteriormente. Em agosto, durante visita da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, representantes sauditas confirmaram conversas em andamento com a fabricante.

O marco institucional veio em 29 de novembro de 2023, durante a visita do presidente Lula a Riad. Foram assinados três acordos simultâneos, nos três eixos do negócio:

O primeiro foi um memorando de entendimento entre a Embraer, o Ministério de Investimento saudita (MISA) e a Autoridade Geral da Aviação Civil (GACA), voltado para reforçar a cooperação em investimentos no setor aeronáutico e alinhar a presença brasileira às metas da Vision 2030, entre elas, atrair 150 milhões de visitantes ao reino até 2030.

O segundo foi o acordo com a Saudi Arabian Military Industries (SAMI), subsidiária integral do Fundo de Investimento Público (PIF) saudita e principal empresa de defesa do reino. O memorando estabeleceu como objetivos conjuntos a promoção do C-390 junto à Força Aérea Real Saudita (Royal Saudi Air Force, RSAF), o estabelecimento de um centro regional de MRO (manutenção, reparo e revisão) e a exploração de uma linha de montagem final do C-390 em território saudita, com integração local de sistemas de missão. A proposta incluía até 50% de conteúdo nacional, em linha com a política saudita de localização industrial.

O terceiro foi o memorando da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), com a operadora aérea saudita Flynas. O acordo previu a exploração de operações de táxi aéreo elétrico em Riad e Jeddah, com perspectiva de início em 2026.

Imagem meramente representativa feita com IA pela LRCA

2024: visitas, demonstrações e novos acordos
O ritmo de aproximação continuou em 2024. Em fevereiro, durante o World Defense Show realizado em Riad, a Saudia Technic e a Embraer Serviços & Suporte assinaram um memorando de colaboração em manutenção e treinamento, com foco na família de jatos regionais E2 e na aviação executiva. No mesmo evento, o diretor de parcerias e alianças da SAMI, Emad Alrajih, conheceu pessoalmente o C-390 e expressou interesse na aeronave.

Em março de 2024, o vice-presidente da Embraer para Oriente Médio e Ásia-Pacífico, Caetano Spuldaro Neto, declarou no Brazil Saudi Arabia Conference, em Riad: "Queremos transformar a Arábia Saudita em um hub da Embraer na região." O executivo apontou que a eventual aquisição do C-390 pela RSAF poderia gerar uma economia de US$ 2 bilhões ao reino nos próximos 30 anos, em comparação com a manutenção da frota de C-130.

Em maio de 2024, durante o Future Aviation Forum em Riad, dois novos acordos foram formalizados. O Centro Nacional de Desenvolvimento Industrial saudita (NIDC), o Grupo AHQ e a Embraer assinaram um memorando para discutir uma estratégia conjunta de desenvolvimento do ecossistema aeroespacial local, com avaliação do E2 como aeronave preferida para um novo projeto de companhia aérea regional com sede em Dammam. No mesmo evento, a Eve e a Saudia Technic assinaram um memorando para explorar demanda de MRO para eVTOLs na região, incluindo a avaliação de infraestrutura para possível remontagem do veículo da Eve em território saudita.

Também em 2024, o Ministério da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita assinou com a Embraer um memorando voltado ao desenvolvimento dos setores de aviação no reino, na presença do ministro Bandar Al-Khorayef, que havia visitado as três instalações da Embraer no Brasil, e do vice-ministro para Assuntos Industriais, Khalil bin Salamah.

No plano da defesa, uma delegação do Ministério da Defesa saudita visitou o Brasil no final de 2023 e participou de demonstrações do Radar Saber M200 Vigilante junto à 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro e do Radar Sentir M20 no Comando Militar do Oeste, em Campo Grande (MS), ampliando o escopo da parceria potencial para além das aeronaves.

A reviravolta de março de 2026: o C-390 sai das prioridades
Em março de 2026, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, declarou à agência Reuters que a Arábia Saudita deixou de ser um "ponto quente" para a divisão de defesa da empresa. Os esforços na área militar passaram a se concentrar na Índia. onde a Embraer aguarda uma licitação para 60 aeronaves de transporte militar, e nos Estados Unidos.

A declaração reflete uma mudança de contexto. A RSAF já opera a versão mais recente do C-130, o C-130J Super Hercules da Lockheed Martin, que compete diretamente com o C-390. Gomes Neto sugeriu que a força aérea saudita pode estar buscando uma aeronave de transporte de maior porte, o que reduziria a janela para o jato brasileiro no curto prazo. O potencial pedido de 33 aeronaves, amplamente discutido entre 2023 e 2024, ficou sem desfecho.

A comparação com os Emirados Árabes Unidos evidencia o contraste: em maio de 2026, o Tawazun Council emiradense fechou um contrato para 10 aeronaves C-390, com opção de mais 10 unidades, o primeiro contrato firmado no Oriente Médio. A Arábia Saudita, que havia protagonizado as negociações na região, foi precedida pelo vizinho.

A reavaliação de junho de 2026: acordos ativos, tom mais otimista
Em 11 de junho de 2026, o jornal saudita Asharq Al-Awsat publicou cobertura de briefing concedido por executivos da Embraer em São Paulo, às margens da cúpula anual da Iata no Rio de Janeiro. A mensagem foi diferente da de março: os memorandos firmados com a Arábia Saudita em 2023 permanecem ativos e avançam em ritmo satisfatório, abrangendo os três eixos: aviação civil, defesa e mobilidade aérea urbana.

A publicação do Asharq Al-Awsat não anunciou contratos novos nem apontou datas para desdobramentos concretos. O tom é de reafirmação de intenção, em linha com o peso estratégico que a Arábia Saudita representa para a indústria global de aviação no contexto da Vision 2030.

eVTOL da Eve voando pela Flynas na Arábia Saudita (renderização)

Eve: o eixo mais avançado
Dos três segmentos, o da mobilidade aérea urbana é o que apresenta a trajetória mais consistente na Arábia Saudita. A Eve Air Mobility fechou acordos com duas das principais empresas do setor aéreo saudita e inseriu o reino numa estratégia regional que não tem paralelo nos eixos de defesa e aviação comercial.

O primeiro acordo foi o memorando de entendimento com a Flynas, firmado em 29 de novembro de 2023, durante a visita do presidente Lula a Riad. A Flynas  (maior companhia aérea de baixo custo do Oriente Médio, com 60 aeronaves, mais de 1.500 voos semanais e 70 destinos domésticos e internacionais) comprometeu-se a explorar operações de eVTOL em Riad e Jeddah, com perspectiva inicial de início em 2026. O acordo foi apresentado pelas partes como uma contribuição direta às metas de sustentabilidade da Vision 2030, incluindo a neutralização de emissões de gases de efeito estufa até 2060.

O segundo acordo, de natureza operacional e industrial, foi o memorando de entendimento assinado com a Saudia Technic em maio de 2024, durante o Future Aviation Forum em Riad. A Saudia Technic é a principal empresa de MRO do Oriente Médio e integra o grupo Saudi Arabian Airlines. O documento estabeleceu a cooperação em três frentes: treinamento de pessoal para manutenção de eVTOLs, avaliação de infraestrutura para operações na região e estudo da viabilidade de remontagem local da aeronave da Eve na Arábia Saudita, o que representaria uma etapa de industrialização relevante para o reino.

A Eve também chegou a explorar com a Saudia Technic a possibilidade de que a própria Saudia (braço de aviação do grupo, separado da Saudia Technic) participasse do processo de remontagem local do eVTOL para o mercado saudita, embora esse desdobramento específico permaneça em fase de avaliação.

Do lado do produto, o programa da Eve avançou significativamente em 2025 e 2026. Em dezembro de 2025, a empresa realizou o primeiro voo do protótipo em escala real, não tripulado, em Gavião Peixoto (SP), validando a arquitetura básica do veículo, incluindo o sistema fly-by-wire de quinta geração e os rotores de sustentação. Em março de 2026, o mesmo protótipo voou perante autoridades brasileiras, incluindo o presidente Lula, no âmbito da campanha de testes que prevê até 300 ensaios ao longo do ano. A fase seguinte, com voos de transição do modo vertical para o voo sustentado pelas asas, está prevista para o segundo semestre de 2026.

Em 12 de junho de 2026, executivos da Eve confirmaram que a certificação de tipo foi revisada de 2027 para 2028, refletindo a complexidade de certificar uma categoria inteiramente nova de aeronave junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com alinhamento paralelo com a FAA americana e a EASA europeia. O novo cronograma prevê a construção de seis protótipos em conformidade com os requisitos de certificação, a partir da fábrica da Eve em Taubaté (SP), com capacidade projetada para até 480 unidades por ano em regime de maturidade. O adiamento não é exceção no setor: vários fabricantes de eVTOL que previam entrada em serviço para meados da década já revisaram seus planos, diante das complexidades regulatórias da nova categoria.

A carteira da Eve soma atualmente cerca de 2.900 reservas de 30 clientes em 13 países, representando um potencial estimado de US$ 14,5 bilhões em receita. O CEO Francisco Gomes Neto projeta que o programa pode contribuir com US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão ao ano à receita do grupo Embraer em regime de cruzeiro. O consumo de caixa em 2026 deve ficar na faixa inferior da projeção da empresa, entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões, com liquidez de US$ 641 milhões que, segundo a empresa, garante operação até meados de 2028, janela que coincide com o prazo de certificação e que não oferece margem significativa para novos atrasos.

Para a Arábia Saudita, o interesse na Eve vai além do táxi aéreo urbano: a possibilidade de remontagem local do eVTOL em território saudita, ainda em avaliação, alinharia o programa à política de localização industrial da Vision 2030 e criaria um precedente de manufatura aeronáutica de nova geração no reino.

E2: a aviação comercial depende de uma nova companhia aérea
O futuro do E2 na Arábia Saudita está vinculado ao projeto de uma terceira companhia aérea nacional saudita, a ser sediada em Dammam, diferenciando-se da Saudia (Jeddah) e da Riyadh Air (Riad). O memorando entre NIDC, Grupo AHQ e Embraer, firmado em maio de 2024, avalia o E2 como candidato preferencial para a frota desse operador. Os detalhes do projeto permanecem indefinidos: modelo de negócios, estrutura acionária e frota ainda não foram anunciados.

O contexto regional para o E2 é desafiador. Historicamente, as companhias aéreas do Golfo evitaram jatos regionais. A exceção mais recente na região é a Salam Air (Omã), que encomendou seis E195-E2, com entregas a partir de 2025. O êxito eventual de um operador saudita com o E2 dependeria de uma aposta no segmento de rotas domésticas e conexões africanas sub-representadas nas operações atuais.

Arjan Meijer, CEO da Embraer Commercial Aviation, informou que o E2 detém 76% do mercado global na categoria de jatos regionais, com 24 clientes, 202 aeronaves entregues e cerca de 1,25 milhão de horas de voo acumuladas. A base regional do Oriente Médio permanece, por ora, marginal nessa contagem.

Balanço: muitos acordos, mas os contratos ainda estão por vir
Entre 2022 e 2024, a Embraer firmou com atores sauditas pelo menos oito documentos formais de cooperação envolvendo entidades governamentais (MISA, GACA, Ministério da Indústria), empresas estatais (SAMI, NIDC) e operadoras privadas (Flynas, Saudia Technic, Grupo AHQ). Nenhum evoluiu ainda para contrato de aquisição.

O eixo da defesa esfriou em 2026, com o foco da Embraer Defesa & Segurança migrando para Índia e EUA. O eixo comercial civil aguarda a definição do projeto de companhia aérea em Dammam. O eixo da mobilidade urbana avança no ritmo do próprio programa de certificação da Eve, com 2028 como horizonte realista para operações.

A cobertura recente do Asharq Al-Awsat e a presença da Embraer na cúpula da Iata no Rio de Janeiro sinalizam que o mercado saudita permanece na agenda estratégica da empresa. A Arábia Saudita não saiu do mapa, mas a conversão das intenções em pedidos depende de variáveis que ainda não se alinharam: a decisão final sobre o substituto do C-130 saudita, o modelo de negócios da nova companhia aérea a ser criada e o calendário de certificação do eVTOL.

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