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15 novembro, 2023

Na Arábia Saudita, Taurus & CBC podem criar um forte ecossistema logístico para as Forças Armadas e para exportação

Imagem meramente representativa da parceria da Taurus & CBC com a saudita SCOPA Defense

*LRCA Defense Consulting - 15/11/2023

Divulgado ontem (14), o acordo de transferência de tecnologia de ponta e de fabricação local entre a empresa saudita SCOPA Defense e a brasileira Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) está em linha com o grande projeto Visão Saudita 2030 para produzir no Reino da Arábia Saudita a maior parte das necessidades de defesa deste país até 2030. 

Aliando esse acordo com o provável acordo definitivo entre a SCOPA e a Taurus, o binômio de defesa Taurus & CBC passará a fabricar armas leves e munições na Arábia Saudita, criando um ecossistema logístico completo, sinérgico e facilitador para o Exército Saudita e para as demais forças militares e de segurança do país. 

No entanto, a ideia dos sauditas é explorar também estratégicas e promissoras oportunidades no mercado externo, principalmente nos países em que possui forte influência política e/ou econômica. Como a Taurus escreveu no Fato Relevante em que divulgou seu acordo inicial com a SCOPA: "O objetivo da joint venture será a fabricação de armas Taurus no Reino da Arábia Saudita e comercialização em toda a região do GCC (Cooperation Council for the Arab States of the Gulf), que tem como membros os seguintes países: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã".

Além disso, o ministro de Investimentos do Reino da Arábia Saudita, Khalid Al Falih, declarou em julho deste ano, quando de sua visita ao Brasil, que as iniciativas do Reino podem alcançar uma parte da grande região MENA, composta por 19 países do Oriente Médio e do Norte da África.

Ocupando novos e importanters nichos mercadológicos, Taurus & CBC visam ter uma posição de proeminência nessas regiões, pois podem oferecer um portfólio completo, adequado, tecnológico e com custo/benefício muito competitivo, capaz de atender as mais diversas necessidades das forças armadas e de segurança, além dos civis aficionados por esses tipos de armamento.

Os entendimentos com a SCOPA Defense estão no âmbito do planejamento estratégico da Taurus e da CBC no sentido de avançar no mercado internacional, estabelecendo parcerias de grande benefício mútuo, principalmente em países com expressivo crescimento e grande potencial, como também é o caso da Índia (onde ambas estão presentes) pois, assim, as duas multinacionais brasileiras de defesa ampliam e potencializam a diversificação geográfica em termos de produção e vendas.

Em síntese, embora uma das principais motivações da Taurus e da CBC seja a de fornecer seus produtos para um dos maiores compradores de armas e munições do mundo, o fato de passar a ter a Arábia Saudita como um forte país parceiro e base de exportação para mercados hoje inacessíveis às duas empresas, pode se tornar uma estratégia paralela de grande sucesso, pois irá ao encontro dos objetivos de ambas e da Visão 2030 do Reino.

Região MENA

Para que seja melhor entendido o que significa esse país em termos de mercado de defesa para os produtos brasileiros, esta Consultoria traz novamente um levantamento que realizou sobre aspectos importantes da Arábia Saudita, especialmente aqueles que podem influenciar os negócios em andamento com a Taurus Armas e com a CBC.

Em termos desse mercado, o foco do Programa Visão 2030, como poderá ser visto abaixo, é a fabricação local de armamentos, munições e demais materiais de Defesa em parceria com renomadas empresas estrangeiras, possibilitando que mais de 50% dos gastos militares do Reino sejam destinados ao seu próprio parque industrial.

Visão 2030 - o grande plano saudita de 15 anos
O Plano Visão 2030, anunciado pelo governo saudita em 2015, mudou economicamente a Arábia Saudita nos últimos anos e é esperado que continue mudando.

Até 2015, o petróleo respondia por cerca de 75% das receitas orçamentárias, 40% do PIB e 90% das receitas das exportações. O "vício do ouro negro" acostumou os sauditas a comprar tudo o que precisavam, pois sempre houve dinheiro farto e era muito mais barato importar do que produzir localmente.

No entanto, o atual governo vislumbrou que o país não poderia manter a dependência da renda petroleira e o enorme gasto público diante de um cenário de grandes mudanças que estão acontecendo no mercado energético internacional (variações enormes nos preços do petróleo, surgimento de fontes alternativas não poluentes e política mundial contra o uso de combustíveis fósseis) e de tendências demográficas que indicam aumento significativo no número de sauditas em idade produtiva até 2030.

A ascensão do príncipe Mohamed Bin Salman (foto) no cenário político saudita e o declínio dos preços do petróleo em 2014 incentivaram o desenvolvimento do plano como meio de abandonar ou, pelo menos, diminuir grandemente essa dependência e diversificar a atividade econômica, abrindo amplamente as portas para o envolvimento de um setor privado ativo e facilitando a entrada dos investimentos estrangeiros no país. Assim, um dos pilares do Visão 2030 é justamente transformar a Arábia Saudita em um centro de investimentos globais.

Desde 2015, o PIB saudita cresceu 66% e, atualmente, é a economia que cresce mais rápido entre as dos países que compõem o G20.

Em todo o mundo, o produto interno bruto 2022 foi de 12.025 dólares per capita. Em contraste, o PIB da Arábia Saudita atingiu 31.855 dólares por habitante, ou 1,052 trilhão de dólares para o país como um todo, prevendo chegar a 1,6 trilhão de dólares em 2030. A Arábia Saudita é, portanto, uma das grandes economias do mundo e ocupa atualmente a 17ª posição.

Segundo análises sauditas, a elevação de produtividade por meio da reforma econômica permitirá ao país duplicar seu PIB e criar até 6 milhões de novos empregos até 2030. Com as reformas, Riad pretende elevar sua renda não petroleira, de US$ 43,6 bilhões em 2015 para US$ 267 bilhões em 2030. 


Gastos com Defesa
Historicamente, a Arábia Saudita gastava, em média, 6% a 7% do PIB ao ano, ou seja, algo próximo a 70 bilhões de dólares com seu setor de defesa. Com 7,4% em 2022, o Reino gastou mais de seu produto interno bruto (PIB) em defesa do que qualquer outro país, exceto a Ucrânia, atingindo cerca de 75 bilhões de dólares. Somente os gastos recorrentes com armas e munições, perfazem um total estimado de US$ 1 bilhão por ano. Tais números tornam o país um dos que mais investem em defesa, sendo o 5º no ranking mundial.

Toda a região do Oriente Médio viu seus gastos com defesa chegarem a US$ 184 bilhões em 2022.

Efetivos militares e de segurança
As Forças Armadas da Arábia Saudita têm um efetivo total de cerca de 258.000 integrantes ativos, sendo aproximadamente 125.000 sob o Ministério da Defesa e Aviação, dos quais 75.000 nas Forças Terrestres, 15.000 nas Forças Navais (incluindo cerca de 3.000 fuzileiros navais) e 35.000 na Força Aérea, Defesa Aérea e Forças de Mísseis Estratégicos. Além disso, há 130.000 militares na Guarda Nacional (SANG).

A Guarda Nacional, também conhecida como Exército Branco, é uma força terrestre separada do Ministério da Defesa, e é responsável pela segurança interna, proteção da família real e ameaças externas. A Guarda Real é uma estrutura separada das Forças Armadas cuja principal responsabilidade é a segurança e proteção da família real saudita. A Guarda Real também fornece segurança e proteção às delegações e autoridades convidadas durante as visitas oficiais ao Reino. A Guarda Nacional, a Guarda Real e a Guarda de Fronteira estão sob a tutela do Ministério da Guarda Nacional.

As funções de polícia, investigações e manutenção de ordem pública são de responsabilidade do Ministério do Interior, estando sob seus cuidados as forças de segurança especiais e as forças de proteção às infraestruturas (refinarias de petróleo, portos, aeroportos). São cerca de 50.000 policiais, equipados com armas leves e recrutados em todas as regiões do Reino.

Em 2017, através de um decreto real, foi criada a Presidency of State Security (PSS), um órgão de segurança que combina os serviços de contraterrorismo e inteligência doméstica sob um mesmo comando. A PSS é responsável pelos assuntos relacionados à segurança de estado e é supervisionada pelo rei. Os integrantes da PSS são oriundos das demais forças de segurança e agências existentes.


O serviço militar não é obrigatório na Arábia Saudita. Em 2018, as mulheres foram autorizadas a se alistar nas forças armadas. No entanto, seus trabalhos não envolviam combate, mas lhes davam a oportunidade de trabalhar na segurança e no controle de passaportes. No ano seguinte, foi permitido às mulheres ingressar nas forças armadas como combatentes e, em 2021, as primeiras recrutas do país se formaram no Centro de Treinamento de Quadros Femininos das Forças Armadas.

A mudança para permitir que mulheres entrassem no exército saudita veio como parte da iniciativa Visão 2030 do Reino, que busca reformar quase todos os aspectos da vida e do governo. Um aspecto é o empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero em todos os campos.

Controle da fabricação local de armamento leve e sua munição

A Military Industries Corporation (MIC) é uma empresa estatal fundada em 1953 e controlada pelas Forças Terrestres, sob a tutela do Ministério da Defesa. Em 2017, a MIC tornou-se uma subsidiária da Saudi Arabian Military Industries (SAMI), após a criação desta. Por mais de vinte anos, as empresas europeias tiveram forte influência e acesso ao mercado local, estabelecendo parcerias com a MIC para fabricação de armas leves (H&K) e munições de pequenos calibres (a FN montou diversas linhas na MIC). Porém, pelo passado recente de decisões dos governos europeus contrárias aos interesses sauditas, o governo local tem procurado outros fabricantes que possam minimizar o risco de não-fornecimento e acesso à tecnologia.

M
eta de nacionalizar mais de 50% dos gastos militares do país até 2030

Em 2017, foi criada a GAMI - General Authority for Military Industries (Autoridade Geral das Indústrias Militares), uma entidade governamental criada pelo Conselho de Ministros. A GAMI é a autoridade para as indústrias militares e para a centralização de aquisição de produtos de defesa, sendo o órgão regulador do setor e o principal fomentador das indústrias militares sauditas.

Cabe à GAMI desempenhar um papel fundamental na consecução das metas estabelecidas pelo plano desenvolvimentista denominado Visão 2030, que inclui uma meta de nacionalizar mais de 50% dos gastos militares do país até 2030. A GAMI é responsável por orientar o setor das indústrias militares, estabelecendo seus regulamentos, monitorando seu desempenho, desenvolvendo os recursos necessários e gerenciando a aquisição militar (sistemas militares, equipamentos e serviços para todas as entidades militares) para garantir o crescimento e a sustentação das indústrias militares locais.

O mandato do GAMI abrange tanto as entidades de defesa como de segurança em matéria de aquisições/parcerias. Em síntese, é a GAMI que pode definir os padrões e centralizar todo o processo de aquisição e de parcerias das forças militares e de segurança no Reino, otimizando os recursos e estimulando a indústria local.
Production).


Armamento leve e munições disponíveis no Reino
O armamento leve padrão presente nas Forças Terrestres, Força Aérea, Marinha e Defesa Antiaérea & Forças de Mísseis Estratégicos inclui os seguintes modelos e marcas:

1) Pistolas: FN (High Power), SIG Sauer (P226), Heckler & Koch (H&K P9) e Glock (17 e 19) são as fabricantes mais presentes nas FFAA e forças de segurança. O calibre padrão é 9mm. Há dezenas de outros fabricantes e plataformas em uso, uma vez que, até um passado recente, cada usuário poderia definir sua compra. O calibre de escolha, em geral, é o 9mm Parabellum. Não há produção local de pistolas.

2) Fuzis de Assalto/Carabinas: H&K G3 (fabricado localmente sob licença alemã, porém a unidade está atualmente inoperante e obsoleta), H&K G36 (fabricado localmente sob licença alemã), H&K 33E, FN SCAR-H, FN P90, FN FAL, Kalashnikov (AKM, AKMS e AK 103; este último é fabricado sob licença e amplamente empregado pelo Joint Forces, em operações no conflito ao sul do país), Colt M16A2, Colt M4 e Steyer AUG A3. O calibre padrão é 7,62x51mm para os fuzis (exceto para os Kalashnikov, que usam o 7,62x39mm) e 5.56x45mm para as carabinas e M16.

3) Submetralhadoras: H&K MP5 (era fabricada localmente sob licença alemã, mas a unidade está hoje inoperante e obsoleta) e Beretta M12. O calibre padrão é 9mm.

4) Munições para armas leves: o país produz munições para os calibres 9x19mm (pistolas e submetralhadoras), 5.56x45mm (carabinas e M16) e 7.62x51mm (fuzis de assalto, exceto os AK), mas ainda lhe falta quantidade e tecnologia de ponta para atender todas as necessidades de suas Forças Armadas e de Segurança.


Informações relevantes sobre o mercado saudita
A informação mais relevante é que o governo alemão, país de origem das armas Heckler & Koch (HK), não autorizou a renovação da licença de fabricação e, portanto, a MIC somente poderá fabricar armas enquanto durarem os estoques de peças e matéria-prima. De forma semelhante, a empresa belga FN Herstal também está impossibilitada de realizar novas vendas ou produção no país, uma vez que o parlamento belga, seguindo a decisão do governo alemão, cerceou o acesso saudita às armas e munições leves fabricadas pelas empresas de seu país.

A estimativa é de que, nos próximos três anos, o mercado potencial somente de pistolas 9mm seja de 30 a 50 mil armas por ano e de 20 a 30 mil fuzis de assalto e carabinas por ano, podendo tais números serem fortemente majorados com o estabelecimento da joint venture entre a Taurus e a SCOPA, haja vista que essa nova empresa passará, então, a ter o apoio e o fomento do governo saudita, pois a GAMI oferece preferência de compra ao material produzido localmente. Não estão inseridos nessas estimativas os consumos anuais do mercado civil de pistolas 9mm, que é pouco expressivo, e o do mercado de segurança privada.

Em resumo, além de não haver produção local de pistolas, a Arábia Saudita não conseguirá manter sua produção de fuzis de assalto, carabinas e submetralhadoras, haja vista as questões políticas e geopolíticas envolvidas.


Conclusões
Em síntese, um dos países mais ricos do mundo e que mais gastam em Defesa não possui, em termos operacionais, uma indústria própria de armamento leve e de munições com tecnologia de ponta, e quer estabelecê-las com urgência. Assim, a SCOPA Defense - sua empresa predominante de Defesa - assinou um Memorando de Entendimento em julho deste ano para estudar uma parceria com a Taurus Armas para esse fim. De forma semelhante, SCOPA e CBC firmaram agora um acordo para a fabricação de munições no país saudita.  

Sem dúvida, tais acordos se devem ao elevado conceito mundial das duas multinacionais brasileiras em produzir armas e munições modernas que embutem um alto nível de inovação, tecnologia e confiabilidade.

Se tudo for acertado, as unidades fabris da Taurus & CBC poderão passar a ser as fornecedoras oficiais de armamento leve e munições para o Reino da Arábia Saudita, podendo ainda exportar seus produtos para os países do Conselho de Cooperação do Golfo e da Região MENA, aos quais não tem acesso atualmente.

Para além disso, a concretização dos negócios tende a levar a Taurus e a CBC para um  patamar ainda mais elevado no universo das fabricantes internacionais de armamento leve e de munições, capaz de viabilizar novos e importantes negócios nos mercados militar, policial e civil de outros países.
 
Por fim, vale notar que, em 2024, é bastante provável que as unidades fabris da Índia e da Arábia Saudita já estejam produzindo e abastecendo dois dos maiores mercados mundiais capitalistas para armas leves: Ásia e Região MENA, concretizando o planejamento estratégico das empresas de uma maior diversificação de seus mercados internacionais. 
 
Com isso, Taurus & CBC agregarão novos e importantes mercados por meio de fábricas ou distribuição em três dos cinco países que mais investem em Defesa no mundo (EUA, Arábia Saudita e Índia). Com isso, compensarão integralmente as vendas perdidas no Brasil, podendo ultrapassá-las de forma significativa, haja vista que os novos mercados onde estarão presentes são os maiores e mais inexplorados do mundo livre.

14 novembro, 2023

CBC e SCOPA firmam acordo de transferência de tecnologia e produção na Arábia Saudita


*LRCA Defense Consulting - 14/11/2023

A SCOPA anunciou hoje, em postagem do seu CEO de Defesa e Segurança, que assinou um acordo com a CBC, líder mundial em munições, para unir forças num esforço mútuo. A colaboração centrar-se-á na transferência de tecnologia de ponta e know-how inestimável para o Reino da Arábia Saudita, ao mesmo tempo que conduz esforços de fabricação local em linha com o grande projeto Visão Saudita 2030.

A SCOPA acredita no poder da parceria e nos imensos benefícios que surgem das iniciativas colaborativas. "É uma honra para nós formarmos parceria com a CBC, um renomado líder global na área de munições. Combinada com a nossa experiência e compromisso com o crescimento, esta colaboração promete ser uma mudança de jogo no avanço do cenário tecnológico e no apoio à economia local do Reino", afirmou Fawaz Fahad Alakeel, CEO de Defesa e Segurança da SCOPA.

Ao trabalhar em estreita colaboração com a CBC, a empresa saudita pretende estabelecer uma base sólida para a transferência de avanços tecnológicos incomparáveis para o mercado saudita, acreditando firmemente que esta colaboração não só reforçará as capacidades industriais do Reino, mas também promoverá o desenvolvimento e o crescimento do talento local. Através dos esforços conjuntos, a SCOPA aspira contribuir para a Visão Saudita 2030, estimulando a inovação, criando oportunidades de emprego e promovendo a auto-suficiência tecnológica.

A empresa saudita estende o seu sincero agradecimento à CBC por confiar nela como sua parceira neste empreendimento significativo, afirmando estar totalmente comprometida em concretizar os objetivos desta parceria e gerar resultados tangíveis. "Juntos, abriremos um caminho em direção à excelência e criaremos um ecossistema vibrante que impulsionará o Reino para uma nova era de avanço tecnológico e autossuficiência", concluiu o CEO.

Ecossistema de armas e munições
A SCOPA Defense é uma ágil e renomada empresa privada de defesa do Reino da Arábia Saudita (KSA), onde está 100% de seu capital. Estabelecida como a empresa de defesa predominante do Reino, o objetivo da SCOPA é contribuir efetivamente para o ambicioso programa Visão 2030, criando indústrias militares orgânicas, fornecendo sistemas de defesa e serviços avançados e inovadores que atendam às necessidades e requisitos das Forças Armadas sauditas, ampliando assim as capacidades e o ecossistema de defesa do Reino, bem como alcançando os mercados globais de defesa e segurança.

Com o acordo divulgado hoje e com o muito provável acordo futuro com a Taurus, o Grupo CBC/Taurus passará a fabricar armas leves e munições na Arábia Saudita, criando um ecossistema logístico completo e facilitador para o Exército Saudita e para as demais forças militares e de segurança do país.

Saiba mais:

- Taurus e SCOPA firmam acordo para avaliar criação de fábrica de armas na Arábia Saudita 

- Conheça a SCOPA Defense, empresa saudita que fez acordos com Avibras, Taurus...

- CEO de Defesa e Segurança da SCOPA comenta o acordo assinado hoje com a Taurus  

- CEO de D&S da saudita Scopa Defense comenta, com orgulho, os acordos com Taurus e CBC

- Na Arábia Saudita, Taurus participará de licitação de 90 mil pistolas e poderá ter a primeira franquia internacional da Loja AMTT

- Taurus e SCOPA estarão juntas no World Defense Show 2024, na Arábia Saudita, um dos maiores eventos de Defesa do mundo

 

28 outubro, 2023

CEO de D&S da saudita Scopa Defense comenta, com orgulho, os acordos com Taurus e CBC


*LRCA Defense Consulting - 28/10/2023

Em seu perfil em uma mídia social, Fawaz Fahad Alakeel (foto abaixo), CEO de Defesa e Segurança da empresa saudita Scopa Defense, publicou algumas considerações interessantes e que trazem à luz iniciativas envolvendo empresas brasileiras que, ou ainda não são conhecidas no Brasil, ou sua concretização não foi ainda concluída.

A primeira inciativa é um acordo firmado entre a Scopa e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) para implantar uma fábrica de munições na Arábia Saudita, um negócio que não foi divulgado durante a visita da comitiva saudita ao Brasil e nem anterior ou posteriormente.

O que é de conhecimento público sobre a participação da CBC na Arábia Saudita é o fato de que, em 30 de dezembro de 2021, a Taurus Armas S.A. celebrou contrato para constituição de joint venture com sua coligada Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), como parte das estratégias de internacionalização de suas operações visando fomentar negócios e oportunidades na Arábia Saudita.

Com o nome de Companhia Brasileira de Cartuchos Taurus Arabia Holding, LLC., a  joint venture tem como principal objetivo possibilitar a busca e antevisão mais eficiente de oportunidades de negócios neste mercado relevante, especialmente considerando os planos do governo do país para estabelecer uma base industrial de defesa local, no âmbito da estratégia denominada “Visão 2030”. Como atividade principal, a nova empresa está apta a administrar subsidiárias e holdings, conceder empréstimos, garantias e financiamentos a coligadas, além de deter direitos de propriedade industrial.

A segunda é o acordo entre a Scopa e a Taurus Armas S.A. para, em joint venture, produzir armas leves na Arábia Saudita.

Chamou a atenção o orgulho e a forma com que o executivo citou as duas iniciativas, embora não existam informações públicas sobre a finalização de nenhuma delas.

A Taurus esclareceu que o cronograma previsto no Memorando de Entendimentos (MoU) não vinculante firmado em julho deste ano está sendo cumprido normalmente, sem maiores novidades. A CBC, consultada por meio de sua assessoria de imprensa, não havia respondido até o fechamento desta matéria

Confira abaixo a tradução da postagem:
"Muitas pessoas me perguntam: 'O que é a empresa Scopa?'!

A Scopa é a primeira empresa saudita e árabe a assinar um acordo com a Airbus para localizar (tornar local) a produção de helicópteros no Reino.

A Scopa é a primeira empresa saudita a assinar um acordo de localização para a produção de armas leves com a gigante mundial, a empresa norte-americana e brasileira Taurus.

A Scopa é a primeira empresa no mundo a assinar um acordo de localização para a produção de drones de transporte logístico, com uma capacidade de carga de até meia tonelada.

A Scopa é a primeira empresa a assinar um acordo de localização para a produção de munições leves com a principal empresa de munições do mundo, a CBC.

A Scopa é a primeira empresa saudita e uma das quatro empresas do mundo a assinar um acordo de localização para a produção de veículos cerâmicos blindados para uso militar, civil e médico na região.

Quem é a Scopa?

É a primeira empresa a assinar com o Reino Unido um acordo de termos e parceria para a produção e fabricação do drone mais importante do mundo para fins de reconhecimento.

A Scopa se tornará uma gigante na indústria militar na região e contribuirá de forma significativa para o Produto Interno Bruto da Arábia Saudita, garantindo sustentabilidade e contribuição efetiva para o PIB.

Ó Deus, mantenha Suas bênçãos em nossa querida pátria e amado Reino, sob a liderança de Sua Majestade, o Guardião das Duas Mesquitas Sagradas, e Sua Alteza Real, o Príncipe Herdeiro, Chefe do Conselho de Ministros, que Deus os proteja."

15 outubro, 2023

A indústria de defesa saudita quer se tornar um importante player de armas até 2030, reproduzindo o modelo sul-coreano


*Meta-Defense - 14/10/2023

O presidente da empresa estatal Saudi Arabia Military Industries (SAMI) apresentou no Le Bourget 2023 as suas ambições de tornar a indústria de defesa saudita um grande player no mercado global de armas até 2030. Reproduzindo o modelo sul-coreano, pretende contar com a imensa necessidade de modernização dos exércitos do Reino para negociar contratos vantajosos com transferências tecnológicas significativas, com todos os intervenientes do mercado hoje, incluindo a China e a Rússia.

Enquanto a maioria dos governos ocidentais, especialmente na Europa, reduziram os seus investimentos industriais na defesa após o colapso do bloco soviético em meados da década de 1990, a Coreia do Sul, ainda exposta à ameaça de Pyongyang (Coreia do Norte), viu isto como uma oportunidade para desenvolver a sua própria indústria de defesa, com base na dinâmica que já permitiu ao país tornar-se um ator industrial e tecnológico global em muitas áreas durante cerca de vinte anos.

Como a indústria de armas sul-coreana se estabeleceu em 30 anos?
Para conseguir isto, Seul abordou numerosos industriais ocidentais, com contratos lucrativos para modernizar as forças armadas sul-coreanas, graças aos subsídios liberados pelo crescimento sustentado da economia do país.

Seul conseguiu desenvolver a indústria de defesa sul-coreana através da negociação de importantes transferências de tecnologia como parte da modernização dos seus exércitos.

Foi assim que a Alemanha, a França, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e até a Rússia assinaram grandes encomendas de armas nas décadas de 1990 e 2000, uma grande oportunidade quando o mercado estava, de outra forma, lento, mesmo que fosse necessário ser mais conciliador do que o habitual.

Na verdade, estes contratos foram acompanhados de importantes cláusulas de transferência de tecnologia, que permitiram aos fabricantes sul-coreanos, em 20 anos, atualizarem-se para os melhores equipamentos ocidentais.

Estas colaborações deram origem a numerosos equipamentos modernos e eficientes, incluindo o obuseiro autopropulsado K9, o tanque Pantera Negra K2, o submarino Dosan Anh Changho e os destróieres KDDX III Sejong, o Grande.

E mesmo que todas estivessem, em parte, equipadas com soluções tecnológicas europeias e americanas, a indústria de defesa sul-coreana estava a tornar-se cada vez mais autônoma e, acima de tudo, pronta para exportar.

Hoje, está presente em muitos mercados de Defesa, bem como em inúmeras licitações internacionais, muitas vezes contra os próprios fabricantes que lhe permitiram adquirir as competências iniciais necessárias para lá chegar. Além disso, a indústria sul-coreana passou agora a prescindir dos mais recentes equipamentos ocidentais na sua produção.

A estratégia de Riade para desenvolver a indústria de defesa saudita

Este sucesso sul-coreano aparentemente inspirou as autoridades sauditas. Com efeito, numa entrevista concedida ao site americano BreakingDefense.com no âmbito do Paris Air Show, o presidente da empresa Saudi Arabia Military Industries ou SAMI, Walid Abukhaled, detalhou ambições, mas também uma estratégia, que deverá posicionar a empresa entre os 25 maiores fabricantes globais de defesa, bem como reduzir as importações sauditas no setor de defesa para menos de 50% até 2030.

Em junho de 2023, a Airbus Helicopters e a Scopa Industries assinaram um acordo de 6,5 mil milhões de euros para construir uma fábrica de montagem de helicópteros no Reino.

Sem nomeá-la, esta estratégia, que se baseia precisamente numa miríade de contratos futuros para modernizar o equipamento das forças armadas sauditas, ao mesmo tempo que impõe transferências tecnológicas significativas e implantação industrial local, é obviamente muito próxima daquela aplicada por Seul entre 1995 e 2015, antes de decolar sozinha.

Para isso, a SAMI pretende acelerar a implantação de infraestruturas industriais e centros de I&D no país, com base em parcerias estratégicas assinadas com vários grandes grupos industriais de defesa, como Lockheed-Martin, Raytheon e Airbus (e as empresas brasileiras Mac Jee e Taurus Armas).

É preciso dizer que as necessidades de modernização dos exércitos sauditas nos próximos anos refletem o orçamento colossal confiado aos exércitos do país: 75 bilhões de dólares em 2022, com o objetivo de atingir 86 bilhões de dólares em 2028.

Um enorme mercado nacional para a modernização dos exércitos sauditas
Assim, são nada menos que 660 tanques M60, 3.000 veículos blindados M113, mil peças de artilharia móveis ou rebocadas, bem como 150 aviões de combate Tornado e F-15, ou ainda quatro fragatas e quatro corvetas que terão de ser substituídas. nos próximos anos, assim como grande parte das defesas antiaéreas ainda equipadas com sistemas Hawk, Crotale e Shahine.

Além disso, com o aumento das capacidades orçamentais, é provável que os exércitos sauditas desejem equipar-se com novas capacidades, tais como no domínio da projeção de potência com LPD/LHD (Navios de transporte anfíbio / Navios de assalto anfíbio) ou aeronaves de transporte pesado como o Airbus A400M, bem como uma frota de submarinos e uma densificação dos seus recursos espaciais.

A indústria de defesa saudita terá muito trabalho para substituir cerca de 600 tanques obsoletos nos exércitos reais do país.

Na verdade, é provável que Riade se torne, nos próximos meses e anos, um dos principais centros de interesse dos grandes industriais de defesa ocidentais, especialmente porque as autoridades sauditas não pretendem limitar-se aos seus parceiros tradicionais, tendo já aberto, em grande parte, as portas a outros intervenientes, como a China, a Coreia do Sul, mas também a Turquia e a Rússia (e o Brasil).

Resta saber até que ponto a Arábia Saudita conseguirá realmente impor-se, para além do seu mercado nacional próximo, no mercado global de armas.

Rumo a uma profunda reestruturação do mercado global de armas
Na verdade, para além dos tradicionais intervenientes americanos, europeus, russos e chineses, muitos outros países, com a Coreia do Sul, Israel, Turquia e Índia também parecem determinados a conquistar este mercado, enquanto, ao mesmo tempo, a nível regional, os Emirados Árabes Unidos e o Egito anunciaram que querem seguir uma trajetória semelhante.

Em todo o caso, mesmo que o mercado ainda hoje esteja em tensão, e estas o irão estimular durante vários anos, é seguro apostar que dentro de cerca de quinze anos, terá de se reestruturar em profundidade, como foi o caso no final da década de 1950, sendo os ganhos inesperados das renovações insuficientes para garantir a sustentabilidade de todos estes intervenientes, sejam eles históricos ou emergentes.

Os grandes vencedores da dinâmica atual serão provavelmente os países e os industriais mais capazes de antecipar e responder a esta reestruturação global, que provavelmente ocorrerá entre 2030 e 2040, salvo grandes eventos estratégicos na cena mundial.

16 agosto, 2023

Na Arábia Saudita, Taurus participará de licitação de 90 mil pistolas e poderá ter a primeira franquia internacional da Loja AMTT


*LRCA Defense Consulting - 16/08/2023

Durante as lives realizadas ontem com a SaraInvest, Eleven e BM&C News, o CEO Global da Taurus Armas S.A., Salesio Nuhs, e o CFO da empresa, Sérgio Sgrillo Filho, trouxeram novidades com relação à recente parceria entre a Taurus e a saudita SCOPA Defense, uma poderosa empresa privada que desponta como a empresa de defesa preeminente desse país do Oriente Médio.

Salesio iniciou comentando sobre a grande agilidade negocial dos sauditas e da Taurus, o que permitiu que, em apenas alguns meses, as duas empresas assinassem um acordo de agenciamento e representação para o Reino da Arábia Saudita (KSA) e região do Golfo, bem como estabelecessem um Memorando de Entendimento (MoU) visando estudar uma joint venture para a fabricação de armamento leve Taurus nesse país.

Em virtude dessa agilidade e do grande interesse dos sauditas e da Taurus, o CEO afirmou que já no próximo trimestre poderão haver novidades no negócio entre as duas empresas.

Licitação de 90 mil pistolas e franquia da Loja AMTT
Questionado sobre o mercado local na Arábia Saudita, Salesio respondeu que já está em preparação uma licitação para o fornecimento de 90.000 pistolas para as forças de segurança do país, a qual contará com a participação da Taurus por meio da SCOPA Defense.

O CEO Global também comentou que os sauditas, após conhecerem a Loja AMTT de São Paulo, ficaram muito entusiasmados e manifestaram a intenção de levar a franquia para Riad, capital do país. Caso se concretize o negócio, será a primeira franquia da Loja no exterior. 

Salesio explicou que em Riad só há um clube de tiro, o que ocasiona muita dificuldade para os treinamentos de tiro, inclusive dos órgãos policiais. Como curiosidade importante, citou que, das 10 armas existentes nesse clube, oito são Taurus.

Diversificação geográfica das vendas
Os entendimentos com a SCOPA estão no âmbito do planejamento estratégico da Taurus no sentido de avançar no mercado internacional, principalmente em países com expressivo crescimento e grande potencial, como foi o caso também da Índia pois, assim, a empresa amplia a diversificação geográfica de suas vendas. 

Ocupando novos e importanters nichos mercadológicos, a Taurus visa ter uma posição de proeminência nessas regiões, pois pode oferecer um portfólio completo, adequado, tecnológico e com custo/benefício imbatível, capaz de atender as mais diversas necessidades das forças armadas e de segurança, além dos civis aficionados por esses tipos de armamento. 

Saiba mais:
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08 agosto, 2023

Taurus e SCOPA estarão juntas no World Defense Show 2024, na Arábia Saudita, um dos maiores eventos de Defesa do mundo

CEO do World Defense Show, Andrew Pearcey, e o CEO do Grupo de Defesa e Segurança da SCOPA Fawaz Al -Aqeel na assinatura do acordo de participação da SCOPA


*LRCA Defense Consulting - 09/08/2023

Sob responsabilidade da Autoridade Geral para Indústrias Militares da Arábia Saudita, a segunda edição World Defense Show (WDS) mostrará o futuro da defesa por meio de desenvolvimentos tecnológicos de todo o mundo.

Ocorrendo de 4 a 8 de fevereiro de 2024, a grande feira mundial do setor é dedicada a criar o evento B2B definitivo para a indústria de defesa, sendo apoiada pelos ministérios e autoridades relevantes do governo saudita, reforçando assim o compromisso do país com o crescimento e o sucesso do evento, bem como com o estabelecimento de uma forte e pujante indústria nacional de defesa.

Sob o título “Equipped for Tomorrow”, o encontro de 2024 mostrará o futuro das tecnologias de defesa aérea, terrestre, marítima, espacial e de segurança.  

Segundo o CEO do World Defense Show, Andrew Pearcey, a feira visa criar parcerias com entidades nacionais nas indústrias militar, de defesa e segurança para refletir os desenvolvimentos significativos testemunhados pelo setor de defesa no Reino da Arábia Saudita e oferecer oportunidades para empresas internacionais acessarem o mercado saudita.

A edição inaugural do World Defense Show em 2022 contou com mais de 600 expositores e mais de 65.000 visitantes durante o evento de quatro dias em Riad. O show, que resultou em fechar negócios e anúncios no valor de SR29,7 bilhões (US$ 7,9 bilhões), testemunhou uma demanda sem precedentes do mercado de defesa local e global.

Para 2024, tudo indica que se tornará maior ainda. Em números de hoje, as previsões são de uma participação de mais de 750 expositores de 45 países, 115 delegações internacionais, 850 órgãos de mídia, um total de visitas comerciais superiores a 100 mil e geração de cerca de US$ 8 bilhões em negócios.

Conforme informou a Agência de Imprensa Saudita e está registrado na página do evento, além do fundador, dos apoiadores e dos parceiros estratégicos, todos governamentais, a SCOPA Industries será a parceira principal do World Defense Show 2024.

Taurus Armas no World Defense Show 2024
Fruto do acordo recente com a SCOPA Defense e devido ao grande interesse da Taurus Armas no mercado da região MENA (Oriente Médio e Norte da África), a multinacional brasileira estará presente no evento com um estande próprio e, também, ocupará uma área especial dentro do grande estande da SCOPA, o que evidencia a excepcional agilidade negocial dos sauditas e a crença de que a parceria definitiva com a Taurus já seja uma realidade.

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06 agosto, 2023

Conheça a SCOPA Defense, empresa saudita que fez acordos com Avibras, Taurus...

Mohammad Bin Abdulaziz Al-Ajlan: fundador, proprietário e presidente da SCOPA Industries Corp. LLC (SCOPA Defense), além de vice-presidente do Grupo Ajlan & Bros

*LRCA Defense Consulting - 06/08/2023

Por ocasião da visita da maior delegação do Reino da Arábia Saudita que já esteve no Brasil, liderada por Khalid Al Falih, Ministro do Investimento desse país, ocorreu o Fórum de Investimentos Brasil - Arábia Saudita, realizado na FIESP no dia 31 de julho.

Durante o evento, a comitiva de empresários sauditas assinou 25 Memorandos de Entendimento (MoU) com diversas empresas de vários setores brasileiros, em um total de US$ 3,5 bilhões em negócios, segundo fontes da imprensa.

No setor de Defesa, coube à empresa saudita SCOPA Defense assinar um MoU com a Avibras, para a aquisição de mísseis, foguetes e seus sistemas, e outro com a Taurus Armas, este último visando à futura produção de armas leves no Reino, com ênfase inicial em pistolas. Ainda nesse setor, a Ocellott firmou um MoU com a AHQ, provavelmente para a produção de baterias elétricas para automóveis e/ou aeronaves. Por fim, ficou no ar uma parceria com a Embraer citada pelo ministro saudita em seu discurso, mas da qual ainda nada foi divulgado.

O anúncio dos documentos assinados movimentou o meio empresarial brasileiro e, especialmente, o setor de Defesa, haja vista os benefícios que poderá ter com a parceria com os sauditas.

No entanto, ficaram interrogações sobre qual é a real dimensão da SCOPA Defense e o que ela significa no contexto do setor de Defesa da Arábia Saudita. Assim, por meio de um levantamento em sites oficias das empresas e em matérias publicadas pela imprensa internacional, esta Consultoria procurou esclarecer as dúvidas e divulga agora o que foi descoberto.

No entanto, antes de discorrer sobre a SCOPA é necessário compreender os contextos geral e empresarial saudita onde ela está inserida.

Visão 2030 - o grande plano saudita de 15 anos
O Plano Visão 2030, anunciado pelo governo saudita em 2015, mudou economicamente o Reino da Arábia Saudita (KSA) nos últimos anos e é esperado que continue mudando.


Até 2015, o petróleo respondia por cerca de 75% das receitas orçamentárias, 40% do PIB e 90% das receitas das exportações. O "vício do ouro negro" acostumou os sauditas a comprar tudo o que precisavam, pois sempre houve dinheiro farto e era muito mais barato importar do que produzir localmente.

No entanto, o atual governo vislumbrou que o país não poderia manter a dependência da renda petroleira e o enorme gasto público diante de um cenário de grandes mudanças que estão acontecendo no mercado energético internacional (variações enormes nos preços do petróleo, surgimento de fontes alternativas não poluentes e política mundial contra o uso de combustíveis fósseis) e de tendências demográficas que indicam aumento significativo no número de sauditas em idade produtiva até 2030.

A ascensão do príncipe Mohamed Bin Salman (foto) no cenário político saudita e o declínio dos preços do petróleo em 2014 incentivaram o desenvolvimento do plano como meio de abandonar ou, pelo menos, diminuir grandemente essa dependência e diversificar a atividade econômica, abrindo amplamente as portas para o envolvimento de um setor privado ativo e facilitando a entrada dos investimentos estrangeiros no país. Assim, um dos pilares do Visão 2030 é justamente transformar a Arábia Saudita em um centro de investimentos globais.

Desde 2015, como resultado das grandes transformações que estão sendo realizadas, o PIB saudita cresceu 66% e, atualmente, o KSA é a economia que cresce mais rápido entre as dos países que compõem o G20.

Em todo o mundo, o produto interno bruto 2022 foi de 12.025 dólares per capita. Em contraste, o PIB da Arábia Saudita atingiu 31.855 dólares por habitante, ou 1,052 trilhão de dólares para o país como um todo, prevendo chegar a 1,6 trilhão de dólares em 2030. A Arábia Saudita é, portanto, uma das grandes economias do mundo e ocupa atualmente a 17ª posição.

Segundo análises sauditas, a elevação de produtividade por meio da reforma econômica permitirá ao país duplicar seu PIB e criar até 6 milhões de novos empregos até 2030. Com as reformas, Riad pretende elevar sua renda não petroleira, de US$ 43,6 bilhões em 2015 para US$ 267 bilhões em 2030.

Grupo Ajlan & Bros Holding
Fundado em 1979 por quatro irmãos e estabelecido como holding desde 2017, o poderoso Ajlan & Bros Holding Group atua em linha com os objetivos e estratégias do Programa Vision 2030 para o Reino da Arábia Saudita, desenvolvido pelo Rei Salman Bin Abdulaziz Al Saud e pelo Príncipe Herdeiro Mohammad bin Salman. Para tanto, embarcou em uma diversificação significativa, tanto regional quanto globalmente, investindo em um amplo portfólio de projetos nos principais setores de crescimento econômico da Arábia Saudita.

O Grupo detém participação em mais de 75 empresas que empregam cerca de 15.000 colaboradores em mais de 25 países e possui ativos que ultrapassam 15 bilhões de dólares, sendo um conglomerado atuante em diversos setores estratégicos, além de ter parcerias com mais de 100 empresas ao redor do mundo.

Segundo a lista Forbes das 100 maiores empresas familiares árabes em 2023, o Grupo Ajlan & Bros ocupa a posição de número 33, sendo que a Arábia Saudita domina com 33 entradas e abriga quatro das 10 maiores empresas.

SCOPA Defense - a empresa de defesa preeminente do Reino
Entre as empresas integrantes do Grupo Ajlan & Bros está a SCOPA Industries Corp. LLC (SCOPA Defense), uma ágil e renomada empresa privada de defesa do Reino da Arábia Saudita (onde está 100% de seu capital) fundada em 2020, juntamente com suas duas controladas, TAL e SEPHA Industries, criadas posteriormente para explorar oportunidades em regiões específicas. Com a SEPHA, a Taurus também fechou um contrato de agenciamento e distribuição em 04/07/2023. Atualmente, as três empresas estão agrupadas sob o guarda-chuva da SCOPA.

Mohammad Bin Abdulaziz Al-Ajlan é o fundador, proprietário e presidente da SCOPA. Além disso, como um dos quatro irmãos fundadores, é também o vice-presidente do Grupo Ajlan & Bros. Em seu papel como presidente da SCOPA, Al-Ajlan vê a empresa como um player global que estabelece parcerias estratégicas, contribuindo ativamente para os objetivos de defesa do Reino e reforçando sua posição na indústria de defesa internacional.

Estabelecida como a empresa de defesa preeminente do Reino, o objetivo da SCOPA é contribuir efetivamente para o ambicioso programa Visão 2030, criando indústrias militares orgânicas, fornecendo sistemas de defesa e serviços avançados e inovadores que atendam às necessidades e requisitos das Forças Armadas sauditas, ampliando assim as capacidades e o ecossistema de defesa do Reino, bem como alcançando os mercados globais de defesa e segurança.

Um de seus objetivos mais importantes é contribuir para o processo revolucionário de defesa, encontrando maneiras de investir no setor privado e criando oportunidades de emprego para a juventude saudita. Para tanto, a empresa também acredita que o estabelecimento de indústrias privadas de defesa estimulará uma ampla gama de outros setores dentro do Reino, como equipamentos industriais, comunicações e tecnologia da informação, o que, por sua vez, criará mais oportunidades de trabalho para os cidadãos sauditas.

A SCOPA afirma estar em parceria com algumas das principais empresas mundiais para fornecer uma ampla gama de avançadas soluções de defesa que incluem: Armas e Munições com foco na fabricação local para contribuir com o objetivo da Visão 2030 de localizar no Reino mais de 50% dos gastos militares; Sistemas Terrestres; Sistemas Navais; Sistemas de Aviação; Sistemas Integrados de Defesa Antimísseis; Sistemas C5ISR (Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Cibernética, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) em todas as plataformas de defesa; Sistemas de Proteção e Detecção CBRNE (Químicos, Biológicos, Radiológicos, Nucleares, Explosivos) de classe mundial; Tecnologia da Informação; Logística; e Serviços Gerenciados em operações estratégicas, operacionais e táticas.

Conforme informou a Agência de Imprensa Saudita e está registrado na página do evento, a SCOPA Industries será a principal parceira do World Defense Show 2024, que acontecerá em Riad no próximo ano. Sob o título “Equipped for Tomorrow”, o encontro de 2024 mostrará o futuro das tecnologias de defesa aérea, terrestre, marítima, espacial e de segurança. 

Algumas das últimas parcerias da SCOPA
Além das brasileiras Avibras e Taurus Armas, a SCOPA Defense estabeleceu parcerias importantes recentemente, com transferência de tecnologia, coprodução local e índice de nacionalização de 50% ou mais. Algumas das mais recentes e marcantes foram:

Airbus - helicópteros H175 militares e comerciais
No segundo dia do Paris Air Show, em junho, foi firmado um acordo para a aquisição de até 100 helicópteros supermédios Airbus H175, que inclui um pacote completo de conteúdo local no KSA. A construção da fábrica está prevista para começar no início do próximo ano e será capaz de produzir até 100 helicópteros militares e comerciais até o final da década.

Com isso, a Arábia Saudita se tornará o principal cliente do helicóptero H175 de 7,8 toneladas MTOW, capaz de acomodar até 18 passageiros na configuração comercial e até 16 na militar, além de dois tripulantes.

O acordo tem um valor de 6 bilhões de euros, sendo que o próximo passo será a expansão da produção para exportação de helicópteros na região, visando triplicar o valor do acordo e chegar a 20 bilhões de euros, possibilitando ainda a criação de 8.500 empregos diretos e três vezes mais empregos indiretos. O índice de produção local pretendido é de 65% com o decorrer do tempo.

Acordo com a Airbus Helicopters


Nurol Teknoloji - cerâmicas balísticas avançadas e soluções híbridas de proteção balística

No final de julho, durante a IDEF 2023, a SCOPA anunciou um acordo de parceria com a empresa turca Nurol Teknoloji, líder global na produção de cerâmicas balísticas de tecnologia avançada e soluções híbridas de proteção balística, visando estabelecer uma unidade industrial no KSA e, assim, alcançar seu intuito de localizar e transferir tecnologias críticas. O objetivo é oferecer soluções avançadas de proteção balística que melhorem as medidas de segurança dentro do Reino.

Acordo com a Nurol Teknoloji


PAVO GROUP - eletrônica de defesa e soluções de segurança

Também durante a IDEF 2023, a SCOPA firmou um acordo de parceria com o PAVO GROUP, um líder renomado em eletrônica de defesa e soluções de segurança com sede na Turquia! Com mais de 1000 engenheiros e pesquisadores dedicados, o PAVO GROUP traz uma riqueza de experiência e inovação para a mesa, tornando-o um parceiro ideal para a empresa saudita.

Acordo com o PAVO GROUP


Titra - helicóptero drone para logística e defesa

Como última parceria firmada na IDEF 2023, a SCOPA estabeleceu um acordo inovador com a empresa turca Titra para, juntas, fabricar um helicóptero drone de última geração projetado especificamente para aplicações de logística e defesa. Este notável helicóptero drone possui a capacidade de transportar sem esforço mercadorias pesando mais de 200 kg, acompanhado por uma impressionante resistência de 9 horas, representando uma solução inovadora e revolucionária no domínio do aprovisionamento e transporte militares.

Acordo com a Titra


UAS Tactical Systems (U-TacS)  - drone Combat-ISTAR

Em 2022, a SCOPA também estabeleceu parceria com a UAS Tactical Systems (U-TacS), sediada no Reino Unido, para coproduzir drones militares “Watchkeeper UAV” na Arábia Saudita e criar uma das principais plataformas estratégicas de UAV no país. O Watchkeeper (batizado como WK-X no KSA) cumprirá o papel Combat-ISTAR (Intelligence, Surveillance, Targeting and Reconnaissance).

Veículo blindado Mbombe 4, do Paramount Group

Um memorando de entendimento (MoU) entre as empresas sauditas SCOPA e National Company for Mechanical Systems (NCMS) foi assinado para a produção do veículo blindado Mbombe 4 do Paramount Group na Arábia Saudita. O acordo foi anunciado pela SCOPA em setembro de 2022. O acordo com o Paramount Group cobre o fornecimento e produção local de veículos 4×4 resistentes a minas, protegidos contra emboscadas (MRAP), equipados com sistemas defensivos e que atendem aos padrões militares internacionais.

Blindado Mbombe 4 na World Defense Show, fruto do acordo com o Paramount Group

Saiba mais:

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- SCOPA injetará recursos na Avibras e comprará mísseis de cruzeiro AV-MTC 300 e foguetes SS-150

- Novas tecnologias: Avibras firma parceria com empresa saudita SCOPA Defense

01 agosto, 2023

SCOPA injetará recursos na Avibras e comprará mísseis de cruzeiro AV-MTC 300 e foguetes SS-150

Míssil de Cruzeiro Avibras AV-MTC 300 lançado pelo Sistema Astros

*Rio Times - 01/08/2023

A Avibras Aerospace and Defense do Brasil assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a empresa saudita Scopa Defense em 31 de julho.

O acordo foi assinado durante o Fórum de Investimentos Brasil-Arábia Saudita, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A parte saudita vai injetar recursos na empresa brasileira, agilizando seu processo de recuperação judicial e revitalizando sua vantagem competitiva.

Além disso, serão feitos pedidos de mísseis de cruzeiro AV-MTC 300, novos foguetes SS-150 (altamente precisos) com alcance de 150 km e outros implementos necessários para operar essas armas.

Este acordo fornecerá uma atualização valiosa para a Arábia Saudita.

Parceria entre a Embraer e a saudita SCOPA Defense pode visar o KC-390, eVTOL ou outras aeronaves


*LRCA Defense Consulting - 01/08/2023

O Ministro de Investimentos do Reino da Arábia Saudita, Khalid Al Falih, afirmou ontem, durante seu discurso no  Fórum de Investimentos Brasil – Arábia Saudita, realizado na FIESP, que visitará a Embraer, com quem foi firmada uma Parceria Público Privada (PPP).

Como não foram divulgadas outras informações sobre a referida PPP e, provavelmente, não o sejam até a visita do ministro saudita à Embraer, esta Consultoria julga relevante registrar alguns fatos.


Durante o Paris Air Show, realizado em junho, com a presença da Embraer e da SCOPA Defense, o CEO de Defesa e Segurança da empresa saudita, Fawaz Fahad Alakeel, publicou que:
- "Estamos entusiasmados em anunciar que a SCOPA Defense finalizou com sucesso acordos com algumas das maiores e mais significativas empresas em todo o mundo, graças ao trabalho árduo e dedicação de nossa equipe. As reuniões foram um grande sucesso e estamos ansiosos para colaborações frutíferas no futuro. Estamos orgulhosos de ter tido a oportunidade de mostrar nossos planos e soluções. O feedback que recebemos foi inestimável e já estamos trabalhando para melhorar e desenvolver ainda mais. Obrigado a todos que nos apoiaram e à nossa equipe por seus esforços incansáveis. Fique de olho nas futuras atualizações e desenvolvimentos da SCOPA Defense!"

No vídeo com que a empresa saudita ilustrou sua participação no Paris Air Show (foto principal), além de muitos registros de aeronaves e helicópteros da Airbus, com quem a empresa fechou um grande contrato recentemente, um deles mostrou a aeronave multimissão Embraer KC-390.

Em consequência, a pergunta que não quer calar é se tal parceria teria relação com o KC-390 ou com outras aeronaves e/ou serviços da Embraer.

Informações anteriores
Em entrevista ao portal Defense Here, em 26/04/2023, o CEO da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Junior, falou sobre os mercados de interesse da Embraer onde destacou a região do Oriente Médio, dizendo “Temos nosso escritório em Dubai desde 2009. Então vemos esta região, a região do Oriente Médio, como uma região muito importante e muito estratégica para a Embraer”. Ele também afirmou que a Embraer está buscando fortalecer suas parcerias com os países da região e ajudá-los a localizar tecnologias, acrescentando que “estamos buscando oferecer nossas soluções para a Arábia Saudita e também para os Emirados”.

Em julho de 2022, a Embraer Defesa & Segurança celebrou acordos de cooperação com a BAE Systems por meio de dois memorandos de entendimento (MoUs, na sigla em inglês) que visam ampliar a atuação das empresas no mercado global de defesa. O primeiro é voltado para promover o C-390 nos mercados do Oriente Médio (inicialmente no Reino da Arábia Saudita) e o outro confirma uma intenção de criar uma joint venture para desenvolver uma variante de defesa do veículo elétrico de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOL) da Eve.

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