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12 novembro, 2023

Mais de 95% dos massacres com armas de fogo nos EUA ocorreram em "zonas livres de armas"


*LRCA Defense Consulting - 12/11/2023

A pesquisa realizada pelo Dr. John R. Lott Jr. - Conselheiro Sênior de Pesquisa e Estatística do Departamento de Justiça dos EUA - sob o título "Detalhando dados de tiroteios públicos em massa de 1998 a maio de 2022: informações sobre armas usadas; zonas livres de armas; dados demográficos raciais, de idade e de gênero", publicada em maio de 2022 pelo instituto americano Crime Prevention Research Center (Centro de Pesquisa de Prevenção do Crime), traz algumas conclusões interessantes sobre a maioria dos tiroteios públicos havidos nos EUA.

Entre outras descobertas, a mais significativa é que 9 em cada 10 ataques ocorrem em zonas livres de armas (gun-free zone), embora durante um período mais longo, desde 1950, 96% dos ataques tenham ocorrido em zonas livres de armas.

Cinemas, escolas e universidades, por exemplo, são pontos em que o cidadão não pode portar armas nos EUA, sob pena de se submeter a rigorosas punições previstas em lei. Contudo, pessoas que estão decididas a cometer um massacre não seguem as leis.

Segundo Bene Barbosa - bacharel em Direito, especialista em segurança pública e presidente da ONG Movimento Viva Brasil - declarou ao jornal Gazeta Mercantil em reportagem intitulada "Áreas livres de armas legais, mas não de loucos":
- "Ao se pesquisar tecnicamente os massacres registrados mundo afora, tem-se nítida a constatação de que o fato de terem ocorrido em locais onde armas são proibidas não é coincidência. Ao contrário, o que se vê, sobretudo quando o assassino permanece vivo, é a escolha criteriosa desses locais para os ataques, pois ali não há chance de reação da vítima, o que pode impedir a ação, cessando sua investida".

O fato é que as pessoas más não querem disparar contra locais onde possam encontrar resistência armada. Eles escolhem escolas, festivais de música (como em Israel, recentemente), cinemas e outros alvos fáceis para realizar massacres, onde é provável que seja encontrada pouca ou nenhuma resistência armada.

A lógica é simples. Pessoas armadas são mais difíceis de matar do que pessoas desarmadas. Balas voando em ambas as direções, especialmente na dos bandidos, dão a estes algo a considerar seriamente antes de atacar. 

Em síntese, assassinos em massa, terroristas ou quaisquer outros tipos de bandidos não querem tiros vindo em sua direção. Obviamente, preferem alvos indefesos, fáceis de atacar e que não possam reagir com a mesma força.

21 janeiro, 2022

Brasil registra menores taxas de homicídio em 26 anos – e ninguém parece ter visto

 

*Centro de Pesquisa em Direito e Segurança, por Fabrício Rebelo - 18/01/2022

O acompanhamento do cenário de segurança pública de qualquer país, para que possa ser tomado com seriedade e critério científico, precisa ser assentado em indicadores objetivos. Convencionalmente, se utiliza como parâmetro básico os atos vinculados à violência intencionalmente letal, por se tratar do tipo de crime com menores chances de subnotificação. Há diversos desses indicadores disponíveis para pesquisa, alguns adotando a variação de números absolutos, outros as oscilações percentuais e, outros ainda, as taxas por determinado universo populacional.

Todos os indicadores, desde que mantido seu referencial comparativo, são instrumentos válidos de análise, sobretudo no acompanhamento evolutivo de cenários, mas alguns deles fornecem informações de cunho mais amplo e global, especialmente quanto à possibilidade cotejo entre realidades extraídas de locais distintos.

Internacionalmente, ainda que os números absolutos sejam rotineiramente computados, o indicador referencial preponderante é a taxa de homicídios, que se convencionou calcular para cada grupo de 100 mil habitantes. É algo que, além da já enfatizada possibilidade de se comparar cenários de locais diferentes, reduz substancialmente – se não por completo – a interferência de suas variações populacionais. Afinal, ainda que seja obviamente natural que um país com 200 milhões de habitantes registre mais homicídios do que um com 20 milhões, as taxas por grupos de 100 mil dos indivíduos que ali estão fornecem a mesma razão comparativa, sendo elementos hábeis a identificar qual deles é proporcionalmente mais violento.

No Brasil, o acompanhamento das taxas de homicídio foi o principal balizador da segurança pública até o início dos anos 2000. Era por elas que se mensurava o quão grave se encontrava a situação de insegurança no país, inclusive em confrontação com os parâmetros da ONU, para a qual se considera violência epidêmica uma taxa de homicídios superior a 10 por 100 mil.

A partir de 2003, no entanto, a ênfase foi sendo sutilmente deslocada e a taxa de homicídios cedeu espaço aos números absolutos, cuja abordagem passou a ser muito mais comum ao se analisar se os homicídios estavam aumentando ou diminuindo. Em boa parte, isso se deveu ao advento da Lei nº 10.826, de dezembro de 2003, o popularmente designado “Estatuto do Desarmamento”, tendo em vista que, no afã de apontar seus supostos efeitos positivos, se buscou enfatizar reduções lineares no total de assassinatos - mesmo nos que a lei não teria qualquer efeito –, em detrimento das ínfimas oscilações nas taxas, cujo impacto popular se revelava inegavelmente menor, dada a sua igualmente diminuta razão de grandeza.

No entanto, mesmo que afetem em menor escala a compreensão popular, não é possível se omitir na evidenciação de que, no último biênio com dados disponíveis, estabeleceu-se a maior redução histórica na taxa de homicídios, com seu retorno a patamares de 26 anos atrás.

Foi exatamente isso que revelaram os dados para os anos de 2019 (finalizados) e 2020 (preliminares), de acordo com os registros no DATASUS (banco de dados oficial do Ministério da Saúde), a partir dos quais se constata que, após ter alcançado 30,7 / 100 mil em 2017 (maior já registrada), a taxa de homicídios brasileira começou a ser reduzida já em 2018, quando foi consolidada em patamar 12,64% menor em relação ao ano anterior, equivalente a 26,8 / 100 mil. No ano seguinte (2019), a redução foi substancialmente maior, com o indicador caindo 21,87%, a maior redução de toda a série histórica, fazendo-o retornar a 20,9 por 100 mil, patamar repetido em 2020. Desde 1993, com 20,2 / 100 mil, a taxa de homicídios não era tão baixa no Brasil.

Curiosamente, no entanto, essa redução não ganhou qualquer destaque na grande mídia ou nas ONGs que se dedicam ao acompanhamento da segurança pública nacional, nem mesmo naquelas que produzem atlas e anuários de segurança pública. Talvez isso se explique pela contingência de que as maiores reduções em homicídios no país se operaram no mesmo intervalo de tempo em que mais se vendeu armas de fogo para seus cidadãos, o que culmina por apresentar mais um sólido argumento contra a narrativa causal entre armas e crimes que há muitos anos impera na maior parte da imprensa tradicional e nas citadas entidades.

Ainda assim, mesmo sem destaque, o fato continua sendo extremamente relevante. Tal como no número absoluto de homicídios e no percentual da participação das armas de fogo em sua prática, o primordial indicador brasileiro de segurança pública também nos revela que, nos últimos anos, voltamos a repetir registros alcançados pela última vez na década de 1990. Insolitamente, justamente na época em que a segurança pública brasileira ainda não havia apostado no combate à circulação legal de armas como sua primordial diretriz. Talvez – e apenas talvez – não seja mera coincidência.

12 outubro, 2020

Venda de arma triplica no Estado de SP após decreto de Bolsonaro


 *Diário do Grande ABC, por Bia Moço - 11/10/2020

O Estado de São Paulo teve explosão no registro de novas armas controladas pela PF (Polícia Federal) entre janeiro e setembro de 2017 na comparação com o mesmo período de 2020. O número mais do que triplicou, saltando de 2.714 para 9.191, aumento de 238,6%. O crescimento se acentuou após aprovação de decreto em 15 de janeiro de 2019 que flexibiliza a compra e o porte de armas de fogo à população, medida defendida desde a campanha de 2018 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A PF não divulgou dados sobre o cenário nas cidades do Grande ABC, mas uma das principais lojas do seguimento da região, a ISA, em São Caetano, teve aumento de 40% nas vendas.

Os dados do Sinarm (Sistema Nacional de Armas) da PF são referentes as armas compradas por pessoas físicas, empresas de segurança privada e categorias profissionais previstas no decreto 9.847, como servidores da segurança pública, magistrados e integrantes do MP (Ministério Público). O levantamento não inclui armamentos adquiridos por órgãos militares estaduais de segurança pública, tampouco os números de registros feitos por meio das Forças Armadas e pelos CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), cujo controle é de responsabilidade do Exército.

Professor de direito e coordenador do observatório de segurança pública da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), David Siena avalia que o cenário está relacionado com mudanças regulamentares promovidas pelo governo federal em 2019, quando pessoas passaram a ter o direito de adquirir armas e munições de calibre restrito. “Além disso, ampliou quantitativamente o número de armas e munições que podem ser adquiriras por pessoa. Em suma, havia demanda reprimida e agora as pessoas começaram a ser atendidas por este mercado”, pontuou o especialista.

O levantamento do cenário estadual aponta crescimento gradativo. De 2017 para 2018 o número de novas armas de fogo registradas saltou de 2.714 para 4.227, aumentando 55,7%. Entre 2018 e 2019 o acréscimo foi de 18,7%, passando para 5.020 unidades em circulação. O boom, porém, foi neste ano, com aumento de 83% e 9.191 artefatos cadastrados – veja mais na arte abaixo.   

Considerando apenas registros feitos por cidadãos, o número saltou 115,9% de janeiro a setembro de 2017 comparando com o mesmo período de 2020. O valor maior foi entre 2018 e 2019, quando 773 pessoas a mais compraram armas (37,7% de acréscimo). O porte também aumentou bastante em quatro anos, registrando acréscimo de 61,8% de janeiro a setembro. Neste ano foram 942 pessoas habilitadas, ante 582 em 2017.

Bacharel em ciências e humanidades e pesquisador do Seviju (Grupo de Pesquisa em Segurança, Violência e Justiça) da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), Carlos Augusto Pereira de Almeida alerta para o perigo com o crescimento desmedido. “A comparação de 2017 para 2020 é de um explosão gigantesca. Olhando para o Grande ABC, esse aumento de 40% é algo assustador, porque são mais armas de fogo em circulação e, por mais que existam as regras, de não poder andar com a arma, apenas manter dentro de residência ou estabelecimento comercial, são mais armas que estão nas ruas, nas cidades, e isso tem que ser levado em consideração”, pontuou.

No Brasil
No âmbito nacional os números se acentuam ainda mais. De janeiro a setembro de 2017 foram 34.254 novas armas de fogo registradas. Neste ano, a Polícia Federal emitiu 129.583 certificações, ou seja, acréscimo de 278,3% no pedido de registro. Considerando apenas pessoas físicas, foram 25.394 inscrições em 2017 e 83.524 em 2020, aumento de 228,9%.

Loja da região acusa procura 40% maior; arma custa R$ 4.000
Desde que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou decreto que flexibiliza o porte de armas em todo o País, em 15 de janeiro de 2019, o número de interessados em cursos de tiro e compra de armamentos disparou no Grande ABC.

A equipe de reportagem esteve no ISA, uma das principais lojas do seguimento, localizada em São Caetano, e verificou que, mesmo com as restrições por causa da pandemia, o movimento da loja, e também do clube de tiros, segue alto. Em uma hora, mais de 25 pessoas transitaram pelo espaço, seja para ver as armas disponíveis ou praticar tiro.

Proprietário do ISA, Clovis Aguiar destacou que o crescimento nos dois setores foi de 40% desde que o presidente decretou a lei. “Triplicou a procura pelo curso de tiro, abrindo, inclusive, turmas extras aos domingos”, revelou.

obre o crescimento, Clovis explicou que há também muitas pessoas que vão procurar, mas sem a certeza de que efetivarão, tanto a compra quanto o curso. “Há grande número de curiosos, mas uma arma não é barata e não são todos os que possuem qualificações necessárias para obter um equipamento”, ressaltou.

Conforme a legislação, é possível registrar armas de fogo pela PF (Policia Federal) ou Exército. Em ambos os casos o pretendente passa por psicólogo credenciado na PF e realiza provas teórica e prática, que contemplam questões de segurança, conhecimento do armamento e da legislação. A documentação total, em ambos os casos, custa em torno de R$ 2.800, com processo que pode chegar até oito meses de duração. Já a arma mais em conta gira em torno de R$ 4.000.

Especialista vê falsa sensação de segurança
A compra da arma está condicionada a aprovação de laudos psicológicos e de tiro, além das especificações de como se comportar diante da posse de um equipamento para uso, especificamente, de segurança pessoal e residencial. Embora as determinações sejam rigorosas, especialistas garantem que ter um revólver cria a falsa sensação de segurança e que muitas vezes isso pode acabar em tragédia.

Bacharel em ciências e humanidades e pesquisador do Seviju (Grupo de Pesquisa em Segurança, Violência e Justiça) da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), Carlos Augusto Pereira de Almeida explica que até policiais treinados para portar armas de fogo muitas vezes se tornam vítimas.

“Não há garantia alguma de que arma de fogo gera segurança. Esse discurso é falso, não tem embasamento, mas foi, infelizmente, nisso em que foi pautada a nova lei, que diz que as pessoas têm direito de ter arma em casa para se defender. Mas se defender de quem? A ameaça vende. Segurança, muros altos, portões automáticos, alarmes, câmeras, segurança particular e armas. E esse discurso, infelizmente, faz com que cresça, e vai crescer mais ainda, o número de armas nas ruas”, alertou Almeida. “Até mesmos os policiais têm, como instrução, que, caso sejam alvos de criminosos, não devem reagir se estiverem sozinhos. Então, a pessoa que usa equipamento desses como segurança é um alvo e não deve reagir”, acrescentou o especialista.

26 julho, 2020

Todas as falácias do Fantástico na reportagem sobre armamento



*LRCA Defense Consulting, com texto de Felipe Fiamenghi - 26/07/2020

A reportagem sobre o armamento, apresentada no Fantástico, foi ao ar no domingo passado. Demorei quase uma semana para escrever este texto, porque fiz questão de buscar minuciosamente todos os dados e fatos.

Afinal, para refutar todo o sensacionalismo Global, unido a opiniões de "especialistas", devemos nos munir de toda a verdade possível.

A matéria começa de forma comovente, exibindo famílias que tiveram entes queridos mortos por armas de fogo. Um dos casos, porém, me chamou bastante atenção. Um homem passeava com a sua família quando bateu em um carro estacionado e evadiu do local. O dono do outro veículo, armado, iniciou uma perseguição e os abordou minutos depois. Antes do desfecho, porém, a esposa do primeiro motorista conseguiu ligar para a polícia e pedir socorro, que não chegou a tempo.

Mesmo que uma viatura conseguisse atingir 1476 Km/h, a velocidade de disparo de uma pistola 9mm, como a utilizada no crime, ainda não chegaria a tempo de evitar a tragédia. A única coisa que poderia salvar a família, então, seria um objeto que equalizasse suas forças com a do agressor. Ou seja, uma arma de fogo.

Não existe campanha mágica, que livrará todo o mundo das armas. Criminosos não se desarmam. No máximo, consegue-se desarmar o cidadão pacífico e ordeiro, que usa-a como ferramenta de proteção, e torna-o uma presa fácil.

O primeiro dado apresentado pelo "especialista" do IPEA deve ser verdadeiro em algum lugar no Fantástico Mundo da Biblioteca. No Planeta Terra não procede. Segundo ele: "Os números não mentem. A cada 1% de aumento no número de armas, aumentam 2% nos números de crimes violentos".

Realmente os números não mentem e nem confirmam as estatísticas por ele apresentadas. Em 2019, tivemos um aumento de 23,5% no número de armas registradas e uma queda de 20% no número de homicídios.

Números internacionais também mostram a falácia na narrativa do "especialista". Os EUA, com 400 milhões de armas registradas, 400 vezes mais do que o 1 milhão de armas brasileiras, tem uma média de 5 homicídios para cada 100 mil habitantes. Seis vezes menor do que a nossa.

A Suíça, proporcionalmente o país mais armado do mundo, tem uma taxa 0,3/100.000. Uma das menores do planeta.

Em Orlando, após uma massiva campanha para que as mulheres se armassem, em um ano, os crimes sexuais despencaram 88%.

Em se tratando de crimes sexuais, aliás, os dados da National Rifle Association sugerem que, quando a vítima está armada, apenas 3% deles se concretizam. O que pode ser comprovado, novamente, pelo exemplo da Suíça, onde os estupros são raríssimos, enquanto na vizinha Suécia, desarmamentista, as alarmantes estatísticas apontam que, ao longo da vida, 1 em cada 4 mulheres será estuprada. 25% da população feminina do país!

Dados manipulados também serviram para sustentar nosso absurdo e arbitrário Estatuto do Desarmamento, recusado, nas urnas, por 63% dos cidadãos. Apesar de ONGs, como a "Sou da Paz", defenderem que a lei salvou mais de 100 mil vidas, a realidade é que, desde então, os homicídios aumentaram mais de 20%.

E o aumento da violência, trazido pelo desarmamento de civis, não é uma exceção Brasileira. Pelo contrário.

Na Austrália, após a sanção de uma lei também severamente restritiva, os homicídios aumentaram 19%, os assaltos armados 69% e os estupros atingiram a média de 1 a cada 6 mulheres. Mais que o dobro da média global.

Outros dois "especialistas", apresentados na matéria, tiveram um importante papel em momentos históricos do aumento da criminalidade tupiniquim.

O primeiro, José Vicente da Silva Filho, foi Secretário Nacional de Segurança Pública do governo FHC, que dificultou o acesso às armas, em 1997, e viu o número de homicídios crescer 10% nos 3 anos seguintes.

O segundo, Raul Jungmann, foi Ministro da justiça do governo Temer, exatamente no período que registramos nosso recorde nacional de criminalidade violenta: 2017, quando 65.602 brasileiros foram assassinados.

Os únicos argumentos favoráveis, apresentados pelo deputado Capitão Augusto, Oficial da Polícia Militar e coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, ocuparam apenas alguns segundos dos quase vinte minutos da reportagem.

Com certeza, o testemunho do Capitão desmentiria também a argumentação de que a população armada dificulta o trabalho policial. Onde existe armamento civil, os cidadãos, em especial os CACs [Caçadores, Atiradores Esportivos e Colecionadores], tornam-se uma força auxiliar de segurança, treinada, armada e gratuita, que muitas vezes colabora com a polícia. Não faltam casos, ao redor do mundo, para comprovar essa afirmação.

Desarmamento não é sobre armas e muito menos sobre segurança. Desarmamento é sobre CONTROLE.

UM POVO ARMADO JAMAIS SERÁ ESCRAVIZADO!

"Quando todas as armas forem de propriedade do governo, este decidirá de quem são as outras propriedades." (FRANKLIN, Benjamin)


21 julho, 2020

A violência está impulsionando as vendas de armas, e não o contrário

Pistolas à venda em Bridgeton, Mo., em 13 de novembro de 2014. (Jim Young / Reuters)


*The Washington Post/Cartas para o editor/ Por Frederick Bruce Blum - 20/07/2020

Pelo menos a reportagem de 16 de julho “O aumento do crime violento segue o aumento das vendas de armas”, sobre um relatório sobre a compra de armas, observou: “Os autores alertam que um estudo dessa natureza não pode provar a causalidade, particularmente em um momento de grande agitação social em um país que lida com uma crise de saúde pública sem precedentes, bem como com um movimento nacional de protesto”.

Não é que a “farra de compra de armas esteja associada a um aumento significativo na violência por armas nos Estados Unidos”; é o aumento significativo da violência e da agitação civil que está impulsionando a "farra da compra de armas".

Não há evidências de que cidadãos cumpridores da lei estejam saindo e cometendo violência com suas armas defensivas recém-adquiridas. Não há evidências que demonstrem qualquer viés racial evidente na pressa de comprar armas de fogo. Com distúrbios civis de qualquer tipo em que os cidadãos se sintam ameaçados, farão o que acharem necessário para defender suas famílias, casas e empresas - e isso atravessa todas as linhas raciais, étnicas e políticas.

A manchete do artigo deveria ter lido “O aumento nas vendas de armas segue o aumento da violência e da ilegalidade”.

22 outubro, 2019

Venda de armas leves no Brasil poderá bater recorde em 2019


Números que estão sendo trazidos à luz pela imprensa em alguns Estados indicam que a venda de armas leves (revólveres, pistolas e carabinas) poderá representar uma quantidade recorde em 2019.

Publicado em 17/10 e atualizado em 22/10/2019

Em 11 de setembro, o G1 publicou que o número de armas novas compradas e registradas no Espírito Santo aumentou quatro vezes de um ano para o outro. Em 2017, foram registradas 588 novas armas no Estado, sendo que em 2018 saltou para 2.147, um aumento de 265,1%. Os dados fizeram o Espírito Santo ocupar a primeira posição no crescimento de novos registros no Brasil. A informação está no 13° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de acordo com as informações do Exército Brasileiro. Fazem parte do levantamento as armas de uso restrito e de uso permitido. O registro para atirador desportivo - que pratica esporte com arma de fogo - foi um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento no registro de armas no Estado.

Segundo divulgou o portal NSC Total, desde que as novas regras para a posse de armas de fogo no Brasil entraram em vigência, no começo do governo Jair Bolsonaro (PSL), o número de armas registradas em Santa Catarina aumentou e alcançou índices inéditos. No período em que há dados disponíveis da Polícia Federal (PF), de 1997 em diante, nunca tantos novos registros foram feitos em um ano no Estado. Em 2019, até o dia 31 de julho, em média 42 armas foram autorizadas pela PF em SC por dia — o equivalente a um novo registro a cada 35 minutos.

Ao todo, nos primeiros sete meses de 2019 a Polícia Federal registrou 8.968 novas armas de fogo no Estado. O número, mesmo a cinco meses do fim do ano, é o maior até hoje e é superior à soma de todos os registros concedidos em 2017 e 2018 (quando a PF autorizou cerca de 3,5 mil armas por ano).

https://www.nsctotal.com.br/noticias/uma-arma-de-fogo-e-registrada-a-cada-35-minutos-em-santa-catarina-em-2019

O jornal O Diário, em matéria publicada em 04 de setembro, noticia que o Clube de Tiro de Mogi das Cruzes registrou aumento de mais de 40% na procura pelos cursos nos últimos seis meses em relação ao mesmo período do ano passado. O interesse das pessoas aumentou depois da flexibilização do uso de armas. O decreto presidencial que libera o porte para proprietários rurais, colecionadores e atiradores estimulou a frequência no espaço, que prepara e credencia para conseguir a autorização.

Em matéria veiculada em 14 de outubro, o portal Campo Grande News divulgou que, segundo o Superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Cleo Mazzotti, os pedidos para registro de armamento e autorização para porte aumentaram 30% em 2019.

Em publicação de 22 de outubro, o portal Agora RN divulgou que o número de registros de armas de fogo dobrou no Rio Grande do Norte em apenas quatro meses, segundo dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) da Polícia Federal. Em maio passado, o órgão contabilizou o registro de quase duas novas armas por dia, mas este número saltou para quatro em agosto, representando uma evolução de 128% nos armamentos ao longo do período de quatro meses.

Em todo o Brasil, a Polícia Federal contabiliza mais de 340 mil armas de fogo registradas em 2019. A tendência é que o índice siga aumentando no estado.

Reflexos na indústria 
A Taurus Armas S.A., maior fornecedora interna de armas leves, divulgou em seu último balanço trimestral que, no primeiro semestre de 2019, suas vendas no mercado interno totalizaram 50 mil unidades, um incremento de 13,6%  no volume e de 10% na receita em relação ao mesmo período de 2018.

Vale lembrar que, atualmente, apenas 15% de toda a produção de armas da companhia é destinada ao mercado nacional e que a demanda reprimida é enorme. 

Novas normas legais e discussão pública seriam os motivos
A flexibilização possibilitada pelos Decretos baixados pelo Governo sobre o assunto neste ano, bem como a nova lei para a posse/porte de armas no meio rural, são dois motivos que podem explicar boa parte desses fatos, mas não são os únicos.

Com a intensa discussão pública sobre o tema, havida a partir da intensificação da campanha de Bolsonaro em 2018, uma grande parte da população passou a tomar conhecimento de que poderia adquirir uma arma, mesmo dentro das normas anteriores às novas normas legais, coisa que pensava ser vetada pelo Estatuto do Desarmamento.

Números animadores
Ainda é cedo para afirmar que tais fatos indiquem uma tendência firme que leve a um recorde de vendas em 2019, pois faltam dados dos demais Estados, principalmente daqueles que são os maiores consumidores, mas os números são animadores.

Perspectivas para o mercado interno
Segundo divulgou o jornal Zero Hora, em edição de maio deste ano, especialistas do setor estimam que até seis milhões de brasileiros - caçadores, atiradores, colecionadores e cidadãos comuns - estariam dispostos a adquirir uma ou mais armas após a pacificação legal do assunto. É um mercado com potencial explosivo que pode render cerca de R$ 12 bilhões e representar um incremento de 10 vezes sobre o total de armas oficialmente legalizadas por cidadãos no Brasil.


*LRCA Consulting – compilação e análise
 

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