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27 abril, 2025

Monóculo de imagem termal da Opto Space & Defense é adotado pelo Exército, em marco importante para a BID e para a Força Terrestre


*LRCA Defense Consulting - 27/04/2025

Com o objetivo de estimular os programas de desenvolvimento de tecnologias na busca pela redução da defasagem tecnológica das Forças Armadas e fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID), foi iniciado pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em outubro de 2019, o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Monóculo de Imagem Térmica OLHAR, em conjunto com a empresa brasileira Opto Space & Defense, integrante do Grupo Akaer, sediada em São Carlos (SP).

Menos de 10 países do mundo, entre eles China, Estados Unidos, França, Israel e Reino Unido, dominam a tecnologia de fabricação de monóculos de visão termal para uso militar – e quem tem essa capacidade restringe a comercialização dos dispositivos.

Desenvolvimento em quatro fases
Assim, com recursos orçamentários do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, o projeto do Monóculo OLHAR foi subdividido em quatro fases de desenvolvimento. Na Fase 1, foi realizada a P&D com a fabricação de dois protótipos. Na Fase 2, foram fabricados mais quatro protótipos e foi realizada a avaliação das unidades. Já na Fase 3, o lote-piloto com 21 unidades foi fabricado, enquanto que, na Fase 4, foi realizada a avaliação do lote-piloto.

Em agosto de 2024, foi homologada a avaliação do lote-piloto e, em março de 2025, foi realizada a adoção do material, por intermédio da 2ª Reunião Decisória (2ª RD), coroando o ciclo de P&D do equipamento, com o atendimento de 63 requisitos técnicos absolutos e 22 requisitos operacionais absolutos, todos definidos pelo Sistema Combatente Brasileiro (COBRA). Dessa forma, entre 2019 e 2024, foram percorridas exitosamente todas as fases preconizadas pelas Instruções Gerais para a Gestão do Ciclo de Vida dos Sistemas e Materiais de Emprego Militar.

Características
O Monóculo OLHAR foi projetado com o que há de mais avançado em microeletrônica, mecânica de precisão e óptica. Com massa e dimensões reduzidas, o equipamento oferece rápido acoplamento a armamentos e capacetes, contando ainda com a possibilidade de troca de objetivas para execução de disparos de precisão. Nas fases de avaliação, o equipamento atingiu distâncias para Detecção (D), Reconhecimento (R) e Identificação (I) compatíveis com os melhores monóculos termais disponíveis no mercado.

O monóculo tem cerca de 800g, 15,5cm de comprimento, 7,2cm de largura e 6,7cm de altura. Entre os atributos técnicos verificados, está a possibilidade de escolha entre dois sistemas ópticos, que permitem uma visão mais ampla ou mais aproximada da cena. Já os atributos operacionais certificaram a resistência do equipamento dentro da água e sua resistência ao choque, entre outros requisitos.

A Akaer não revela o preço do monóculo. O valor, segundo a empresa, depende de algumas variáveis, como o número de unidades previstas na negociação. Monóculos de imagem térmica já em operação – como os das norte-americanas Teledyne Flir Systems e L3Harris Technologies, uma das fornecedoras do Exército dos Estados Unidos, da britânica BAE Systems e da israelense Elbit Systems – custam a partir de US$ 3 mil e podem superar US$ 20 mil. O valor varia conforme as características do dispositivo, o nível de sofisticação tecnológica, os acessórios, entre outros fatores. “O Olhar será competitivo. Não seremos o mais caro nem o mais barato do mercado”, destacou afirma o engenheiro eletrônico Cláudio Carvas, diretor-presidente da Opto Space & Defense, em 2024.

Visão termal é fundamental em operações militares
“A visão termal é fundamental para quem entra em guerra. Especialistas em defesa costumam dizer que o soldado brasileiro é cego, porque guerra de dia a gente só vê no cinema. O conflito real acontece à noite, quando as dificuldades são grandes e equipamentos como o monóculo criado pela Akaer são essenciais”, sustentou (em 2024) o físico Jarbas Caiado de Castro Neto, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), que não participou diretamente do desenvolvimento.

Dispositivos como o Olhar detectam a radiação infravermelha, associada ao calor, emitida pelo corpo humano ou por objetos, e a convertem em uma imagem visível. Para isso, são dotados de sensores, normalmente feitos de silício amorfo ou óxido de vanádio, capazes de captar a emissão de radiação térmica dos corpos. A radiação infravermelha detectada é convertida em sinais elétricos que, por sua vez, são processados dando origem a uma imagem térmica em que diferentes cores ou tons representam diferentes temperaturas. Essa imagem é exibida em um display.

Cláudio Carvas explicou que o Olhar difere dos óculos de visão noturna. Os militares norte-americanos usaram esses últimos na missão de captura e morte do terrorista Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2011. “Não é a mesma tecnologia. Óculos de visão noturna são intensificadores de luz, ou seja, captam uma luz mínima existente no ambiente e a amplificam para formar uma imagem. O monóculo termal independe da luz ambiente.”

Múltiplos usos
Projetado inicialmente para fins bélicos, o equipamento também pode ser utilizado em missões de outra natureza, como operações de segurança pública ou de resgate, visando localizar pessoas, animais e objetos quentes em condições de pouca ou nenhuma visibilidade, como em ambientes com fumaça, poeira e nevoeiro. “O dispositivo detecta partes quentes em uma imagem, seja numa operação noturna ou diurna. Essa é sua grande função”, diz Carvas. “Na maioria das aplicações, o Olhar pode ser utilizado para aumentar a capacidade de observação do usuário.”

O Monóculo OLHAR foi empregado com êxito na Operação Taquari II, que resgatou milhares de civis isolados durante as enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024.

Marco importante para o Exército e para a Base Industrial de Defesa
A entrega do Monóculo OLHAR ao Exército Brasileiro é um marco importante no desenvolvimento de equipamentos de imagem térmica no Brasil, em que o Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército (SCTIEx), em conjunto com a BID, dota o Exército Brasileiro das capacidades necessárias para o aprimoramento da Força Terrestre.

O fato também marca um momento importante para a Base Industrial de Defesa brasileira, pois, por meio da Opto Space & Defense, insere o País em um seleto grupo que produz esse tipo de equipamento

*Com informações do Exército Brasileiro e da Revista Fapesp

 

26 abril, 2025

Grécia mira o Embraer C-390 para substituir seus Hercules C-130

 


*Army Recognition - 25/04/2025

Conforme relatado pelo OnAlert em 22 de abril de 2025, o Embraer C-390 Millennium brasileiro foi formalmente incluído no Programa de Aquisição de Defesa de Longo Prazo da Grécia como candidato a substituir a antiga aeronave C-130 Hercules, de fabricação americana, da Força Aérea Helênica (HAF).

O Estado-Maior da Força Aérea recomendou a aquisição inicial de pelo menos três C-390, com opção para aeronaves adicionais em fases subsequentes. Essa potencial aquisição está estruturada dentro de um planejamento de defesa de 12 anos. No entanto, sua implementação está programada para o final da década, já que as prioridades atuais incluem a atualização contínua de 38 caças F-16 Bloco 50 para a configuração Viper.

Até a introdução de novas aeronaves de transporte, a Grécia pretende manter a capacidade operacional usando um número limitado de C-130s existentes e a frota de C-27J Spartan. Os C-27Js passarão por atualizações, e um novo contrato de Suporte de Acompanhamento de cinco anos está planejado para 2026.

Apesar dos esforços contínuos da Força Aérea Helênica (HAF), da Indústria Aeroespacial Helênica (EAB) e do 356º Esquadrão de Transporte Tático "Hercules", as taxas de disponibilidade para o C-130 permanecem baixas. No início de 2025, quatro aeronaves estavam operacionais, com uma possível quinta prevista para retornar ao serviço nos próximos meses. A Grécia já havia submetido um pedido aos Estados Unidos para C-130s desativados, mas estes foram considerados inadequados devido aos custos de restauração. Um novo pedido foi apresentado desde então para aeronaves excedentes operacionais, algumas das quais deverão estar disponíveis em 2025.

O interesse pelo C-390 Millennium aumentou desde 2023. A Embraer apresentou a aeronave à Força Aérea Helênica (HAF) em 25 de janeiro, 26 de junho e 22 de novembro daquele ano, incluindo demonstrações estáticas e avaliações de voo na Base Aérea de Elefsis. Militares gregos realizaram voos de familiarização e participaram de demonstrações de procedimentos de carregamento de carga.

Em 20 de fevereiro de 2025, altos funcionários políticos e militares gregos participaram de outra apresentação estática em Elefsis, seguida de briefings sobre as características técnicas da aeronave e o potencial custo de aquisição. Essas avaliações fazem parte de um processo de avaliação mais amplo que inclui o C-130J e opções de Hercules usados.

Características superiores do C-390
O C-390 Millennium é uma aeronave bimotora de transporte tático a jato, com um porão de carga de 18,5 metros de comprimento, 3,45 metros de largura e 2,95 metros de altura. Sua capacidade máxima de carga útil é de 26.000 quilos, podendo transportar até 80 soldados totalmente equipados, 74 macas ou veículos como dois veículos blindados de transporte de pessoal M113 ou um helicóptero Sikorsky H-60.

É equipado com dois motores turbofan IAE V2500-E5, cada um produzindo 14.140 kg de empuxo. Esses motores também são utilizados na frota comercial do Airbus A320, com mais de 7.200 unidades produzidas globalmente. Espera-se que essa comunalidade reduza os custos de manutenção e simplifique a logística.

Em termos de desempenho, o C-390 atinge uma velocidade máxima de 988 km/h e uma velocidade de cruzeiro de Mach 0,8. Ele pode voar 5.500 quilômetros com uma carga útil de 15 toneladas e opera a um teto de serviço de 36.000 pés. Em comparação, o C-130J atinge uma velocidade máxima de 670 km/h, um alcance de 3.300 quilômetros com carga útil semelhante e um teto de 29.000 pés.

O compartimento de carga do C-390 foi projetado sem os estabilizadores internos do trem de pouso, ao contrário do C-130, o que reduz a largura interna utilizável em certas configurações. O design externo dos compartimentos do trem de pouso do C-390 permite um porão de carga mais amplo e alto, possibilitando o transporte de equipamentos de maior volume.

A aeronave suporta uma variedade de missões, incluindo transporte de carga, transporte de tropas, evacuação aeromédica, reabastecimento em voo e combate a incêndios. É equipada com aviônicos Rockwell Collins Pro Line Fusion, controles de voo fly-by-wire, contramedidas infravermelhas direcionais e sistemas de ponto de lançamento computados continuamente. Pode ser configurada rapidamente para diferentes missões usando kits modulares. A aeronave recebeu sua certificação inicial sob os regulamentos de aviação civil (14 CFR Parte 25), seguida pela certificação militar, e operou em pistas semipreparadas ou danificadas.

Aquisições, negociações e evoluções da aeronave
A Grécia é um dos vários países da OTAN e da Europa que consideram ou selecionam o C-390. Entre os clientes confirmados estão Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Suécia e Coreia do Sul. Marrocos recebeu uma aeronave para avaliação. A Eslováquia selecionou o modelo em dezembro de 2024, e as entregas estão programadas para 2025 em diante. A Suécia confirmou a compra de quatro aeronaves em abril de 2025, após um processo de seleção iniciado em novembro de 2024. Outros países atualmente em negociação ou demonstrando interesse incluem Polônia, Finlândia, Turquia, Arábia Saudita, África do Sul, Angola, Índia, Egito, Colômbia, Chile, Emirados Árabes Unidos e Ruanda.

Nos últimos meses, Suécia, Áustria e Holanda concordaram em realizar uma aquisição conjunta para missões especiais da OTAN envolvendo nove aeronaves C-390 modificadas.

Portugal, que aderiu ao programa em 2010 e recebeu sua primeira unidade em outubro de 2022, está participando do desenvolvimento de uma nova variante ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento), denominada C-390 IVR. Esta versão integrará radar de abertura sintética, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas de comunicação avançados e pontos de fixação externos para carga útil, com uma configuração modular roll-on/roll-off para manter a flexibilidade entre as missões. Esses desenvolvimentos foram anunciados na exposição de defesa LAAD 2025, onde foram formalizados acordos de cooperação entre a Embraer e a Força Aérea Portuguesa.

Níveis de prontidão, taxas de sucesso de missão e custo
A aeronave foi utilizada em diversas funções pela Força Aérea Brasileira, incluindo operações humanitárias no Líbano, Haiti e Ucrânia; missões de socorro em desastres durante a pandemia de COVID-19; voos de abastecimento para a Antártida; e exercícios internacionais como Salitre IV e Culminating, nos Estados Unidos. A frota operacional reportou níveis de prontidão acima de 93% e taxas de sucesso de missão acima de 99%.

O custo por unidade é estimado em aproximadamente € 80 milhões, com custos operacionais considerados inferiores aos do C-130J devido à comunalidade de motores e aos procedimentos de manutenção de padrão comercial.

Encomendas e projeções
O número atual de aeronaves encomendadas por vários países chegou a 35, com projeções de até mais 120 em negociação. A Grécia foi listada entre esses potenciais compradores, com seis aeronaves em consideração. O Ministério da Defesa Nacional ainda não anunciou uma decisão final, mas o C-390 Millennium continua sendo um dos dois principais candidatos em avaliação, juntamente com os C-130J usados ​​ou novos. Nenhuma aquisição oficial foi assinada e os cronogramas permanecem dependentes das dotações orçamentárias.

Característica multimissão é um grande diferencial

As necessidades da aviação de transporte da Grécia incluem não apenas o transporte tático, mas também o suporte a operações de evacuação médica e combate a incêndios. Esses perfis de missão estão entre as funções suportadas pelo C-390. A aeronave foi apresentada às autoridades gregas já em novembro de 2023, quando foi avaliada como parte de um plano de substituição da frota de C-130. O engajamento da Embraer com a Grécia faz parte de uma campanha de marketing mais ampla na Europa, apoiada por acordos de cooperação com parceiros da indústria europeia e governos nacionais.
 

Sistema de combate com IA aumentará capacidade de comando e controle da OTAN

Na guerra moderna, o poder de fogo por si só não basta. O lado que analisa os dados mais rápido e age com mais inteligência vence. A OTAN acaba de entrar na corrida — mas ainda está se recuperando. 


*Eurasian Times, por Sumit Ahlawat - 17/04/2025

A OTAN deu um passo significativo em direção à modernização de suas capacidades militares ao adquirir o Maven Smart System NATO (MSS NATO), uma nova plataforma habilitada para inteligência artificial (IA) desenvolvida pela Palantir Technologies Inc.

A aquisição, concluída seis meses após a identificação da necessidade, reflete a intenção da OTAN de manter sua vantagem tecnológica em um ambiente de segurança em rápida evolução.

Ludwig Decamps, gerente geral da Agência de Comunicações e Informações da OTAN (NCIA), disse que o sistema marca uma mudança estratégica na forma como a OTAN prepara suas forças para responder a ameaças emergentes.

“A NCIA tem o prazer de se unir ao Quartel-General Supremo das Potências Aliadas da Europa (SHAPE) e à Palantir para entregar o MSS NATO ao Warfighter, fornecendo capacidades de IA de última geração personalizadas à Aliança e capacitando nossas forças com as ferramentas necessárias no campo de batalha moderno para operar de forma eficaz e decisiva”, disse Decamps.

Desenvolvida por meio de estreita coordenação entre NCIA, SHAPE e Palantir, a plataforma MSS NATO oferece uma infraestrutura digital de última geração adaptada para operações militares modernas.

Como um sistema integrado de comando e controle, ele usa modelos de aprendizado de máquina e análise de dados para dar suporte à fusão de inteligência, aumentar a consciência situacional, melhorar o planejamento operacional e acelerar a tomada de decisões.

O que o sistema faz

O MSS NATO foi projetado para fortalecer as funções de comando e controle da OTAN, auxiliando líderes militares a tomar decisões mais rápidas e bem informadas. Ele coleta e processa dados de diversas fontes para oferecer insights em tempo real e avaliações preditivas, aprimorando a conscientização, a seleção de alvos e a coordenação no campo de batalha.

Em sua essência, o sistema integra dados estruturados e não estruturados de fontes classificadas e abertas. Suas ferramentas de análise de dados geram inteligência acionável para apoiar a tomada de decisões. Isso permite que os comandantes tomem decisões estratégicas e em tempo hábil com base em uma visão abrangente do ambiente operacional.

A plataforma MSS baseia-se no sistema XMSS das Forças Armadas dos EUA, que se tornou uma ferramenta padrão para planejadores do Estado-Maior Conjunto, comandos de teatro de operações e do Escritório Chefe de Inteligência Digital e Artificial (CDAO) do Pentágono. Em 2024, o CDAO concedeu contratos no valor de mais de US$ 500 milhões para expandir o uso do sistema em todo o Departamento de Defesa, de centenas para milhares de usuários.

Originalmente criado em 2021 como continuação do programa Maven — um sistema de reconhecimento de objetos desenvolvido para escanear horas de vídeo de vigilância e identificar alvos em potencial — o MSS utiliza uma ampla gama de entradas de dados. Ele organiza essas informações em uma plataforma única e pesquisável que oferece suporte a tudo, desde logística e status de fornecimento até dados de segmentação e monitoramento de mídias sociais.

Isso elimina a necessidade de os agentes cruzarem manualmente vários bancos de dados que podem ser incompatíveis ou isolados, um processo que antes levava horas ou até dias. Em vez disso, a plataforma MSS centraliza as informações relevantes e agiliza o acesso, permitindo coordenação e execução mais rápidas.

Atualizações recentes do sistema adicionaram recursos como processamento avançado de linguagem natural e a opção de integrar ferramentas desenvolvidas por terceiros. O MSS foi desenvolvido com uma abordagem de arquitetura aberta, o que permite aos usuários personalizar a interface e adicionar funções analíticas sem alterar os dados base. Isso garante que todos os usuários trabalhem com um conjunto consistente de informações, adaptando as ferramentas às suas necessidades operacionais específicas.

Ao manter uma base compartilhada de dados verificados e oferecer flexibilidade adicional, o MSS permite que múltiplos usuários de diferentes unidades ou comandos colaborem sem depender de um sistema centralizado rígido. Autoridades da OTAN afirmaram que essa flexibilidade foi um dos principais motivos para a rápida adoção da plataforma, seis meses após o surgimento da exigência formal.

Capacidades de IA militar concorrentes
A aquisição do MSS NATO pela OTAN ocorre em meio a preocupações de que a aliança esteja ficando para trás na integração de tecnologias avançadas em seu planejamento e execução militar. A China tem trabalhado em operações baseadas em IA sob seu conceito de "guerra inteligenciada", que se concentra na combinação de aprendizado de máquina, sistemas autônomos e processamento integrado de dados para acelerar a tomada de decisões no campo de batalha.

A China conduziu simulações de jogos de guerra em que comandantes assistidos por IA supostamente superaram equipes lideradas por humanos.

O Exército de Libertação Popular (ELP) investiu em sistemas autônomos, integração de vigilância em tempo real e guerra eletrônica com tecnologias cognitivas. Esses esforços visam reduzir os tempos de resposta e obter vantagem em situações de combate em rápida mudança.

A Rússia também continuou desenvolvendo sistemas habilitados para IA, apesar das sanções econômicas e das operações militares em andamento. As forças russas estariam trabalhando para incorporar IA em drones kamikazes, como o Geran-2, de design iraniano, permitindo capacidades de direcionamento semiautônomo.

Além disso, a Rússia está investindo em sistemas de guerra eletrônica com o objetivo de interromper comunicações via satélite, navegação por GPS e sistemas em rede — áreas das quais os militares dos EUA e da OTAN continuam fortemente dependentes. A incorporação de IA a essas ferramentas de guerra eletrônica pode aumentar sua eficácia, permitindo que respondam mais rapidamente às comunicações adversárias ou interrompam a coordenação com mais eficiência.

Dependência do Setor Privado
A plataforma MSS NATO reflete uma tendência mais ampla de crescente dependência de empresas privadas para desenvolver sistemas de combate.

O crescente papel da Palantir em contratos de defesa faz parte de uma mudança mais ampla. Nos EUA, empresas como Anduril Industries, Shield AI e Raytheon Technologies estão desenvolvendo sistemas que combinam operações autônomas com suporte à decisão por IA.

Na China, empresas como Hikvision e Huawei supostamente desenvolveram sistemas de vigilância com aplicações militares. Em Israel, empresas como Elbit Systems e Rafael Advanced Defense Systems estão produzindo drones com inteligência artificial e tecnologias de mira de precisão.

Ao contrário da aquisição tradicional de equipamentos de defesa por meio de organizações de pesquisa financiadas pelo estado, os sistemas de IA construídos por empresas privadas geralmente permanecem proprietários. Seu funcionamento interno, especialmente os algoritmos, pode não ser transparente ou sujeito à supervisão pública.

Isso pode limitar a capacidade dos governos de adaptar ou auditar os sistemas de forma independente. No caso da plataforma MSS da OTAN, a aliança está adquirindo uma ferramenta desenvolvida por uma empresa privada, que detém o controle sobre componentes-chave de software que também podem ser usados ​​em outros contratos comerciais ou de defesa.

Esse arranjo levanta preocupações sobre a dependência a longo prazo. Ao contrário de equipamentos militares convencionais, como tanques ou aeronaves, as plataformas de IA não são facilmente passíveis de engenharia reversa ou modificação sem o suporte contínuo dos fornecedores. Para os membros europeus da OTAN que não possuem capacidades nacionais de desenvolvimento de IA, isso pode representar riscos à autonomia estratégica a longo prazo.

A principal força da OTAN continua sendo sua capacidade de coordenar operações complexas entre os Estados-membros. Embora a plataforma MSS NATO aprimore essa coordenação, aprimorando o fluxo de informações e a tomada de decisões, ela não altera significativamente a estrutura ou as capacidades militares gerais da OTAN.

Para que a aliança passe por uma transformação fundamental, será necessário integrar tecnologias de IA mais profundamente em sistemas de armas autônomos, plataformas submarinas, redes de defesa cibernética e operações táticas de linha de frente. Até lá, o MSS NATO representa uma atualização importante, porém gradual.

À medida que as estratégias militares migram para operações centradas em dados, a principal vantagem não residirá em quem possui o maior poder de fogo, mas em quem consegue interpretar as informações do campo de batalha mais rapidamente e agir de acordo. A OTAN já entrou nessa arena — mas ainda está se recuperando.

Taurus lançará uma grande novidade na Índia: o primeiro revólver em aço inoxidável do país

 


*LRCA Defense Consulting - 24/04/2025

A JD Taurus, joint venture entre a brasileira Taurus Armas e a indiana Jindal Defence, lançará em breve uma grande novidade na Índia: o primeiro revólver em aço inoxidável produzido no país.

O Taurus RT073 é um pequeno e confiável revólver de seis tiros no calibre .32 S&W Long facilmente ocultável pelas suas dimensões. O cano de duas polegadas do modelo RT073 vem com uma massa de mira serrilhada e removível, otimizando o porte velado ou ostensivo, além de ser uma boa opção para defesa residencial.

A novidade inédita no país é bonita e ergonômica, contando com uma empunhadura anatômica de borracha macia da Taurus, o que proporciona conforto ao atirar no estande ou em qualquer outra situação de treinamento. É dotado de ação dupla e simples, o que possibilita maior rapidez e precisão nos disparos subsequentes.

A novidade, pelo seu ineditismo, já está tendo boa repercussão nas mídias sociais indianas que estão antecipando o lançamento.

Características do revólver JD Taurus RT073:
Calibre
– .32 S&W Long
Peso (descarregado) – 645 g
Capacidade – 6 tiros
Comprimento do cano – 2" (51 mm)
Material do quadro, tambor e cano – Aço inoxidável
Comprimento total – 6,57" (167 mm)
Altura total – 4,56" (116 mm)
Largura – 1,41" (35,8 mm)
Ação – SA/DA (ação simples/ação dupla)
Sistema de segurança – Barra de transferência (interna)
Raias – 5
Miras – Dianteira serrilhada removível e traseira fixa
Passo de raia – 1:8,75"




25 abril, 2025

Amazônia Azul e Verde: soberania não se terceiriza

Região Amazônica e Amazônia Azul (inserção da LRCA)

*Por Luiz Alberto Cureau Júnior, via LinkedIn - 25/04/2025

A recente mobilização do Carrier Strike Group 25 (CSG 25) do Reino Unido, liderado pelo HMS Prince of Wales, vai muito além de um exercício militar. É um movimento geopolítico claro: proteger rotas estratégicas, apoiar aliados como a Guiana e garantir presença nas zonas de interesse energético. E nisso, o Brasil tem muito a observar — e muito mais a fazer.

A Guiana, vizinha ao norte, já explora petróleo em áreas próximas à foz do rio Amazonas com apoio de gigantes como ExxonMobil e BP. Essa exploração é protegida por acordos e pela sombra de potências navais. Enquanto isso, o Brasil debate internamente se deve ou não explorar sua margem equatorial, paralisado entre a pressão ambiental internacional e a falta de presença militar robusta na região.

Na mesma medida em que o mundo cobra do Brasil a proteção da Amazônia Verde, esquece que nossa Amazônia Azul, rica em biodiversidade e recursos energéticos, também exige vigilância e soberania. Proteger floresta e oceano não são tarefas excludentes — são faces da mesma moeda estratégica: a da soberania nacional.

A realização da COP30 em Belém, em 2025, amplia esse dilema. O país será cobrado como vitrine ambiental global, mas precisa responder como nação soberana: mostrando que desenvolvimento sustentável exige segurança energética, vigilância territorial e investimento em Defesa.

As Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), apesar da excelência técnica, carecem de presença adequada e permanente no Norte. Mesmo tendo aumentado os efetivos militares na região, ainda é pouco.

O que está em jogo é mais que petróleo: é a capacidade de dissuasão, monitoramento, cooperação internacional e defesa de fronteiras terrestres e marítimas. Sem presença, não há soberania. E sem soberania, não há escolha.

Mídia inserida pela LRCA

O Brasil precisa assumir seu protagonismo com clareza: explorar com responsabilidade, proteger com firmeza, negociar com altivez. Isso exige políticas ambientais consistentes, sim, mas também exige Forças Armadas estruturadas, tecnologia embarcada, Forças adequadas na região amazônica e investimento contínuo em defesa nacional.

Não se trata de militarizar a política ambiental. Trata-se de entender que quem protege a floresta também precisa proteger o mar e o ar. E para isso, não basta boa vontade, é preciso presença, estratégia e comando.

O silêncio estratégico não é mais opção. O Brasil precisa deixar claro: sustentabilidade sem soberania é utopia; e soberania sem Defesa, é retórica vazia. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro e Consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.

Decola a Orbital Thrusters, aliança estratégica entre a mexicana Thrusters Unlimited e a brasileira Orbital Engenharia

 *Mexico Industry, por Israel Molina - 24/04/2025

Em uma aliança estratégica, as empresas aeroespaciais Thrusters Unlimited, um membro ativo da Federação Mexicana da Indústria Aeroespacial (FEMIA), e a brasileira Orbital Engenharia uniram forças para criar a Orbital Thrusters, uma iniciativa conjunta focada no desenvolvimento de tecnologias de ponta e no fornecimento de soluções abrangentes para aplicações civis e de defesa no setor aeroespacial.

Esta colaboração representa um marco na consolidação das capacidades latino-americanas entre o México e o Brasil na indústria espacial. "Há um ano, começamos a trabalhar com a Orbital para avançar nessa parceria com a Orbital do Brasil, e hoje isso está acontecendo", disse Benjamin Najar Jr., CEO da Thrusters Unlimited.

"Somos uma empresa brasileira, familiar, com 24 anos de mercado desenvolvendo tecnologia espacial no Brasil, e temos muito orgulho de desenvolver esta parceria com a Thrusters Unlimited. No Brasil, consolidamos nossa empresa no fornecimento de componentes para satélites, como painéis solares, EPS, equipamentos e sistemas de engenharia, e a intenção desta colaboração com nossos amigos mexicanos é desenvolver a mesma expertise", disse Celio Costa Vaz, fundador e CEO da Orbital Engenharia.

A Orbital Thrusters combina experiência, talento e visão tecnológica para se posicionar como um participante importante no desenvolvimento de sistemas aeroespaciais de última geração. Isso abre caminho para vários aspectos, incluindo:

- O desenvolvimento de fotodiodos de InGaAs com alta responsividade na faixa de 900 a 1700 nm (em parceria com a PUC-Rio para o processo industrial);

- O desenvolvimento de uma plataforma orbital de microgravidade capaz de transportar 50 kg de experimentos por 10 dias, com lançamento em órbita terrestre baixa (LEO).

- Criação de um Veículo Orbital Reutilizável (pouso autônomo).
 
Esta aliança, formalizada durante a Feira Aeroespacial Mexicana (FAMEX), reafirma o compromisso da Thrusters Unlimited com a inovação, a soberania tecnológica e o desenvolvimento do ecossistema espacial no México e na América Latina.

24 abril, 2025

ITA avança em projeto de microssatélite com aplicações em ciência e defesa

 


*LRCA Defense Consulting - 24/04/2025

Em meados de março, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) finalizou com êxito a Revisão Preliminar de Projeto (PDR) do projeto ITASAT 2, um marco importante no desenvolvimento desse pequeno satélite que conta com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A banca contou com representantes da AEB, NASA, ITA, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), US SouthCom, Utah State University (USU) e FINEP.

A missão ITASAT 2 dá continuidade às iniciativas de pequenos satélites, baseando-se nas experiências acumuladas em missões anteriores, como o ITASAT e o SPORT. O novo microssatélite, projetado para operações no espaço, integra uma série de tecnologias inovadoras, e seu desenvolvimento está alinhado com os requisitos da missão lunar SelenITA, também conduzida pelo ITA.

Com uma arquitetura modular que promove flexibilidade e eficiência, o ITASAT 2 será capaz de carregar múltiplos instrumentos científicos, entre eles sensores para monitoramento do clima espacial, um sensor de geolocalização por radiofrequência (RF) e uma câmera óptica. Essa configuração permitirá que o satélite apoie tanto pesquisas científicas quanto aplicações de defesa.

Com lançamento previsto para os próximos anos, o ITASAT 2 será composto por três CubeSats, com duas missões principais:

- Científica: monitoramento da ionosfera e avaliação das bolhas de plasma que impactam comunicações e navegação.

- Defesa: geolocalização de fontes de radiofrequência e identificação óptica de embarcações não colaborativas, em solo e no mar.

O principal objetivo da missão é expandir as capacidades tecnológicas em satélites brasileiros, com avanços em eletrônicos tolerantes à radiação, operações autônomas em órbita e técnicas avançadas de geolocalização. Além disso, o ITASAT 2 servirá como uma plataforma para capacitação técnica, fortalecendo a expertise nas indústrias espaciais e em instituições acadêmicas.

A missão ITASAT 2 também busca atender a importantes iniciativas estratégicas do Brasil, ao fornecer dados essenciais para o monitoramento ambiental, previsão de clima espacial e consciência situacional.

"A PDR é um marco importante no ciclo de vida do ITASAT 2 visando refinar o conceito da missão, reforçar o design preliminar, e validar as tecnologias críticas ao sucesso do projeto. A AEB teve a oportunidade de participar de uma avaliação independente por pares do status do projeto. A banca considerou que o ITASAT2 está apto a prosseguir para a próxima fase de desenvolvimento”, afirma Felipe Fraga, Coordenador de Satélites e Aplicações da AEB.

A previsão é de que, uma vez em órbita, o ITASAT 2 desempenhe um papel central nas pesquisas científicas e nas operações de defesa, valide tecnologias de ponta em ambiente espacial e contribua com a inovação no setor aeroespacial brasileiro.

*Com informações da Agência Espacial Brasileira e do ITA

WEG desenvolve projeto específico para motores que atuarão em tanques de flotação de cobre da Vale

 


*LRCA Defense Consulting - 24/04/2025

A Salobo Metais, empresa do grupo Vale, é uma das maiores plantas de cobre do mundo. Localizada em Marabá, no Pará, a planta produz anualmente entre 210 a 250 mil toneladas.

O processo de flotação é uma etapa crucial da mineração, onde acontece a separação dos minerais. Um ambiente severo e de difícil acesso, que requer projeto mecânico e elétrico específico para que o acionamento suporte as condições extremas de operação, com intervenções mínimas de manutenção.

Para mitigar os impactos da contaminação por partículas sólidas e líquidas nos motores elétricos que atuam nas células de flotação, a WEG especificou os motores da linha W51 HD Mining, com grau de proteção IP66.

Os motores passaram por customizações mecânicas e elétricas tendo como resultado a diminuição da temperatura da superfície em mais de 20ºC, que prolongam a vida útil dos motores e reduzem riscos de falhas de rolamentos e eixos. Além disso, possibilitaram o aumento do intervalo entre manutenções preditivas, resultando em ganhos de produtividade e maior confiabilidade para o sistema. Tudo isso foi alcançado sem necessidade de investimentos adicionais e modificações na estrutura das células de flotação.

A sólida parceria entre a WEG e a Vale reflete a sinergia entre duas gigantes industriais com objetivos comuns de eficiência e inovação.

Embraer desenvolve sua cadeia de suprimentos no Marrocos

 


*LRCA Defense Consulting - 24/04/2025

Uma delegação de alto nível da Embraer concluiu uma visita oficial ao Marrocos para avaliar a cadeia de suprimentos aeroespacial do país. A iniciativa segue um Memorando de Entendimento (MoU) assinado recentemente entre o Governo do Marrocos e a Embraer para explorar potenciais projetos conjuntos. 

A Embraer identificou oportunidades significativas para colaboração empresarial e industrial, visto que tanto o Brasil quanto o Reino do Marrocos estão empenhados em aprofundar a cooperação e o nível de investimentos entre os países. Essas oportunidades incluem os segmentos de aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana. 

“O Marrocos tem uma indústria aeroespacial em rápido crescimento e identificamos fornecedores-chave com potencial para serem integrados à nossa cadeia de suprimentos global”, disse Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Cadeia de Suprimentos da Embraer. “Acreditamos que há oportunidades para gerar benefícios mútuos, tanto a curto quanto a longo prazo, por meio de inovação e do crescimento econômico em ambos os países.” 

A indústria aeroespacial do Marrocos demonstrou fortes capacidades em áreas como aeroestruturas, usinagem, trabalho em chapa metálica e compósitos. A Embraer elegeu o Marrocos como parceiro regional preferencial para a construção de um programa robusto de cadeia de suprimentos. 

A cooperação poderia incluir também programas de treinamento, capacitação para atividades de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) e outras áreas de potencial colaboração como Pesquisa e Tecnologia.

23 abril, 2025

Embraer anuncia filiação à Federação da Indústria Aeroespacial do México durante a FAMEX 2025

 


*LRCA Defense Consulting - 23/04/2025

A Embraer assinou hoje durante a FAMEX a sua filiação à Federação da Indústria Aeroespacial do México (FEMIA). A adesão tem como objetivo fortalecer a presença e representatividade da Embraer no México, aumentar a colaboração com a indústria aeronáutica do país e potencializar novas oportunidades de negócios. 

"A FEMIA tem muito orgulho em comemorar a formalização da Embraer como novo membro da nossa entidade. A Embraer é uma das mais importantes fabricantes do setor aeroespacial do mundo nos segmentos civis e de defesa, e o fato de participar como membro da FEMIA abre importantes oportunidades de colaboração no desenvolvimento da empresa em nosso país", afirma Luis Lizcano, presidente da Federação da Indústria Aeroespacial do México. 

“É com grande satisfação que assinamos a filiação da Embraer à FEMIA durante a FAMEX 2025. Trata-se de um marco importante que representa mais um grande passo na cooperação estratégica entre a Embraer e indústria aeronáutica mexicana”, afirma Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa & Segurança. 

Presente no México há mais de 40 anos, a Embraer conta hoje com uma frota de mais de 100 aeronaves em operação no país entre jatos comerciais, executivos e de defesa.

Autonomia tecnológica não é fazer tudo sozinho. É poder escolher

 


*Por Desuita "Dzu" Campelo, MSc, via LinkedIn - 23/04/2025

Na indústria aeronáutica, é comum termos fornecedores globais. O setor é altamente especializado, poucos dominam sistemas como propulsão elétrica, baterias aeronáuticas ou comandos de voo certificados.

Mas existe uma diferença importante:
Escolher um fornecedor global por estratégia é diferente de depender dele por falta de opção local.

Com os eVTOLs, temos uma chance única. Um novo mercado, com novas tecnologias, sendo construído do zero.

Alguns players internalizaram tecnologias críticas para reduzir riscos de certificação e desenvolvimento. Outros buscaram alianças estratégicas em áreas onde não tinham domínio. Nenhuma estratégia está errada, desde que exista a possibilidade de escolha.

Na figura acima, mostro como Archer, Joby e Embraer (Eve) estruturaram seus sistemas de propulsão, baterias, aviônicos e comandos de voo.

Veja como boa parte das empresas americanas optou por desenvolver in-house seus sistemas mais sensíveis.

A Embraer seguiu um caminho diferente. Talvez por estratégia. Talvez por falta de opções nacionais nos segmentos mais críticos.

Mas o ponto que proponho aqui é: se tivéssemos mais empresas brasileiras desenvolvendo tecnologias-chave, poderíamos ter dividido o risco do programa, gerado empregos de alto valor e avançado tecnologicamente como país.

Essa oportunidade ainda está em curso.
E vale o debate: onde estamos colocando nossas fichas para o futuro da aviação brasileira?

*Desuita "Dzu" Campelo - bacharel em Engenharia Eletrônica pela UFPE e mestre em Engenharia Aeronáutica pela ITA - é fundadora e CEO da Venture.U, com passagens pela Moya Aero (chefia de Estratégia e P&D), Embraer-X (Vice-presidente de Inteligência Estratégica e Marketing), Embraer (Estrategista Principal; Estategista de Negócios Digitais - Transformação Digital; Chefe de Projetos Técnicos de Engenharia; engenheira líder de Sistema de Controle de Voo - Divisões Militar e Comercial).


Criptocomputador da Kryptus ganha designação PED e será incorporado ao novo radar de defesa da Embraer

 


*LRCA Defense Consulting - 23/04/2025

A Kryptus, multinacional brasileira especializada em criptografia e cibersegurança, obteve mais uma conquista em sua trajetória de inovação: o criptocomputador CM4-B, desenvolvido em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), foi designado Produto Estratégico de Defesa (PED) pelo Ministério da Defesa.

Peça-chave para a implementação do Sistema de Identificação Amigo ou Inimigo Modo 4 (IFFM4BR) da Força Aérea Brasileira (FAB), o CM4-B também será integrado ao novo radar SABER M200, da Embraer.

Em fase final de entrega, o IFFM4BR é crucial para a segurança e controle do espaço aéreo, tornando o Brasil independente de tecnologias estrangeiras e garantindo total controle sobre os recursos de autenticação e confidencialidade utilizados. Com integração inicial prevista para os caças modelo F-39 Gripen do projeto pela SAAB, o CM4-B destaca-se por sua capacidade de operação em modos de alta segurança, atendendo às exigências nacionais de interoperabilidade, e sua certificação como PED representa um importante passo para o fortalecimento da base industrial de defesa do país.

“Essa designação mostra que estamos prontos para atender à integralidade da demanda da fase 3 do projeto, colaborando com fabricantes de radares e transponders de forma coordenada com as Forças Armadas. Esse trabalho conjunto é essencial para garantir que os sistemas de IFF estejam totalmente integrados às plataformas e sistemas de defesa do país”, afirma Lucas Martins, CTO da Kryptus.

O Modo 4 Nacional implementado emprega criptografia e sistema de gestão e distribuição de chaves autóctones que, em conjunto com contramedidas avançadas em relação à versão internacional, o torna imune a diversos ataques de Guerra Eletrônica. “O desenvolvimento de uma solução nacional garante ao Brasil total soberania sobre a tecnologia empregada, eliminando riscos de backdoors ou restrições impostas por outros países”, acrescenta Martins.

Também no radar SABER M200
Em breve, o CM4-B também será integrado ao radar SABER M200, em desenvolvimento pela Embraer sob contrato firmado com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Esse radar tático transportável é projetado para defesa aérea de média altura, vigilância, alerta aéreo antecipado e controle de tráfego militar.

“O projeto do radar SABER M200 abre caminho para novas aplicações do CM4-B em outras plataformas, como radares terrestres e embarcações. Isso demonstra a versatilidade do criptocomputador e sua relevância estratégica não apenas para o Brasil, mas também para potenciais mercados internacionais que buscam maior independência tecnológica”, conclui Martins.

Sobre a Kryptus
A Kryptus é uma multinacional brasileira provedora de soluções de criptografia e segurança cibernética altamente customizáveis, confiáveis e seguras para aplicações críticas, com foco na entrega de serviços de alto nível para resolução das missões de seus clientes. Fundada em Campinas (SP), em 2003, atua hoje nos setores público e privado dos mercados do Brasil, LATAM, Europa, Oriente Médio e África, sendo reconhecida pelo Ministério da Defesa do Brasil com o selo EED – Empresa Estratégica de Defesa, além de contar com selo Gartner Cool Vendor.

Brazil Defense: o Projeto do Setor de Defesa Brasileiro liderado pela ABIMDE e ApexBrasil

 


*LRCA Defense Consulting - 23/04/2025

O Projeto do Setor de Defesa Brasileiro – Brazil Defense – tem como objetivo impulsionar as exportações através do desenvolvimento e implementação de plataformas para empresas não exportadoras e intermediárias avançadas, incluindo monitoramento de mercado, feiras comerciais e iniciativas comerciais integradas.

O Projeto Brazil Defense, em síntese, visa promover a internacionalização da Base Industrial de Defesa (BID) do País. Seu principal objetivo é impulsionar as exportações de produtos e serviços do setor de defesa, especialmente por meio do desenvolvimento e implementação de plataformas para empresas que ainda não exportam ou que estão em estágios intermediários de internacionalização. As ações do projeto incluem monitoramento de mercado, participação em feiras internacionais e iniciativas comerciais integradas.​

Sob a direção conjunta da ABIMDE-ApexBrasil, em colaboração com os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, o projeto executa um plano de promoção internacional de curto prazo (dois anos) com o objetivo de atrair empresas qualificadas para o mercado global. Para consolidar a presença e competitividade brasileira no cenário global, a integração das empresas no plano de promoção e na agenda do setor a médio e longo prazo é um avanço estratégico.

O Projeto Brazil Defense foi formalizado no período de 2016 a 2018, conforme registros de parcerias entre a ApexBrasil e a ABIMDE. Desde então, tem desempenhado um papel significativo na estratégia do Brasil para aumentar sua participação no mercado internacional de defesa, viabilizando a participação de empresas da Base Industrial de Defesa em dezenas de feiras e outras exposições pelo mundo, proporcionando o estabelecimento de contatos estratégicos entre empresas e com governos, além de gerar importantes divisas para o Brasil em contratos de exportação e de joint ventures.

O exemplo mais atual está acontecendo no México, de hoje ao dia 26, na Feira Aeroespacial Mexicana (FAMEX), onde o Espaço Brasil reúne 12 empresas que atuam em segmentos estratégicos da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS):  Modirum | Gespi, Omnisys Engenharia, IAS, Edasim, Pensa, IMBEL, IDV - Iveco Defense Vehicles, DuPont, CSA AeroEngines, Xmobots, BRENG e o Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos (PIT).

ABIMDE
Fundada em 1985, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) tem como propósito congregar as indústrias de defesa e segurança do País. Atuando como a legítima interlocutora da Base Industrial de Defesa e Segurança do Brasil e reconhecida oficialmente como a principal Associação do setor, vem durante sua existência representando as indústrias em diferentes fóruns quer no Brasil quer no exterior.

Levando os anseios dos empresários aos diversos poderes constituídos, participando do esforço do País para implementar suas exportações, gerando empregos altamente especializados e estando presente em todas as fases da vida dos produtos e serviços, tem o orgulho de avalizar a chancela "Fabricado no Brasil por uma associada da ABIMDE". 

A entidade promove ações para valorização e fomento das empresas do setor nos mercados nacional e internacional, e para o fortalecimento ou implementação de políticas e programas que assegurem o desenvolvimento desta indústria. Dentre suas mais de 240 associadas, estão as principais empresas de Defesa e Segurança instaladas no País.

ApexBrasil
A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. 

Para alcançar os objetivos, a agência realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. 

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

22 abril, 2025

Taurus recebe comitiva da Military Industry Corporation da Arábia Saudita

 


*LRCA Defense Consulting - 22/04/2025

Hoje (22), a Taurus recebeu a comitiva da Military Industry Corporation (MIC) da Arábia Saudita, composta pelo Sr. Eng. Coronel Al Mutairi, Gerente Geral, e o Sr. Alzaid Abdullah, Gerente de Fabricação, juntamente com o Sr. Rodolfo Pagano Romero, Gerente Geral da Taurus Saudia.

A recepção foi conduzida pelos diretores Eduardo Minghelli, Henrique de Moraes Gomes e Leonardo Sesti, que acompanharam os visitantes em uma programação especial onde puderam conhecer as instalações, incluindo a unidade fabril, o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/Estados Unidos (CITE), a unidade industrial 4.0 e o processo de MIM (Metal Injection Molding).

A MIC tornou-se uma subsidiária da Saudi Arabian Military Industries (SAMI) em 2017, após a fundação desta última.

Com sede em Riad, a MIC fabrica armamentos (fuzis H&K e AK e submetralhadora H&K), munições diveras (do calibre 5,56mm a munições de morteiro e artilharia), bombas de uso geral, veículos blindados e caminhões militares, desenvolvendo o arsenal militar da Arábia Saudita por meio de transferência de tecnologia e pesquisa e desenvolvimento.

A MIC busca atender às necessidades e exigências dos setores militares da Arábia Saudita, adquirindo tecnologias e desenvolvendo indústrias militares capazes de acompanhar os avanços das Forças Armadas.

Contexto
A visita da comitiva da MIC se insere no contexto das tratativas entre a Taurus e a Arábia Saudita, haja vista que, em 2023, a empresa brasileira celebrou um Memorando de Entendimentos (MoU) e a assinatura de um Term Sheet não vinculante para estudo de viabilidade de uma joint venture no Reino com a empresa SCOPA Military Industries.

O plano de negócios, de localização e de transferência de tecnologia (contemplando a fabricação, no curto prazo, de pistolas 9mm e fuzis 5,56x45 mm e .300 BLK e, no médio e longo prazo, a possibilidade de ampliação de portfólio com a fabricação de armas até o calibre .50 BMG) foram apresentados às autoridades sauditas e, caso seja concretizado, o projeto proporcionará um grande alcance comercial em toda a região do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), que inclui ainda Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

No entanto,  a natureza mais técnica da visita, evidenciada pela qualificação dos sauditas visitantes e dos profissionais da Taurus que os ciceronearam aqui, aliada à tensa situação geopolítica no Oriente Médio e às dificuldades para a continuidade de fabricação de armas de origem europeia, pode estar requerendo que o Reino da Arábia Saudita tenha certa urgência em substituir e padronizar o armamento leve de suas forças armadas, o que poderia levar a necessidades de importação imediatas, haja vista que a produção de armas da Taurus nesse país, caso seja concretizada, demandaria um tempo bem maior para ser operacionalizada.

A Arábia Saudita está na lista dos cinco maiores gastos militares do mundo e é considerado um dos países que mais investe em defesa.  
 

Embraer registra novo recorde histórico na carteira de pedidos (backlog) do primeiro trimestre de 2025

 


*LRCA Defense Consulting - 22/04/2025

A Embraer registrou uma carteira de pedidos (backlog) de US$ 26,4 bilhões no primeiro trimestre de 2025. O resultado superou o recorde histórico anterior alcançado no trimestre anterior.

A Embraer entregou 30 aeronaves no 1T25. O resultado foi 20% superior ao do primeiro trimestre do ano passado (1T24), quando foram entregues 25 aeronaves. Mais importante ainda, as entregas do 1T25 corresponderam a 13% do ponto médio (231 aeronaves) da projeção anual da empresa (entre 222 e 240 em 2025) para as unidades de negócio de Aviação Executiva e Comercial combinadas — frente a uma média histórica de 11% para o período nos últimos 5 anos.

Na Aviação Comercial, a carteira de pedidos somou US$ 10,0 bilhões no 1T25 — 2% inferior em comparação trimestral. A ANA Holdings Inc. encomendou 15 aeronaves E190-E2, com opções para mais cinco jatos adicionais. Esse pedido provavelmente será incluído na segunda metade de 2025, quando o contrato final for assinado.

No 1T25, a unidade de negócios entregou 7 aeronaves novas, o que representa 9% do ponto médio (81 aeronaves) da projeção anual da empresa (entre 77 e 85). O desempenho da divisão ficou ligeiramente abaixo da média de 12% do 1T nos últimos 5 anos, refletindo desafios contínuos na cadeia de suprimentos. É importante destacar que não foi possível entregar duas aeronaves adicionais durante o trimestre devido a questões comerciais. Os modelos entregues no período foram: E175 para American Airlines (2), Republic Airlines (1) e Horizon Air (1); e E195-E2 para Porter (1), Aercap (1) e Azorra (1). Para os próximos períodos, espera-se que os esforços de estabilização da produção gerem resultados mais concretos no 2T25, no segundo semestre do ano e a partir do início de 2026.

Na Aviação Executiva, a carteira de pedidos subiu para um novo recorde de US$ 7,6 bilhões no 1T25, 3% acima do recorde anterior registrado no 4T24. A unidade entregou 23 jatos no primeiro trimestre do ano, dos quais 14 foram da categoria leve e 9 da categoria média. O número de entregas no 1T25 foi 28% superior aos 18 jatos do 1T24, representando 15% do ponto médio (150 aeronaves) da projeção anual da empresa (entre 145 e 155 em 2025) para a divisão — moderadamente acima da média de 11% do 1T dos últimos 5 anos.

Em fevereiro, a série Phenom 300 foi novamente reconhecida como o jato leve mais vendido e mais entregue do mundo pelo 13º ano consecutivo, segundo a General Aviation Manufacturers Association (GAMA). Na mesma ocasião, a instituição também confirmou o modelo como o jato bimotor mais entregue do mundo pelo 5º ano seguido, em 2024.

Na área de Defesa & Segurança, a carteira de pedidos ficou em US$ 4,2 bilhões no 1T25. A Força Aérea Uruguaia (FAU) e o Ministério da Defesa Nacional do Uruguai (MDN) converteram suas opções para cinco aeronaves A-29 Super Tucano em pedidos firmes durante o período. Essa conversão está relacionada a um compromisso assinado em agosto de 2024, quando a FAU anunciou um pedido firme de uma aeronave, além das opções mencionadas. O acordo também inclui equipamentos de missão, serviços logísticos integrados e um simulador de voo.

A seleção do KC-390 Millennium pela Suécia (4) e Eslováquia (3), e do A-29 Super Tucano por Portugal (12) e Panamá (4) ainda não estão incluídas na carteira de pedidos, pois os contratos ainda não entraram em vigor.

Na área de Serviços & Suporte, a carteira de pedidos permaneceu praticamente estável em US$ 4,6 bilhões no 1T25. A Airlink, principal companhia aérea da África Austral, foi destaque do período com um acordo de suporte ao inventário de peças de reposição para toda sua frota de 68 aeronaves Embraer. Assim, a companhia se tornará o primeiro cliente africano do sistema de gestão colaborativa de inventário da Embraer (ECIP – Embraer Collaborative Inventory Planning), que otimizará os níveis de estoque e reduzirá os custos operacionais da frota.

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