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23 maio, 2025

Veículo de Telecomunicações da FAB realiza primeiro embarque no Embraer KC-390


*LRCA Defense Consulting - 23/05/2025

Um marco importante foi alcançado recentemente pela Força Aérea Brasileira (FAB) com o primeiro embarque, em uma aeronave KC-390 Millennium, do veículo de telecomunicações do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º/1º GCC) - Esquadrão Profeta -, realizado no dia 19/05.

A ação aconteceu em apoio ao Exercício COMAO/AIRLIFT, que acontecerá no período 26/05 a 06/06, na Base Aérea de Anápolis (GO). O COMAO (do inglês Composite Air Operations), conhecido como Missão Aérea Composta na doutrina da FAB, visa integrar e aumentar a interoperabilidade entre as diversas aviações e unidades participantes.

O veículo, que é conhecido como Marruá, oferece agilidade e pronta resposta em cenários de combate e desastres ambientais. Dotada de meios suficientes para transmitir e amplificar sinais de rádio e enlace satelital, é um veículo autossuficiente e versátil que desempenha um papel fundamental na comunicação em situações críticas. Sua mobilidade e alcance permitem que as Forças Armadas mantenham a comunicação em áreas remotas ou em situações de emergência.

O Comandante do 1º/1º GCC, Major Aviador Gabriel Brandello de Oliveira Haguenauer Moura, destacou a importância da atuação do Esquadrão Profeta em apoio à operação da FAB. “O embarque da Marruá no KC-390 demonstra a capacidade da Força Aérea de integrar seus meios aéreos e terrestres para garantir a eficácia das operações.A combinação da Marruá com o KC-390 oferece uma solução logística e operacional avançada, permitindo que as Forças Armadas respondam rapidamente a situações de crise”, afirmou.

A importância desse feito está na capacidade de projetar força e garantir a comunicação em qualquer lugar e momento, potencializando o emprego do Poder Aeroespacial. A Marruá é um exemplo da inovação e da capacidade tecnológica da FAB, que busca constantemente melhorar suas operações e serviços. (Com informações da Agência Força Aérea)

Veículo militar Marruá de telecomunicações
O veículo militar Agrale Marruá de telecomunicações é uma variante do utilitário 4x4 Agrale Marruá, desenvolvido pela empresa brasileira Agrale S.A., adaptada para missões militares específicas de telecomunicações, comando e controle (C3 ou C4I - Comunicação, Comando, Controle e Inteligência). Baseado no projeto do jipe militar EE-12 da Engesa, o Agrale Marruá é conhecido por sua robustez, versatilidade e capacidade de operar em terrenos extremos.

Enquanto o Agrale Marruá militar padrão é usado para transporte de tropas, cargas e patrulhas, o Marruá de telecomunicações é especializado no suporte às redes de comunicação, sendo essencial para a mobilidade dos sistemas de comando e controle em campo.

Características
A versão de telecomunicações, como o Agrale Marruá AM20 VCC (Viatura de Comando e Controle), é projetada para suportar operações de comunicação militar avançada. Suas principais características incluem:

- Finalidade: transporte de equipamentos de comunicação, antenas, sistemas de transmissão e recepção de dados, voz e, em alguns casos, imagens.

- Equipamentos: pode incluir rádios HF, VHF, UHF, sistemas de satélite, enlaces de micro-ondas e sistemas de comando e controle.

- Configuração: geralmente possui estrutura adaptada, como baús rígidos ou módulos, onde são instalados os equipamentos de comunicação.

- Shelter de comunicação: equipado com um módulo (ex.: MTO TKV-1 da Truckvan) que abriga sistemas de rádio, transmissão de dados, voz e, em alguns casos, equipamentos de guerra eletrônica (como na variante AM20 GE/MAGE).

- Sistemas C4I: integra tecnologias para coordenar operações táticas e estratégicas, permitindo comunicação segura e criptografada entre unidades terrestres, aéreas e navais, como demonstrado na Operação Íris (2024).

- Equipamentos avançados: pode incluir sistemas de guerra eletrônica, suportes para armamentos (metralhadoras 7,62 mm ou 12,7 mm) e integração com tecnologias como o Link-BR2 para comunicação em tempo real.

- Proteção: alguns modelos possuem proteção balística leve e sistemas de blindagem modular, dependendo da missão.

- Mobilidade: tração 4x4, capacidade de carga de até 750 kg, suspensão reforçada e habilidade para atravessar terrenos difíceis, incluindo submersão em até 60 cm de água.

- Autonomia: motor MWM 4.07 TCAE de 140 cv, com autonomia de até 600 km, ideal para operações prolongadas. É capaz de operar por longos períodos em áreas remotas, contando com geradores de energia, baterias auxiliares e, em alguns modelos, painéis solares.


Uso nas Forças Armadas
O Marruá de telecomunicações é utilizado principalmente por:
- Unidades de Comunicações e Guerra Eletrônica, como as Companhias de Comando e Controle, para gerenciar comunicações em operações multidomínio.

- Missões operacionais: empregado em exercícios como a Operação Íris, onde integrou comunicações com caças F-39 Gripen, aeronaves E-99M e unidades navais.

- Missões internacionais: utilizado em operações de paz, como na MINUSTAH (Haiti, 2008), com 19 unidades AM20 VTNE.

- Modernizações: recentemente, 18 unidades foram enviadas à Embraer para adaptações em veículos de comunicações especializadas, com upgrades realizados por empresas como Iturri e Rfcom.

Importância Estratégica
O Marruá de telecomunicações é essencial para a interoperabilidade das Forças Armadas, garantindo comunicação confiável em cenários de combate ou apoio logístico.

Atua como Posto de Comunicações Móvel, servindo para manter a comunicação entre unidades táticas no campo de batalha e com centros de comando, além de integrar sistemas de C2 (Comando e Controle), fundamentais nas operações modernas. Pode também fazer parte de redes de guerra eletrônica, operações cibernéticas e apoio à inteligência.

Desde sua adoção em 2005, após testes no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), ele tem sido um pilar para operações modernas, com exportações para países como Argentina e Equador. Sua capacidade de integrar tecnologias avançadas, como sistemas de guerra eletrônica e redes seguras, o torna vital para a doutrina militar brasileira.

21 maio, 2025

PMSC investe em tecnologia e é a primeira corporação policial militar do país a contar com drones Nauru 500C

 


*LRCA Defense Consulting - 21/05/2025

A solenidade de comemoração dos 190 anos da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), realizada no dia 05 de maio, marcou entrega de dois drones Nauru 500C e um Shelter, produzidos pela XMobots. Durante o evento, a PMSC oficializou a incorporação dos drones adquiridos através de parceria com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) via Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).

Os equipamentos são de alta tecnologia e irão elevar a capacidade de inteligência e ação policial no Estado.
 
Dentre os diferenciais estão:
- Câmera eletro-óptica com zoom 30X;
- Sensor infravermelho termal para operações noturnas;
- Sistema de geolocalização por laser;
- Rastreamento automático de alvos;
- 4 horas de autonomia;
- Alcance de 60 km.
 
"A incorporação destes sistemas posiciona a PMSC como a primeira corporação policial militar do país a dispor desta tecnologia, reforçando seu compromisso com inovação e eficiência operacional", destacou a gerente do projeto, Caroline Reis, durante a solenidade de entrega.
 
As aeronaves serão empregadas em:
- Operações de inteligência e combate ao crime organizado;
- Busca e salvamento em áreas de difícil acesso;
- Fiscalização ambiental e monitoramento preventivo;
- Apoio em grandes eventos, situações de emergência entre outros.
 
Capacidade operacional diferenciada
Certificados pela ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil para voos BVLOS (além da linha de visada), os equipamentos operam em altitudes superiores a 400 pés, garantindo cobertura ampla e discrição em operações diurnas e noturnas. 


"Estes recursos representam um salto qualitativo em nossa capacidade de proteção à sociedade. Isso vai representar um avanço enorme para a instituição em razão da possibilidade maior de atuação desses equipamentos em ocorrências da área de policiamento ambiental, policiamento rodoviário, de salvamentos, de busca de criminosos com maior potencialidade, via aérea. É um equipamento pioneiro nas Polícias Militares do Brasil", afirmou o Coronel Emerson Fernandes, Comandante-Geral da PMSC, durante a cerimônia que contou com as presenças do Governador Jorginho Mello e da Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi. 

WEG equipa projeto petroquímico no Oriente Médio, com R$ 130 milhões de receita


*LRCA Defense Consulting - 21/05/2025

A WEG forneceu uma extensa gama de motores elétricos e inversores de frequência para um projeto petroquímico nos Emirados Árabes Unidos. Os produtos fornecidos pela Companhia atuarão no processamento de petróleo em plásticos, como polietileno e polifenóis.

O escopo inclui mais de 100 motores de alta tensão, incluindo motores de indução e síncronos de grande porte, e cerca de 620 motores elétricos de baixa tensão, além de inversores de frequência de baixa e alta tensão que serão utilizados em alguns destes processos. Os fornecimentos juntos somam aproximadamente R$ 130 milhões de receita para a WEG.

"Nosso fornecimento se destaca por oferecer uma solução completa com preços e prazos competitivos. Além disso, disponibilizamos um time de gestão de projetos dedicado para atender às demandas do cliente, agilizando o tempo de resposta e proporcionando um canal de comunicação rápido e eficiente”, explica Elder Stringari, Diretor Internacional da WEG.

O projeto é um complexo industrial localizado no Emirado de Abu Dabi, que adicionará 1,4 milhão de toneladas anuais de polipropileno (PP) e polietileno (PE) à capacidade produtiva. Com início das operações programados para este ano, o projeto criará novas oportunidades para fabricantes nos Emirados Árabes Unidos e fornecerá matéria-prima para impulsionar a próxima fase do crescimento industrial do país.

A WEG, reconhecida globalmente por sua expertise em gerenciamento de projetos complexos envolvendo clientes e parceiros em múltiplos países, utilizou sua estrutura fabril no Brasil, na Europa e na Índia para atender o projeto, demonstrando sua capacidade de oferecer soluções completas e eficientes.

BIZU Space lidera o desenvolvimento do motor de propulsão líquida do MLBR- Microlançador Brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 21/05/2025

De olho no futuro das missões espaciais brasileiras, o Programa MLBR - Microlançador Brasileiro já trabalha no desenvolvimento de um novo motor de propulsão líquida para o terceiro estágio do foguete. Essa tecnologia vai permitir um controle mais fino do empuxo e, com isso, uma colocação em órbita muito mais precisa — uma demanda crescente em lançamentos de satélites.

Parceira estratégica do Programa, a BIZU Space lidera o desenvolvimento desse novo sistema, que deve ser testado já no terceiro voo do lançador brasileiro.

Uma das contribuições mais significativas da empresa está no desenvolvimento da tecnologia de propulsão líquida, criando um estágio superior inovador de combustível líquido projetado para substituir o terceiro estágio de combustível sólido do MLBR.

Diferente da propulsão sólida, a propulsão líquida permite ajustes em tempo real durante o voo, melhora a precisão orbital e aumenta a capacidade de carga útil, o que representa um salto importante em termos de precisão, segurança e versatilidade para as futuras missões do MLBR, fatores essenciais para posicionar o Brasil de forma competitiva no crescente mercado de pequenos satélites.

O sistema de propulsão emprega peróxido de hidrogênio concentrado e querosene de aviação (Jet-A), selecionados após uma análise minuciosa por suas características de custo-benefício e estabilidade. Para apoiar esse desenvolvimento tecnológico, a BIZU estabeleceu uma infraestrutura fundamental, incluindo um concentrador de peróxido interno e um campo de teste construído em parceria com Univap - Universidade do Vale do Paraíba.

O projeto está avançando de forma consistente. Os primeiros testes com câmaras de combustão em escala reduzida já foram realizados — um passo essencial para validar os sistemas envolvidos. Entre os principais desenvolvimentos já em andamento, estão:
- Sistemas hidráulicos e pneumáticos;
- Válvulas e banco de controle e monitoramento;
- Produção local de Peróxido de Hidrogênio concentrado (HTP);
- Catalisador para decomposição rápida do HTP, que libera oxigênio para queima do combustível (querosene de aviação);
- Sistema de injeção do propelente;
- Projeto, fabricação e testes da câmara de combustão;
- Protocolos de segurança e procedimentos de ensaio para motores líquidos.

Com esses avanços, o Brasil dá mais um passo importante rumo ao domínio de tecnologias espaciais mais sofisticadas. O objetivo é claro: em breve, ter um motor nacional de propulsão líquida à base de HTP e Jet-A pronto para voar.

Saiba mais:
- Microlançador Made in Brazil: como a Bizu Space avança na independência espacial nacional

20 maio, 2025

O Embraer C-390 como nave-mãe para drones: um "porta-aviões" voador para a Índia?

Imagem meramente representativa

*LRCA Defense Consulting - 20/05/2025

Em meados de dezembro de 2024, a imprensa indiana noticiou que a Embraer, em seu briefing para a Força Aérea Indiana (IAF) relativo à licitação de 60 aeronaves de transporte médio (MTA), apresentou uma nova e ousada proposta: o C-390M Millennium equipado com hardpoints sob suas asas para transportar sistemas de armas ar-superfície. Essa característica, destinada a fornecer capacidades operacionais antiterrestres e anti-navio, poderia posicionar o C-390M como uma plataforma ainda mais versátil e multifuncional, além de suas funções primárias de transporte, REVO etc.

Esses hardpoints suportariam sistemas de armas stand-off pesados, como o Rudram-II (aproximadamente 800 kg), um míssil ar-superfície desenvolvido para a IAF. Ele também poderia transportar mísseis NASM-MR ou Medium Range Anti-Ship Missiles (MRAShM), atendendo a funções anti-navio para a Marinha da Índia.

Nave-mãe para drones
Ainda segundo a mídia especializada indiana, a Embraer também estaria ansiosa para transformar o C-390M em uma nave-mãe para drones lançados do ar, alinhando-se com as tendências modernas de guerra aérea e permitindo operações de longo alcance. Esta variante poderia atender aos requisitos da IAF para uma implantação de enxame ou UAV autônomo, adicionando uma capacidade de ponta à sua frota.

Ao integrar sistemas de armas e capacidades de lançamento de drones, o C-390M poderia se transformar em um multiplicador de força, adequado para funções além do transporte convencional, como ataques de precisão, segurança marítima e operações de combate de UAV. Uma aeronave multifuncional, como o C-390M, poderia simplificar os custos e a logística para a IAF, servindo tanto como uma aeronave de transporte quanto como uma plataforma de ataque tático.

Imagem meramente representativa

Com uma parcela significativa a ser fabricada localmente na Índia por meio de transferência de tecnologia (ToT), a Força Aérea Indiana (IAF) também estaria considerando desenvolver variantes adicionais da aeronave para atender a requisitos operacionais específicos.

Tal intenção da IAF pode fazer com que o C-390M dispare na frente dos concorrentes, pois, além de sua atual característica multimissão já presente (transporte de tropas, de cargas paletizadas e de veículos; reabastecimento aéreo - REVO; evacuação aeromédica - EVAM; lançamento de paraquedistas e cargas; combate a incêndios extensos - MAFFS; operação em pistas não pavimentadas e curtas), a Embraer está desenvolvendo também a versão de Patrulha Marítima/Terrestre Armada (combate contra submarinos, navios de superfície e alvos terrestres) e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), além do transporte e lançamento de drones (levantado recentemente, mas ainda não confirmado pela empresa).

Ao oferecer à licitação MTA da IAF uma variante armada e com capacidade para ser uma nave-mãe de drones, a Embraer estaria posicionando o C-390M como uma solução única capaz de abordar funções de transporte tático e combate, potencialmente dando a ele uma enorme vantagem sobre seus concorrentes.

Iniciativa chinesa
A China - país vizinho e com um grande histórico de conflitos com a Índia - já está se movimentando nesse sentido. A matéria abaixo divulga que a
Marinha Chinesa lançará seu primeiro "porta-aviões voador" em junho. A aeronave não tripulada (UAV) Jiu Tian é uma nave-mãe capaz de transportar até 100 drones para lançar ataques massivos a 7.000 quilômetros de distância.

Apesar das capacidades avançadas ainda não bem conhecidas, o Jiu Tian enfrentou críticas, especialmente de analistas ocidentais, que questionam sua eficácia em cenários de combate com defesas aéreas sofisticadas. Comentários nas redes sociais descreveram o drone como "grande, lento e não furtivo", sugerindo que seria um alvo fácil para sistemas de defesa aérea integrados modernos.

São concepções diferentes (a serem estudadas em matéria futura) para uma finalidade similar, mas nessas diferenças - especialmente no que tange ao fator humano - é que podem residir as vantagens do C-390 Millennium. Além disso, seria uma solução a ser implementada em prazo relativamente curto, quando comparada ao desenvolvimento de uma nova aeronave para esse fim específico.
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O porta-aviões chinês não é o porta-aviões da SHIELD, mas suas capacidades ofensivas serão formidáveis ​​(Marvel)
 
China lançará porta-aviões com 100 kamikazes inteligentes em junho

*El Confidencial, por Jesus Diaz - 19/05/2025

China está finalizando os preparativos para o primeiro voo operacional do Jiu Tian, ​​o primeiro porta-aviões voador da história . Esta plataforma poderá transportar e implantar até 100 drones em um raio de 7.000 quilômetros. De acordo com fontes oficiais citadas pela emissora de televisão estatal CCTV, a missão inaugural da aeronave está programada para o final de junho. Seu objetivo: ampliar o raio de ação da Força Aérea Chinesa em combates não tripulados e testar sua capacidade de realizar ataques massivos utilizando enxames, uma tática capaz de saturar as defesas inimigas com ataques coordenados de múltiplas aeronaves kamikaze.

O Jiu Tian — nome que significa "céu alto" — foi revelado em novembro no Zhuhai Air Show. Com uma envergadura de 25 metros e um peso máximo de decolagem de 16 toneladas, esta aeronave a jato pode atingir altitudes de 15.000 metros, o que a coloca fora do alcance de muitos sistemas antiaéreos de médio alcance implantados globalmente. Sua autonomia pode cobrir quase a distância entre Madri e Nova Déli.

Ampliando o alcance de ação da Marinha Chinesa

A aeronave pode transportar e lançar até 100 drones kamikaze a partir de dois compartimentos em sua barriga. Essas aeronaves pequenas e de alcance limitado voam carregadas de explosivos para atingir alvos em rede, sobrecarregando as defesas com ataques simultâneos. Eles também podem realizar missões de reconhecimento e interferir eletronicamente nas comunicações inimigas. Além disso, o Jiu Tian conta com oito pontos de fixação externos adicionais para carregar até seis toneladas de armas, sensores ou outros equipamentos. O porta-aviões, projetado pela empresa estatal de defesa China Aerospace Industry Corporation, apresenta um design de compartimento de carga modular. Isso permite que ele seja adaptado tanto para funções civis quanto militares, desde vigilância marítima até resgates em ambientes hostis, de acordo com o fabricante.

Vista lateral do enorme drone

No entanto, seu objetivo principal é sua capacidade de ataque. O projeto faz parte da estratégia da China de dominar tecnologias militares assimétricas, como a Ucrânia fez com a Rússia. De acordo com o South China Morning Post de Hong Kong, especialistas citados na mídia estatal enfatizam que o Jiu Tian competirá em tamanho com modelos americanos como o RQ-4 Global Hawk, que opera em altitudes mais elevadas (18.000 metros), mas não tem capacidade ofensiva. Mas, além disso, ele representa um conceito completamente novo na nova aviação baseada em drones.

De acordo com a televisão estatal chinesa CCTV, esta primeira missão será seguida por testes para validar sua integração no Exército de Libertação Popular. Se passar nos testes, a China terá uma ferramenta única: uma nave-mãe que transformará o céu e a terra em um campo de batalha saturado de máquinas de guerra e sensores, talvez o exemplo máximo da ideia que muitos analistas de defesa têm sobre o futuro da aviação militar.

O enorme porta-aviões voador da China será capaz de realizar ataques com até 100 drones. (SCMP)

Uma ideia de ciência em vez de ficção
O porta-aviões realizará missões que podem combinar coleta de inteligência, vigilância constante de áreas — vitais para a defesa da área — e ataques aéreos massivos. Além disso, o Jiu Tian tem quatro pontos de fixação sob cada asa para transportar armamento adicional.

O Jiu Tian usa um motor a jato montado na fuselagem central. Possui asas grandes e estabilizadores traseiros verticais em forma de 'H', sugerindo voo em baixa velocidade com grande alcance. O nariz da aeronave parece estar equipado com radar e um módulo de sensores ópticos, eletrônicos e infravermelhos.

Módulo central Jiu Tian

Mas o elemento-chave é sua capacidade de lançar enxames de drones menores, algo que a China vem investigando nos últimos anos, tanto por via aérea quanto marítima. Especialistas chineses e americanos acreditam que enxames de drones oferecem uma vantagem inegável no ar. Eles podem cobrir grandes áreas, desorientar as defesas inimigas e executar missões de todos os tipos, dependendo de sua configuração, tudo com eficiência sem precedentes e a um custo infinitamente menor do que as forças aéreas convencionais.

O problema é que esses drones têm capacidades de voo limitadas. Este porta-aviões compensa essa falta de alcance. Voando por longas distâncias ou realizando voos sustentados sobre regiões continuamente, o Jiu Tian oferece implantação em áreas distantes de bases terrestres ou navios de guerra. Além das tarefas ofensivas, os drones lançados pelo Jiu Tian podem transportar outras cargas úteis não destrutivas, como sensores de reconhecimento e sistemas de interferência eletrônica.

Os EUA querem a mesma coisa

Os Estados Unidos estão trabalhando em ideias semelhantes usando vários conceitos. Eles vêm desenvolvendo um 'porta-aviões voador' mais ambicioso há anos, sob a égide da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa ( DARPA ). O programa, chamado X-61A Gremlins, é mais complexo que o chinês: uma plataforma capaz de lançar, mas também recuperar drones em pleno voo. Steve Fendley, presidente da divisão de sistemas não tripulados da Kratos, fabricante dos drones Gremlin, diz que o objetivo agora é que os drones "possam se rearmar no ar e relançar para executar mais de uma missão". Fendley explica que, inicialmente, a ideia era que os drones fossem lançados para completar uma missão e depois retornassem à sua base.

A evolução dos Gremlins permitiu que as naves-mãe agissem como um porta-aviões clássico, recolhendo os drones, reabastecendo-os e lançando-os novamente. Os chineses, no entanto, parecem acreditar que é melhor multiplicar as unidades disponíveis, tornando-as tão baratas que perdê-las em cada missão não importa.

Um dos X-61As pronto para lançamento de um porta-aviões C-130 (DARPA)

O X-61A Gremlin, em desenvolvimento desde 2015, é um drone em rede e coordenado que opera como parte de um enxame. Esses drones podem ser implantados a partir de bombardeiros B-1B Lancer ou B-21 Raider, bem como de naves-mãe como o C-130 Hercules, equipado com um sistema de captura especializado para a recuperação de Gremlins. Fendley enfatiza que a nova capacidade de "recarregar e relançar" aumenta significativamente a eficácia dessas armas. Esses drones poderiam até mesmo se mover de uma nave-mãe para outra para continuar suas operações sem precisar retornar a uma base fixa.

História e ficção
O conceito de "porta-aviões voador" não é novo. A história está repleta de várias tentativas de desenvolver plataformas aéreas capazes de transportar e lançar aeronaves menores em busca de superioridade aérea. Se seus aviões decolarem de um ponto alto na mesma zona de conflito, eles não precisarão perder minutos preciosos entrando em ação e interceptando o inimigo. Todos eles falharam em atingir esse objetivo, condenados pela tecnologia da época e pelo baixo retorno comparado ao custo e à complexidade operacional. O Jin Tian é o primeiro que realmente funciona e acerta o tom, especialmente na guerra do futuro que já se manifestou nos céus da Ucrânia.

Ilustração do USS Macon

Na década de 1930, a Marinha dos Estados Unidos fez experiências com o USS Akron e o USS Macon, dois dirigíveis gigantes que transportavam caças Curtiss F9C Sparrowhawk. Essas aeronaves foram lançadas e recuperadas em pleno voo usando um sistema de gancho trapezoidal. Embora os dirigíveis tenham sido perdidos em acidentes, o conceito continuou vivo na imaginação dos engenheiros.

O Convair B-36 Peacemaker foi projetado para ser uma aeronave de transporte do caça F-84. (Força Aérea dos EUA)

Mais tarde, durante a década de 1950, a Força Aérea dos Estados Unidos desenvolveu o projeto FICON, que usou bombardeiros Convair B-36 Peacemaker como naves-mãe para caças F-84 Thunderjet. Apesar dos testes bem-sucedidos, dificuldades técnicas e riscos operacionais levaram ao cancelamento do projeto.

Além dos Gremlins, os EUA também estão trabalhando na implantação em massa de drones menores, de estilo chinês. Uma das propostas mais interessantes é a conversão de bombardeiros nucleares B-52 para que eles possam lançar conjuntos de drones em vez de bombas. Nenhum desses projetos é como os Helicarriers da SHIELD nos filmes da Marvel, talvez o sonho de consumo de todo general da aeronáutica. O Helicarrier é o equivalente direto de um porta-aviões naval, capaz de lançar aeronaves a qualquer hora e lugar, exceto do ar. No mundo real, faz muito mais sentido ter um grande número de aeronaves como a Jiu Tian patrulhando grandes regiões do espaço aéreo e implantando vários enxames inteligentes difíceis de interceptar com o toque de um botão.

Taurus segue investindo no pós-venda e realiza mais uma edição do Curso de Aperfeiçoamento de Armeiros

 


*LRCA Defense Consulting - 20/05/2025

 Entre os dias 12 e 16 de maio, a Taurus Armas S.A. realizou mais uma edição do Curso de Aperfeiçoamento de Armeiros, contando com a presença de integrantes de Forças de Segurança do Rio Grande do Sul:

O curso teve como foco a capacitação técnica dos armeiros, com ênfase nas atualizações e inovações mais recentes do portfólio da Taurus, com o objetivo de contribuir para a excelência dos serviços de manutenção nas corporações de segurança pública.

Participaram os seguintes integrantes das Forças de Segurança do RS:
- Alexandre Tuchtenhagen da Silva, Diego Karpavicius, Gabriela Krakeker e Sandro da Silva Rodrigues, da Guarda Municipal de Imbé;

- Cristiano de Souza Alves, da 1ª DP da Polícia Civil de Canoas;

- Henrique Monteiro Rodrigues e Paulo Roberto Pinto Vieira, da Guarda Municipal de Viamão;

- Jonatas Tolfo da Rosa, do 4° BPChq da Brigada Militar de Caxias do Sul;

- Marcelo Brezolin Bortolotto da Polícia Civil e Silvio Santos da Silva, da Secretaria de Segurança Pública de Canoas.

Logística de pré e pós-venda: o grande diferencial da Taurus
Além do alto padrão de qualidade e de tecnologia que caracteriza o moderno armamento da Taurus, a opção por armas dessa empresa embute uma completa logística de pós-venda, pois não seria cautelar adquirir um produto se a empresa vendedora não puder, com oportunidade, oferecer suporte, manutenção e assistência técnica na própria região onde as armas estarão em serviço, mesmo nos mais distantes e ermos locais do País.

Diferentemente do que acontece com empresas que apenas exportam para o Brasil ou somente têm escritório no País, a Taurus investe pesadamente na qualificação dos armeiros das entidades de segurança pública e privada, bem como no treinamento técnico de sua equipe de representantes, que está capilarizada por todo o país, o que lhe permite resolver rápida e oportunamente os eventuais problemas que surjam.

Com os programas "Instrutores de Armamento e Tiro" e "Curso de Aperfeiçoamento de Armeiros", por exemplo, a logística de pré e pós-venda da empresa é reforçada periodicamente com mais instrutores e armeiros altamente especializados.

Esses profissionais, além de colaborar decisivamente para a melhor operacionalidade da entidade que representam, contribuem com a disseminação de conhecimentos técnicos sobre os produtos da marca e a podem colaborar na realização de treinamentos, eventos e demonstrações, entre outras atividades. Atuando como verdadeiros embaixadores Taurus & CBC, os instrutores e armeiros poderão também melhor orientar muitos dos consumidores brasileiros - sejam estes organizações, sejam pessoas físicas - em futuras decisões de aquisição de armamento.

Além disso, a Taurus oferece ao consumidor uma ampla e ágil rede de distribuidores, pontos de venda e assistência técnica treinada em todo o território nacional, além de uma equipe de instrutores credenciados e peças de reposição rapidamente acessíveis.

Hotel & SPA beira-mar na região nordeste do Brasil será alimentado por transformador a seco encapsulado WEG


*LRCA Defense Consulting - 20/05/2025

O Ritz Lagoa da Anta Hotel & SPA é reconhecido por sua excelência em hospitalidade, oferecendo estrutura moderna e sofisticada para turistas do Brasil e do mundo. Localizado à beira-mar de Maceió (AL) o hotel é um ícone de conforto e inovação, consolidando-se como um dos principais destinos turísticos do nordeste brasileiro.

Para garantir a manutenção de seu alto padrão de qualidade em todos os serviços prestados, o hotel contará com o transformador seco encapsulado WEG, um equipamento de referência em eficiência energética e confiabilidade para infraestrutura elétrica.

A equipe de engenheiros da WEG projetou o transformador de acordo com as especificações e exigências do cliente, equipando o produto com grau de proteção IP-23 responsável por assegurar proteção contra objetos sólidos e por conta da resistência do transformador ao alto índice de salinidade da região, se posicionando como solução ideal para aplicações internas, garantindo distribuição de energia eficiente para todas as áreas como quartos, restaurantes, piscinas e espaços de lazer, estrutura com capacidade para atender cerca de 2.000 pessoas.

Este projeto representa a união de duas empresas que compartilham valores como qualidade, sustentabilidade e excelência, contribuindo em conjunto para o fortalecimento da infraestrutura do setor de turismo e hotelaria no Brasil.

Radar de Vigilância Terrestre SENTIR M20, em produção pela Embraer, é aprovado em testes do Exército

 


*LRCA Defense Consulting - 20/05/2025

Em 30 de abril de 2025, foi publicado no Boletim do Exército Brasileiro que o seu Departamento de Ciência e Tecnologia aprovou o Relatório de Teste e Avaliação nº 58/24, do Centro de Avaliação do Exército, referente ao Protótipo do Radar de Vigilância Terrestre SENTIR M20 – versão portátil, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército e as empresas brasileiras Savis e Bradar, ambas integrantes do Grupo Embraer. O desenvolvimento foi realizado com finaciamento da FINEP e do EB e, atualmente, está licenciado para a Embraer.

Radar SENTIR M20
O radar SENTIR M20 é um sensor de vigilância de superfície e de baixa altitude com histórico de sucesso na vigilância da fronteira terrestre brasileira, como parte do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). 

Sua capacidade de detectar e rastrear múltiplos alvos simultaneamente o torna uma ferramenta eficaz para monitoramento de fronteiras, proteção de instalações estratégicas e apoio a operações militares.

Atualmente utilizado em emprego móvel, fixo e transportável, o radar M20 tem demonstrado excelentes resultados no aumento da eficiência operacional, gerando potencial para atender o mercado internacional, além da expectativa de incremento das unidades para compor a expansão do projeto SISFRON.


Características Técnicas
- Tipo: Radar de vigilância terrestre e de baixa altitude portátil.

- Peso: aproximadamente 60 kg, podendo ser transportado em três módulos de até 20 kg cada.

- Modo de operação: Banda X.

- Cobertura em azimute: 360°.

- Taxa de varredura: 15 rotações por minuto (rpm).

- Resolução de alcance: de 3 a 48 metros.

- Resolução de azimute: 4,8°.

- Precisão em distância: de 1,6 m (até 3 km) a 25 m (acima de 24 km).

- Precisão em azimute: 0,7°.

- Precisão em velocidade: 0,86 m/s.

- Capacidade de rastreamento: até 100 alvos simultâneos em terra ou baixa altitude.


Alcance de Detecção
- Pessoa rastejando: até 1 km.

- Pessoa caminhando: até 10 km.

- Viatura leve: até 20 km.

- Viatura pesada ou carro de combate: até 30 km.

- Helicóptero a baixa altitude: até 20 km.

Funcionalidades e Aplicações

- Tecnologia SAR: utiliza radar de abertura sintética (SAR), permitindo a criação de imagens de alta resolução, mesmo em condições climáticas adversas.

- Sensor ativo: gera e irradia energia para o ambiente, captando o retorno dos alvos.

- Imunidade a interferências: projetado para resistir a tentativas de interferência eletrônica.

- Integração: pode ser integrado a câmeras de longo alcance e sistemas de comando e controle, permitindo o reconhecimento visual dos alvos detectados.

- Versatilidade: disponível em versões fixas, móveis e transportáveis, adaptando-se a diferentes cenários operacionais.

18 maio, 2025

Embraer A-29 Super Tucano anti-drone: esta é a hora!


 

*LRCA Defense Consulting - 18/05/2025 (atualizado às 20h49)

Desde meados de 2024, esta Consultoria tem repetidamente insistido que a aeronave Embraer A-29 Super Tucano pode vir a se tornar a mais eficaz arma anti-drone ar-ar da atualidade. 

Para a guerra aérea aos temíveis drones de médio e grande porte que preponderam no campo de batalha atualmente, os muito velozes caças supersônicos ou os pesados, lentos e relativamente pouco manobráveis helicópteros de ataque parecem não ser as soluções mais adequadas, pois a maioria desses drones, apesar de lentos, voam a baixa altura e possuem capacidade de esquiva.

Em abril de 2023, a Ucrânia apresentou por duas vezes um pedido de compra de aeronaves brasileiras Embraer A-29 Super Tucano, mas sem sucesso, assim como também foram negadas outras vendas militares.

Na segunda e na quarta matérias linkadas abaixo, o coronel aposentado das Forças Armadas Ucranianas, especialista militar e instrutor de pilotos Roman Svitan, contou os motivos de o Super Tucano ser a aeronave ideal para a missão.

Desde então, a Ucrânia e a Rússia têm procurado encontrar soluções próprias para desenvolver ou adaptar aeronaves de asa fixa para essa missão, como é o caso da aeronave esportiva/de treinamento Yak-52, utilizada pelos dois países. No caso russo, está sendo desenvolvida uma versão profundamente modernizada desta aeronave, que pode torná-la no primeiro caça dedicado a drones do mundo, como poderá ser visto no interessante e esclarecedor artigo do Eurasian Times escrito por um experiente piloto de combate e analista militar indiano.

No artigo citado, e considerando que entre 300 e 600 drones de reconhecimento ou ataque paquistaneses foram enviados à Índia no recente conflito entre os dois países, o autor propõe que as forças armadas indianas avaliem a necessidade de uma capacidade dedicada de caça anti-drone tripulado, como o HTT-40 da Hindustan Aeronautics Limited (HAL), que poderá ser atualizado de forma econômica para cumprir a função dentro de um prazo razoável.

A brasileira Embraer já está atenta a esse filão e, desde março deste ano, assumiu e passou a divulgar o A-29 Super Tucano como aeronave anti-drones, como pode ser visto no primeiro link abaixo.

No entanto, é fundamental que a Embraer agilize ainda mais as suas equipes de engenharia e de vendas para oferecer uma aeronave totalmente testada e aprovada em combate para países que procuram uma solução anti-drone, antes que outros fabricantes desenvolvam uma ferramenta similar, como parece ser o caso da Rússia.

No caso da Índia, onde já está participando de uma licitação de cerca de 60 aeronaves multimissão KC-390 Millennium, a Embraer poderia estar "com a faca e o queijo na mão", pois as necessidades são urgentes e sua aeronave já está praticamente pronta, faltando apenas pequenas modificações que podem ser realizadas no curto prazo.

- Embraer assume e divulga o A-29 Super Tucano como aeronave anti-drones

- O F-16 pode abater drones, mas será eficaz? Piloto instrutor explica alternativas

- Especialista ucraniano recomenda o Embraer Super Tucano para combater os drones russos

- Anti-drone: enquanto Ucrânia e Rússia improvisam o Yak-52, Super Tucano poderá ser a grande arma para a missão


HTT-40 da Hindustan Aeronautics Limited (HAL)

O que os F-16 e os Mirage-2000 não conseguiram fazer na Ucrânia, o treinador HTT-40 da Índia pode facilmente fazer — neutralizar drones de ataque?

*Eurasian Times, por Vijainder K Thakur - 18/05/2025

A guerra na Ucrânia ressaltou a necessidade de plataformas aéreas tripuladas capazes de detectar e destruir drones de ataque unidirecional (OWA) adversários. (Para facilitar a leitura, nos referiremos aos drones aéreos simplesmente como "drones" no restante deste artigo.)

A recente implantação de drones por ambos os lados durante a Operação Sindoor levanta a questão: a Índia também precisará desenvolver ou adquirir uma plataforma aérea tripulada?

Drones de ataque unidirecional (OWA)
Os drones da OWA normalmente voam em baixas altitudes para evitar a detecção de radares e burlar os sistemas de defesa aérea. Frequentemente, são aeronaves comerciais leves adaptadas.

Eles são relativamente baratos de fabricar devido à sua baixa velocidade, manobrabilidade limitada e curta vida útil da fuselagem e do motor — fatores que permitem o uso de componentes amplamente disponíveis e de baixo custo.

Apesar do desempenho modesto, os drones da OWA são letais. Podem atingir território inimigo em profundidade — às vezes a mais de 1.000 km — e transportar cargas explosivas substanciais.

Seu longo alcance torna vastas áreas vulneráveis ​​a ataques. O número de alvos potenciais é grande demais para ser protegido por sistemas de defesa pontual ou de defesa aérea (AD) de curto alcance. O uso de mísseis de longo alcance para interceptá-los não é rentável e corre o risco de esgotar rapidamente as reservas de mísseis.

Combatendo Drones OWA de Longo Alcance
Uma forma econômica de combater os drones da OWA é implantar aeronaves tripuladas com velocidade e resistência suficientes para conduzir múltiplas interceptações em uma única surtida, equipadas com armas capazes de enfrentar múltiplas ameaças.

Caças como plataformas anti-drones
A Ucrânia tem experimentado combater drones de longo alcance da OWA usando seus caças F-16 e Mirage 2000, fornecidos por países da OTAN. Os mísseis ar-ar que esses caças carregam são significativamente mais baratos e mais facilmente disponíveis do que os mísseis terra-ar de longo alcance.

No entanto, a Ucrânia teria perdido de dois a três F-16 durante essas missões anti-drones. Interceptar drones apresenta desafios devido à sua velocidade e altitude de voo relativamente baixas, o que complica o rastreamento por radar e o engajamento com mísseis.

A Rússia vem atualizando continuamente seus drones de longo alcance Geran-2, tornando-os mais difíceis de interceptar. As variantes mais recentes são equipadas com motores mais potentes, permitindo-lhes voar a 3 km acima do solo, além do alcance efetivo de equipes de tiro móveis e helicópteros.

Em espaço aéreo disputado, eles podem descer a altitudes de até 50 metros para evitar a detecção por radar. Durante a fase final de ataque, podem realizar mergulhos abruptos de 2 km de altitude, atingindo velocidades de até 400 km/h para sobrepujar as defesas do alvo.

Plataformas anti-drones tripuladas eficazes
As operações tripuladas de combate a drones têm se mostrado mais eficazes com o uso de plataformas aéreas de baixa velocidade, como helicópteros. Essas plataformas oferecem a capacidade de pairar, adquirir visualmente e engajar pequenos UAVs em voo baixo, que de outra forma seriam difíceis de detectar ou interceptar com aeronaves de caça de alta velocidade.

A Rússia utiliza plataformas como os helicópteros de ataque Mi-28N e Ka-52, bem como aeronaves de ataque ao solo Su-25, coordenadas com radares terrestres e sistemas de rastreamento eletro-óptico. As forças russas também utilizam aeronaves esportivas leves equipadas com metralhadoras e sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS) para patrulhar o espaço aéreo de baixa altitude ao redor de infraestruturas críticas.

A Ucrânia também usa helicópteros Mi-24 e Mi-8, jatos de treinamento L-39 equipados com pods de armas e até mesmo aeronaves agrícolas modificadas para operações noturnas.

Essas plataformas operam em baixas altitudes e baixas velocidades ao longo de prováveis ​​rotas de entrada de drones, principalmente durante ataques noturnos. Os pilotos contam com detecção visual, sistemas de visão noturna e inteligência tática para identificar e combater drones hostis.

Aeronave especializada contra drones
A necessidade de uma plataforma aérea de baixa velocidade capaz de caçar e neutralizar drones de ataque unidirecional (OWA) tem sido evidente para ambos os adversários no conflito da Ucrânia por quase dois anos.

A Rússia agora parece estar dando um passo ousado em uma direção que pode estabelecer um precedente global.

Um escritório russo de projetos de aeronaves experimentais revelou uma versão profundamente modernizada da aeronave esportiva/de treinamento Yak-52, que pode se tornar o primeiro caça dedicado a drones do mundo.

Yak-52B2
O Yak-52 é reconhecido por sua construção robusta, alta manobrabilidade e desempenho acrobático. Equipado com um motor radial de 360 ​​hp, oferece manuseio ágil, uma taxa de rolagem superior a 180°/seg e pode suportar forças G de +7/-5 — tornando-o ideal para treinamento acrobático avançado e voo de performance.

A variante Yak-52B2, recentemente desenvolvida, é adequada para operações anti-drones. Possui capacidade de carga útil de 90 kg sob cada asa. Um dos pilones possui um radar de visão circular com capacidade para rastreamento ar-ar, ar-solo e meteorológico. O outro atualmente carrega uma carabina semiautomática calibre 12.

A aeronave também é equipada com um subsistema de mira de armas e modernos sistemas de controle de voo e navegação, permitindo operações confiáveis ​​em todas as condições climáticas.

HTT-40
Se as forças armadas indianas avaliarem a necessidade de uma capacidade dedicada de caça anti-drone tripulado, o HTT-40 da Hindustan Aeronautics Limited (HAL) poderá ser atualizado de forma econômica para cumprir a função dentro de um prazo razoável.


HAL HTT-40 na AeroIndia 2017
Em 7 de março de 2023, o Ministério da Defesa da Índia (MoD) assinou um contrato com a HAL para a aquisição de 70 aeronaves de treinamento básico HTT-40. Anteriormente, em julho de 2022, a HAL havia assinado um contrato de US$ 100 milhões com a fabricante americana de motores Honeywell para 88 motores para a frota de HTT-40.

As 70 aeronaves encomendadas serão entregues ao longo de seis anos a partir da data da assinatura do contrato.

O HTT-40 é um avião de treinamento turboélice com assentos duplos, totalmente acrobático e com excelentes características de manobrabilidade em baixa velocidade. Possui cabine com ar-condicionado, aviônicos modernos, capacidade de reabastecimento a quente, troca de marchas e assentos ejetáveis ​​com ejeção zero-zero.

A aquisição do HTT-40 visa suprir a escassez de aeronaves de treinamento básico da Força Aérea Indiana (IAF) e inclui equipamentos associados, auxílios de treinamento e simuladores.

A HAL apresentou o HTT-40 pela primeira vez como um treinador nativo para a IAF na Aero India 2013, exibindo uma maquete da aeronave.

No entanto, em 10 de maio de 2012, o Comitê de Segurança do Gabinete (CCS) já havia aprovado a aquisição de 75 aeronaves Pilatus PC-7 MkII para a Força Aérea da Índia (IAF), a Marinha da Índia e a Guarda Costeira. Os Pilatus haviam sido selecionados por meio de licitação global para substituir a antiga frota de HPT-32.

Ironicamente, em resposta à exibição do protótipo do HTT-40 pela HAL na Aero India 2013, o então Chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Índia, Marechal do Ar NAK Browne, comentou: “Não há necessidade [do simulador HTT-40]. Temos o Pilatus PC-7. É uma aeronave comprovada. O projeto da HAL está começando do zero. Nossas indicações são de que o custo será muito alto. Não há necessidade de tudo isso.”

Conclusão

Uma capacidade anti-drone de espectro total deve incluir, entre outros componentes, uma plataforma aérea dedicada de baixa velocidade, capaz de detectar e neutralizar drones de ataque unidirecional (OWA) de longo alcance antes que eles atinjam seus alvos.

Felizmente para a Índia, a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) já desenvolveu uma plataforma que pode ser efetivamente adaptada para enfrentar essa ameaça emergente.

O HTT-40, uma aeronave de treinamento projetada no país, oferece a flexibilidade e o desempenho necessários para essa função e pode ser atualizado com relativa facilidade para atender aos requisitos operacionais em evolução das Forças Armadas da Índia.

*Vijainder K Thakur é um piloto aposentado de aeronaves Jaguar da Força Aérea Indiana, autor, arquiteto de software, empreendedor e analista militar. 

17 maio, 2025

Oportunidades para a Base Industrial de Defesa brasileira

Instabilidade geopolítica abre oportunidades de mercado e de integração com cadeias produtivas da Europa.


*Portal FGV, por Guilherme R. Garcia Marques - 14/05/2025

A política externa errática de Donald Trump, com toda a incerteza e instabilidade geradas, prometem deixar marcas profundas. Na Europa, o recado foi enfático: não dá mais para depender integralmente dos Estados Unidos em temas sensíveis como defesa e segurança. A resposta veio na forma de um plano de 800 bilhões de euros em investimentos visando reestruturar as capacidades militares do continente.

Em meio a este novo contexto, emerge uma oportunidade singular para o Brasil, especialmente para a sua Base Industrial de Defesa – setor historicamente relegado no debate econômico, mas com potencial significativo de geração de valor, emprego qualificado e inovação tecnológica.

Nos bastidores dessa mudança, o que está em jogo é mais do que a compra e venda de armamentos. O mundo passa por uma profunda reorganização das cadeias produtivas. Não se trata de apregoar um pretenso fim da globalização, mas sim de enxergar sua remodelagem: países estão redesenhando suas redes de produção privilegiando alianças confiáveis e políticas industriais orientadas por objetivos de segurança – ainda que isso signifique pagar mais caro.

Nesse novo mapa, o Brasil tem o que oferecer. A Embraer, com seu cargueiro KC-390, amplamente reconhecido por sua inovação e eficiência operacional, tem alcançado expressivos resultados a nível de comercialização, sendo encomendado por países como Portugal, Áustria, Hungria, Holanda, República Tcheca, Coreia do Sul e, mais recentemente, Suécia – com outras oportunidades de negócios se apresentando no radar. A Akaer, outra emblemática representante do setor aeroespacial brasileiro, vem se consolidando no fornecimento de componentes de engenharia avançada junto a importantes programas europeus de defesa, a exemplo do caça sueco Gripen, do Airbus A400M e, mais recentemente, do LUS-222, aeronave regional leve para uso dual desenvolvida pela empresa portuguesa EEA Aircraft and Maintenance. Paralelamente, integra também outros projetos de aviação civil, reforçando suas capacidades tecnológicas e produtivas enquanto agrega valor e expertise ao setor aeroespacial nacional.

Importante destacar que a integração junto às cadeias globais de produção é um vetor fundamental para a nossa indústria aeronáutica, com níveis de importação de bens intermediários e serviços equivalendo a 60% do total de exportações realizadas.

Outras empresas da Base Industrial de Defesa que se destacam são a Taurus e a CBC, tradicionais no ramo de armas leves (e no caso da CBC, também de munições). Ambas possuem atuação global e firmaram importantes acordos estratégicos na Europa, despontando como mais um exemplo da capacidade de inserção de produtos brasileiros em exigentes mercados externos.

Temos, portanto, produtos e competências internacionalmente reconhecidos. E uma janela rara de oportunidades para potencializá-los.  

A materialização dessas oportunidades em resultados concretos não se realizará por mera espontaneidade. É preciso criar condições para que nossas empresas ampliem suas exportações, inovem e conquistem novos mercados. Linhas de crédito competitivas, financiamentos à exportação, apoio à certificação de produtos, simplificação de processos burocráticos, maior segurança jurídica e o combate à entraves logísticos e tributários são medidas tão elementares quanto urgentes. Fundamental também é implementar, junto a estes instrumentos de fomento, robustos mecanismos de monitoramento e avaliação de resultados em termos de curva de aprendizagem e ganhos de produtividade no nível das empresas, prevenindo, assim, a incorrência de erros de política industrial tão comuns no Brasil.

Outro ponto essencial: a política externa. Precisamos de uma postura mais afirmativa na promoção de nossas capacidades industriais de defesa. Neste aspecto, o estabelecimento do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia – cada vez mais visto como necessário diante do atual cenário de incerteza – pode se converter em uma chance de ouro para o aprofundamento de parcerias industriais, transferências de tecnologia e integração produtiva. A Europa busca hoje parceiros confiáveis, capazes de se integrarem a uma lógica de segurança coletiva. O Brasil, com sua expertise e pragmatismo, pode desempenhar esse papel, diversificando mercados e fornecedores.

Neste mundo em transição, segurança e economia andam de mãos dadas. Em vez de tratar a defesa como tema restrito às áreas militares, é hora de encará-la como vetor de desenvolvimento nacional, inovação e inserção internacional.

A nova ordem internacional favorecerá quem compreender essa lógica. A janela de oportunidade está aberta e o Brasil não pode se dar ao luxo de desperdiçá-la. 

*Guilherme R. Garcia Marques é professor, pesquisador e consultor da Fundação Getulio Vargas. Doutor pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) na linha de pesquisa de "Gestão de Defesa: Políticas Públicas, Economia e Indústria.

Exército e Polícia Federal na etapa final para a tranferência dos CAC. PF assume em 1º de julho


*LRCA Defense Consulting - 17/05/2025

No dia 15 de maio, o Exército Brasileiro e a Polícia Federal avançaram para a etapa final da transferência das competências relativas ao controle de armas, munições e atividades de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores).

O encontro ocorreu na sede da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), onde foram apresentados os ajustes finais e verificado o andamento das ações pactuadas (treinamento técnico, compartilhamento de códigos-fonte, bancos de dados e demais recursos digitais).

A partir de 1º de julho, a Polícia Federal passará a ser responsável por competências referentes às atividades dos CAC: como registro, autorização de compra e venda de armas, concessão de guias de tráfego, dentre outras.

Alta direção da fabricante tcheca de armas CZ visita a Taurus. Parceria estratégica em vista?

Dependendo de sua extensão, a provável parceria estratégica entre as duas gigantes de armamento leve poderá se constituir em um movimento disruptivo no mercado de armamento leve.



*LRCA Defense Consulting - 16/05/2025

A Taurus Armas S.A. recebeu, nesta quinta-feira (15),  a visita de altos dirigentes da CZ (Česká zbrojovka), conceituada fábrica de armamentos da República Tcheca integrante do Colt CZ Group SE.

O Colt CZ Group SE, juntamente com suas subsidiárias, é um das principais fabricantes mundiais de armas de fogo, acessórios táticos e munições para uso militar e policial, defesa pessoal, caça, tiro esportivo e outros usos comerciais. Seus produtos são comercializados e vendidos principalmente sob as marcas Colt, CZ (Česká zbrojovka), Sellier & Bellot, Colt Canada, Dan Wesson, swissAA, Spuhr e 4M SYSTEMS.

Em meados de 2024, a multinacional brasileira CBC Global Ammunition, controladora da Taurus Armas S.A., tornou-se acionista do Colt CZ Group SE com uma participação de aproximadamente 27%, com um seu representante assumindo um lugar no conselho de supervisão do grupo tcheco. Com a aquisição, a CBC passou a ser o seu segundo maior acionista, atrás apenas do grupo controlador, e marcou seu ingresso definitivo na produção de armamento leve no mundo.

Na visita à Taurus, participaram os executivos:
- Jan Zajíc – CEO
- Libor Láznička – COO
- Ivan Barančík – Diretor de Desenvolvimento de Investimentos
- David Doležálek – Gerente Sênior CCO

A delegação foi recepcionada por Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, acompanhado pelos diretores:
- Sergio Sgrillo – CFO
- Leonardo Sesti – Diretor do CITE (Centro Integrado de Engenharia Brasil e Estados Unidos)
- Eduardo Minghelli – Diretor de Novos Negócios e Supply Chain
- Jayme Peixoto – Diretor Industrial
- Henrique Gomes – Diretor da Divisão Militar e de Exportação

A visita incluiu a Taurus Shooting Academy, que será inaugurada em breve, com espaço exclusivo para treinamento, prática de tiro, além de testes e avaliações de produtos.

Como é possível constatar, os principais executivos de ambas as empresas estiveram presentes, o que dá a medida da importância do encontro. 

No dia 26 de junho de 2024, o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, visitou a COLT CZ em West Hartford - EUA, e foi recebido por Dennis Velleux, CEO da Colt CZ Group North America. Acompanhados de suas equipes de engenharia de produtos, processos e logística, discutiram sobre as sinergias e estratégias para ambas as companhias, buscando o fortalecimento das marcas Colt CZ e Taurus, a curto, médio e longo prazo. Este encontro foi uma retribuição à visita da Colt CZ realizada à Taurus no Brasil, em abril do mesmo ano. 

Taurus: hub de peças para unidades produtivas no mundo
Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia M.I.M. no mundo, e a Taurus é a única no Hemisfério Sul.

Em uma arma, estão presentes cerca de 14 peças de M.I.M. e a empresa, hoje, fabrica mais de 110 mil dessas peças por dia. A unidade fabril de São Leopoldo (RS) é a responsável pela fabricação e distribuição de peças M.I.M. para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA, Índia e, provavelmente, Arábia Saudita e Turquia).

Como a CBC, controladora da Taurus Armas S.A., adquiriu cerca de 27% do Grupo Colt CZ, a alta direção da Taurus já visitou a sede da Colt CZ, nos Estados Unidos, enquanto que a equipe da Colt CZ, por sua vez, esteve em visita à Taurus, em São Leopoldo. Durante essas visitas, foram encontradas importantes sinergias entre as duas empresas, que devem potencializar a produção da Taurus. 

A primeira delas se transformará em um novo e promissor negócio para a multinacional gaúcha, representado pela produção de peças M.I.M. e de peças usinadas por processo robótico (Taurus 4.0) para uso em armas produzidas pelo Grupo Colt CZ em várias partes do mundo.

Tal necessidade da Colt CZ, segundo informações do mercado, é devida ao fato de a empresa não estar conseguindo atender seus clientes por estar lotada de pedidos e não ter como aumentar a produção. Nos últimos anos, cresceu muito e precisa de mais unidades produtivas. Como o Brasil tem mão de obra muito especializada, mas barata (em relação aos EUA e à Europa), e fartura de matéria prima de excelente qualidade, uma parceria com a "sócia" Taurus, empresa de alta tecnologia e reconhecida qualidade, é a melhor solução para esse problema. 

Além disso, a empresa quer recuperar o prestígio da marca Colt, a mais icônica dos EUA, que estagnou antes de ser adquirida pela CZ.

A visita havida no dia 15 de maio, diferentemente da anterior (que trouxe os executivos da Colt CZ - EUA), envolveu agora a alta direção da CZ da República Tcheca, sem que fossem divulgados os assuntos tratados, o que leva a considerar que estes podem ser relativos ao fornecimento de peças MIM para todo o Grupo (ou para unidades específicas) e/ou a uma parceria entre as duas empresas.

Taurus, CBC e Colt CZ: uma nova gigante mundial de armamento leve?
A Taurus - maior vendedora de armas leves do mundo - é a quarta marca mais vendida nos EUA, sendo a primeira em revólveres e a quinta em pistolas, além de ser a marca mais importada no país. No entanto, mesmo após os laçamentos tecnológicos da família de pistolas GX4, da GX2 e de revólveres também de alta qualidade, ainda briga diariamente para se livrar da pecha de produzir "armas de entrada".

Uma parceria estratégica com a Colt CZ levaria a uma consequente associação das marcas Taurus & Colt, tanto no sentido prático como no psicológico. Em termos de Estados Unidos - maior mercado mundial para armas leves - a multinacional brasileira estaria fazendo um belíssimo "gol de bicicleta no ângulo", tal é a tradição, o respeito e o conceito que a marca Colt goza no país (e no mundo), sem falar nas também reconhecidas qualidade e excelência dos produtos CZ.

Além disso, a Taurus, com essa parceria,  teria sua cobiçada porta de entrada no multimilionário mercado americano de Law Enforcement, haja vista que o Grupo Colt CZ, e a Colt em especial, é um parceiro de primeiríssima linha pela participação histórica que já tem nesse mercado.

Embora não se espere uma fusão, no sentido estrito do termo, uma provável parceria estratégica entre as duas gigantes de armamento leve, caso se desenvolva para além da produção de peças MIM para o Colt CZ Group, poderá se constituir em um movimento tão disruptivo que teria força suficiente para remodelar o atual cenário que rege a produção e venda de armamento leve no mundo capitalista e, em particular, nos Estados Unidos. 

Saiba mais:
- Taurus MIM: nasce uma nova e promissora indústria gaúcha

- Parceria do Grupo CBC & Grupo Colt CZ irá gerar novos negócios para a Taurus

- Taurus, CBC e Colt CZ: nasce uma nova gigante mundial de armamento leve

- Grupo Colt CZ (& CBC) adquire a tecnologia do sistema lançador automático de granadas Mk 47

- Fabricante de armas tcheca CZG compra a Colt em dinheiro e negocia ações

16 maio, 2025

ADTECH apresenta o drone Harpia e o sistema VIGIA para a Marinha do Brasil

 


*LRCA Defense Consulting - 16/05/2025

A diretoria da ADTECH foi recebida, nesta semana, pelo Contra-Almirante Washington Luiz, Diretor da Aeronáutica da Marinha do Brasil, em um encontro estratégico para apresentar suas soluções inovadoras para a força naval.

Durante a reunião, a empresa destacou as capacidades do seu drone de alta performance, o Harpia, que oferece um potencial significativo para otimizar as operações da Marinha em diversos cenários, tanto terrestres quanto marítimos. Sua versatilidade e tecnologia embarcada podem trazer ganhos importantes em termos de eficiência e segurança.

Apresentou também seus avançados sistemas de monitoramento por radar, com foco no VIGIA, sistema especializado no monitoramento de sinais de radares de aeronaves e embarcações. O VIGIA representa um salto qualitativo na capacidade de vigilância e inteligência, crucial para a proteção das águas, espaço aéreo e território brasileiros.

Segundo a empresa, "Esta interação de alto nível reforça o compromisso da ADTECH em desenvolver e fornecer soluções de monitoramento de alta performance para as forças de defesa e segurança do Brasil. Acreditamos que a inovação tecnológica é um pilar fundamental para garantir a soberania e a proteção de nossa nação".

Sustentabilidade e Defesa: o Brasil que quer liderar precisa saber se proteger


*Por Luiz Alberto Cureau Júnior, via LinkedIn - 16/05/2025

Com a COP30 se aproximando e marcada para ocorrer em Belém do Pará, o Brasil tem diante de si uma oportunidade estratégica rara: assumir papel de liderança global na agenda climática, sem abrir mão de suas necessidades mais urgentes em defesa, soberania e inovação tecnológica.

Sustentabilidade, muitas vezes tratada apenas pelo viés ambiental, acaba por tratar de maneira menor o problema. Nossos ativos são cobiçados, sim, e tudo isso precisa ser ampliado para abarcar também a capacidade do país de proteger seus ativos naturais e sua posição geopolítica em um cenário internacional cada vez mais competitivo.

A experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos é um exemplo concreto de como inovação e defesa podem caminhar juntas. Por lá, consolidou-se uma estrutura que lembra um “Vale do Silício militar”, no qual engenheiros da indústria e operadores militares atuam integrados, desenvolvendo e aplicando soluções tecnológicas com velocidade. Drones autônomos, sensores remotos, redes de comunicação seguras e inteligência artificial não ficam anos esperando licitação: são testados, aplicados e otimizados em ciclos curtos, com foco em resultados práticos. A eficácia desse modelo é visível em cenários como a guerra na Ucrânia, onde a agilidade na incorporação de tecnologias fez diferença real no campo de batalha.

Para o Brasil, adotar esse modelo pode representar um salto. A aproximação entre a Base Industrial de Defesa (BID) e as Forças Armadas, com o envolvimento de startups e empresas nacionais, pode acelerar a criação de soluções sob medida. Isso é essencial para regiões sensíveis como a Amazônia – território estratégico, cobiçado e vulnerável, com biodiversidade, água doce, minerais raros e relevância climática global. Defender essa região exige mais que boas intenções: é necessário investir em sistemas de monitoramento aéreo, sensores terrestres e veículos autônomos, capacidades que a indústria nacional pode desenvolver, desde que haja articulação.

E a nossa indústria está pronta para isso. Durante meu comando na 6ª Brigada de Infantaria Blindada, estabelecemos uma parceria com o Grupo Moura para desenvolver baterias nacionais específicas para o Leopard 1A5, nosso principal vetor blindado. Eles apresentaram soluções tecnicamente viáveis. Mas a burocracia e a falta de visão estratégica impediram sua adoção. Exemplos como esse revelam que temos capacidade industrial e talento técnico e até vontade da indústria participar, o que falta é decisão política, agilidade e integração.

A COP30 não pode ser apenas uma vitrine ambiental. Deve marcar a afirmação de uma soberania sustentável. O Brasil precisa parar de importar soluções e começar a construir as suas. Não haverá sustentabilidade sem soberania. E não haverá soberania sem uma defesa tecnologicamente preparada e estrategicamente conectada à proteção ambiental. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro e Consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.

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